Notícia com lágrimas rende mais?

Um principio do bom jornalismo, muito antigo e muito bom, dizia que a notícia que mais interessa ao leitor, ouvinte ou telespectador, é aquela que relata um fato ocorrido o mais próximo possível do lugar onde mora. O atropelamento de uma galinha na esquina de casa interessa mais do que a queda de um avião no Tibet. Alguns veículos, notadamente emissoras de televisão, demonstram total desprezo por essa forma de classificar a noticia que interessa a seu telespectador. Nos jornais da televisão, notícias de desastres ocorridos a milhares de quilômetros, tem posição de destaque. E  não são  grandes desastres ou aquelas tragédias que atingem milhares de pessoas, não. Simples acidentes de trânsito são colocados  nos noticiários como se uma batida de carros na Índia fosse notícia de interesse para o morador de Palhoça/SC. Dia desses no Hoje da Globo, foi destaque um acidente de trânsito entre um carro e uma moto, coisa que acontece dezenas de vezes por dia em São Paulo. Essa preocupação em buscar acidentes e tragédias em qualquer parte do mundo deixa a ideia de que a “TV Tragédia” é o que mais interessa ao telespectador.  O tipo de noticiário que esta em cartaz na telinha, se volta muito para o trágico. Mesmo em reportagens sobre eventos que deixam vitimas, é comum  o repórter numa entrevista com um pai que perdeu um filho, insistir para que conte  detalhes da tragédia. Essa insistência, muitas vezes é tão grande e perturbadora que o entrevistado chega ás lágrimas. E parece que é isso mesmo que eles querem; lágrimas.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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4 respostas
  1. ANTONIO JOSE PEREIRA BESSA says:

    Caro Antunes, eu deploro toda midia que veicule TRAGEDIAS. Eles fazem alarde em mostrar ao telespectador a cena da tragedia. Gera audiencia e prende na telinha os menos dotados de razão critica. Antunes, suas criticas são pertinentes e gostaria um dia poder lhe entrevistar em meu programa para podermos realizar uma mesa redonda e rompermos com as ideologias que segam os omissos diante da telinha.Um vez na faculdade, eu participava de um debate e a fala de uma das debatedoras, inclusive esta era presidente do sindicato, era pela legalização do diploma do curso de jornalismo e dizia que combatia uma comunicação com ruidos. Perguntei pra ela porque não abriria uma radio que todos podessem democraticamente ter voz e vez. Que não ficasse somente no dominio dos poderosos.
    Antunues, a resposta dela foi: SILENCIO. Vivemos mergulhados numa onda de fantasias que prejudicam a todos que buscam dias melhores e somos responsaveis pela vida quando realmente agimos repudiando os meles que invadem os nossos lares. Parebens pela sua cronica.Toni Bessa.

  2. ANTONIO JOSE PEREIRA BESSA says:

    Caro antunes, um abraço. Quero agendar com voçê uma palestra aqui em Fortaleza. Publico alvo: alunos de jornalismo e afins. Podemos combinar como o e feito o agendamento? Abraço. Toni Bessa

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