No mundo dos descartáveis

Ficou comum o uso de coisas descartáveis. Entre elas estão garrafas, caixas e muitos outros itens que anos atrás não eram. Talvez já devessem ser.

selo-cadeira-do-barbeiroO descartar do baralho é essencial, senão, logicamente o jogo não continuaria.

O descartar ideias ruins, pensamentos negativos e o orgulho é coisa boa. A natureza agradece; a natureza humana.

Descartar uma TV desejada por algum tempo é lamentável, mas é tempo dos descartáveis.

Descartar um telefone celular, smartphone ou tablet é triste. Caro ou não, dura pouco, consertar ou não dá ou fica inviável devido ao valor, mais vale descartar.

Tenho uma TV 14 polegadas que comprei em 2001. Nunca incomodou. Tenho uma dessas mais modernas, não tão moderna, no segundo mês foi ao conserto, estava na garantia. Quatro dias depois voltou. Claro, não tentei pegar uma nova, não descartei. A TV pifou esta semana, entrou na perícia, com apenas três anos de serviço, e não vai para o conserto.

Os descartáveis mais tristes, mais lamentáveis, mais cruéis e talvez irrecuperáveis, são os relacionamentos humanos.

Descarta-se amizade entre irmãos. Entre pais e filhos. Entre vizinhos. Pessoas cada vez mais religiosas e mais impacientes e intolerantes. Descarta-se um trabalho. Descarta-se um casamento. Uma união que não é só um namoro é uma decisão de formar uma família.

Pior, descartam-se filhos. Além de mulheres que abandonam recém-nascidos, o pai que não assume o filho, que não visita. Teve um relacionamento descartável e descarta também um filho.

Avós também são às vezes descartáveis, exceto quando há necessidade de um empréstimo.

Nos asilos há filhos e netos amáveis, que cuidam, visitam, e existem os que vão chorar só no dia de descartar, no cemitério.

Descartáveis também as reuniões familiares quando não há lugar para o perdão, a paciência.

Amizades de anos que terminam por um pequeno equívoco, uma palavra mal colocada, um olhar mal interpretado.

Artistas descartáveis. Enquanto dão audiência são as estrelas. Alguns são valorizados, outros com o passar do tempo, doença ou acidente são esquecidos. Serão lembrados e vão voltar a virar notícia no dia em que morrerem. Ai que coisa cruel!

Tai uma coisa que deveria ser descartada, a crueldade. Crueldade contra os animais, contra a natureza, contra a vida, contra nós e contra tudo aquilo que é jogado fora, mas deveria permanecer conosco. Há coisas descartáveis sim. Felizes aqueles que jamais descartam o que têm de melhor. Eis o perigo, essas “coisas” costumam estar muito perto de nós!

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