“No ar! PRC-2 Rádio Sociedade Gaúcha, Porto Alegre, Brasil”

O amigo e colega Roque Zózimo Croquez sugeriu, há tempos, que eu escrevesse algumas linhas sobre os antigos prefixos das emissoras de rádio. Nada tão distante e tão pouco comentado, mas que não possa ser lembrado nas memórias do rádio.

93-CRUZEIRO

Receptor Cruzeiro, fabricado pela empresa brasileira Byington & Cia. em São Paulo, entre os anos 1936 e 1937. Funciona perfeitamente como os demais 194 receptores do Museu do Rádio. Coleção do autor.

A Rádio Nacional do Rio de Janeiro marcou os diais dos aparelhos de rádio nos anos 1940 e 1950, por ser a pioneira com um alcance e audiência por todo o território do País. A “Nacional” foi fundada em 1936, recebendo o prefixo PRE-8, hoje ZYJ-460. Mas o que foram estes prefixos, alguns tão famosos até hoje?

Inicialmente as emissoras tiveram prefixos tais como SQIJ, designativo primeiro da Rádio Clube Paranaense, de Curitiba. Criada em 1924 com o prefixo PRB-2, eternizou-se na memória dos ouvintes como a “Bedois”.  Já nos Estados Unidos, em Pittsburgh, a KDKA, entrou no ar a 02 de novembro de 1920. Ela foi a primeira emissora licenciada norte-americana e inaugurou a radiofusão comercial no rádio daquele país.

Três anos depois do início do rádio comercial nos Estados Unidos e com os trabalhos da Convenção Internacional de Rádio de 1923 no Brasil, as emissoras de rádio brasileiras iniciaram o uso dos seus prefixos. Assim, iniciou a era dos “prefixos”, utilizando as duas letras PR como “prefixo”, seguidas de mais uma letra e um número. Nasceram os prefixos PRA-2, PRB-4, PRC-8, etc.

A Revista Carioca, do Rio de Janeiro, na edição nº 49 de 19 de setembro de 1936, apresenta uma “Relação das Estações Brasileiras de Radiofusão”, da qual extraímos de um total de 65 emissoras:
PRA-9 Rádio Mayrink Veiga, Rio de Janeiro
PRB-2 Rádio Club Paranaense, Curitiba
PRC-2 Rádio Sociedade Gaúcha, Porto Alegre
PRC-3 Sociedade Rádio Pelotense 

PRC-4 Rádio Clube de Blumenau

PRE-8 Rádio Nacional, Rio de Janeiro
PRF-9 Empresa Rádio Porto Alegrense (Difusora)
PRH-2 Rádio Sociedade Farroupilha, Porto Alegre
PRH-4 Sociedade Rádio Cultura de Pelotas

Desta forma, as emissoras passaram a possuir um prefixo, uma verdadeira identidade fornecida por concessão pelo Poder Público e que as singularizava dentre as demais estações de rádio no mundo. Muitas delas, como a Rádio Clube Paranaense, PRB-2, popularizou-se como a “B2”.

Desde o ano de 1947, estas “identidades” das emissoras brasileiras passaram a iniciar com a letra Z, tal como ZV, ZX, ZW, ZY OU ZZ, como parte dos trabalhos de normatização na União internacional de Telecomunicações (sigla em inglês ITU). Por exemplo, as emissoras de Ondas Médias nos estados do Rio Grande do Sul e de São Paulo têm o seu prefixo iniciado por ZY seguido da letra K. Atualmente, este “prefixo” é escolhido pela Anatel. Por exemplo, em Ondas Médias, a Rádio Guaíba (RS) tem o seu “indicativo de chamada” ZYK 276, a Rádio Clube Paranaense ZYJ 200, a Rádio Guarujá (SC) ZYJ 754 e a Nacional (RJ) ZYJ 460.

Conforme Antunes Severo, “… terminada a ditadura Vargas, em razão da inexistência de mais prefixos “PR” e da nova normatização internacional, iniciou a era das “ZY”. Desta forma se pode afirmar que as “PR” foram as primeiras emissoras de rádio no Brasil.”

 

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