Nós somos jovens: o grande lance de João Ari

As melhores fases do rádio em Florianópolis, do início à fase áurea, podem ser vistas sob três ângulos principais. O surgimento da Rádio Guarujá em 1943 como primeira emissora da Capital. A instalação da Rádio Diário da Manhã em 1955 e a ascensão das rádios Anita Garibaldi e Jornal A Verdade nos primeiros anos da década de 1960. Desse último período é o personagem desta crônica.
Por Antunes Severo

Quatro programas concentravam os mais altos índices de audiência: o Momento Esportivo na Guarujá, Vanguarda na Diário da Manhã, Discoteca do Ouvinte na Anita Garibaldi e Mesa Quadrada na Jornal A Verdade. Isso, por si só representava uma séria dor de cabeça para “grandes”, Guarujá e Diário e uma desafiadora oportunidade para as “periféricas”, Anita e A Verdade. Explico-me.
Guarujá e Diário faziam o rádio padrão, de acordo com a “matriz” Rádio Nacional do Rio de Janeiro e as outras grandes da ex-capital Federal, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, para citar apenas as mais influentes. Nessas emissoras os líderes de audiência estavam nos programas de auditório, mas novelas, no jornalismo e nas jornadas esportivas, linha preferencial da classe média.
Anita Garibaldi e A Verdade lutavam desesperadamente para se manter tentando conquistar o povão. Para isso faziam o possível e o impossível, baixando o nível e chegando ao palavreado de baixo calão como acontecia nos embates radiofônicos entre o Dr. JJ Barreto e Manoel de Menezes, concessionários da Anita e da Verdade, respectivamente.
O “modelo” apesar de interessar a uma boa parte da população não era suficiente para manter a audiência dessas emissoras durante a maior parte do período de transmissão diária. Então, surgiram as contratações bombásticas de locutores famosos como Souza Miranda, Osvaldo Rubin, Dantas Ruas e Jamur Júnior, dentre outros.
Essa fase, entretanto, acabou se esgotando naturalmente e as transformações foram radicais, culminando com a venda das concessões. Na Anita assumiu o experiente radialista Nelson Almeida e na Verdade o comando passa a ser exercido pelo padre Quinto Baldessar. Guarujá e Diário da Manhã mantêm-se em sua linha tradicional sem dar crédito as transformações que estavam ocorrendo.
Então, de fato, as coisas começam a acontecer. Nelson Almeida faz uma verdadeira renovação em sua equipe e entre os novos está o jovem João Ari Dutra.
O garoto começa na Anita Garibaldi apresentando programas de música caipira, logo a seguir transfere-se para a Rádio Jornal A Verdade, volta para a Rádio Anita e encontra o sucesso. Com dois programas diários voltados para a juventude transforma-se num dos mais importantes disc-jockeys da cidade.
Nos links abaixo mais um pouco desta história.
João Ari descobre o rádio. Trecho da entrevista concedida a Antunes Severo em abril de 2007.
Exército do surf. Interpretação de Vanderléa. Prefixo do programa Somos Jovens.
Roberto Costa. Trecho da entrevista concedida a Antunes Severo dia 6 de maio de 2004.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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