O amor em “5 línguas”

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”. Pais e Filhos – Legião Urbana.

“O amor é paciente e bondoso… não é ciumento; não é orgulhoso; não procura os seus próprios interesses; não se irrita com facilidade; suporta todas as coisas; o amor nunca falha”. 1 Coríntios – 13: 4 – 8. Bíblia.

Há poucos dias perguntei a muitas pessoas, por meio do WhatsApp, se elas têm facilidade em dizer: Eu te amo – para as pessoas amadas; marido, esposa, filhos, pais, tios, avós, amigos. Recebi ótimo retorno; a maioria disse que têm dificuldades. Alguns disseram que é fácil dizer ao cônjuge e aos filhos, talvez até para a mãe, mas para por aí. Poucos, bem poucos, disseram que têm facilidade em dizer – eu te amo. Carlos , que trabalha no condomínio onde moro, fez questão de dizer que tem facilidade, mas ressaltou algo importante: “Essas palavras se tornam sem vida se não tiver atitude de amor”.

Outro amigo disse que tem demonstrado mais e falado menos.

O escritor e colunista, Marcos Piangers disse em um vídeo disponível na internet que as pessoas desconhecem o poder dessas 3 palavras. Piangers comentou que dizer – eu te amo – causa medo, constrange, mas é libertador.

Voltei meus olhos ao livro: As 5 Linguagens do Amor, de Gary Chapman. Esse estudioso acredita haver 5 “línguas”, ou formas de demonstrar nosso amor, em especial ao marido ou esposa. Detalhe: Não à maneira que sabemos, mas do jeito que o nosso cônjuge precisa. Notem; não do que eles mais gostam, mas do que eles mais precisam para, segundo o autor, “encher seu tanque emocional”.

Lá vão as 5 línguas: Palavras de afirmação – Tempo de qualidade – Atos de serviço – Toque físico – Presentes.

Voltando a pergunta feita: Se temos facilidade em dizer: E eu te amo.

Parece que por mensagens é relativamente mais fácil, mas pessoalmente, olho no olho, é mais complicado. O por quê deve ser avaliado por cada um de nós. Lembro que no funeral do meu sogro, há mais de 20 anos, um dos meus cunhados, emocionou a todos por dizer diante o pai morto o quanto o amavam, e principalmente, o quanto poderiam ter falado isso a ele em vida.

Sobre as 5 linguagens do amor, nessa coluna, vamos falar de apenas duas.

Mark Twain disse certa vez: “Posso viver dois meses com apenas um bom elogio”.
Ou seja, se levado ao pé da letra as palavras de Twain; seis elogios por ano manteriam seu tanque emocional em nível operacional.

“Morte e vida estão no poder da língua…” Provérbios 18:21.

O caso e frase citado acima são para quem tem como linguagem primária – Palavras de afirmação. Uma necessidade especial de ter reconhecimento, encorajamento e receber elogios. Receber elogios é importante para todos; muito mais para quem tem essa necessidade – palavras de afirmação.

O que Gary Chapman nos mostra nesse livro é que todos temos necessidades emocionais, porém, há diferentes necessidades. Sempre haverá uma ou duas dessas mais relevantes ao nosso cônjuge. Qual é a sua? Mais importante segundo Chapman: Qual a “língua”, ou a necessidade primária do nosso cônjuge?

Já ouvi grandes amigos me dizerem: “Jogue esse livro fora, isso é óbvio”. Fico feliz que para eles é óbvio, mas não era para mim; ignorava isso e até hoje procuro aprender esse “novo idioma”, diferente entre minha esposa e eu. A língua dela, toque físico, não é uma necessidade minha; o que me faz ignorar isso com facilidade. Que erro.

Chapman dá uma grande pista para descobrir a linguagem do nosso cônjuge (embora o livro traz um questionário que torna isso fácil); ele diz que normalmente o que o marido ou a esposa mais fazem em relação ao seu cônjuge é a linguagem que os faz sentir amado. É tão forte que tratamos o cônjuge à maneira que gostaríamos de ser tratados.
A regra de ouro: “Todas as coisas que querem que os homens façam a vocês, façam também a eles…” Evangelho de Mateus 7:12. Palavras de Cristo.

Exemplo nada machista, apenas um exemplo. O marido que diz para a esposa: “Você poderia cozinhar aquele macarrão delicioso uma noite dessas”. Ele está dando à esposa uma oportunidade de mostrar como amá-lo. (Essa linguagem é chamada pelo autor de – atos de serviço)

Tempo de qualidade

Chapman ressalta que muitos casais passam tempo juntos diante a TV. Nesse caso, quem recebe atenção é o apresentador, ou mesmo os atores. Ele fala em o casal sentar no sofá com a TV desligada, conversando de verdade, se comunicando, ouvindo um ao outro.

Isso me fez lembrar dos bate papos que tenho com amigos. Por que há tantas mudanças entre o namoro e o casamento? Lembro que no namoro há muitas conversas, sem interrupções.
No namoro ouvimos com entusiasmo. É claro que opinamos ao que ouvimos, mas ouvimos e ouvimos. Damos força. Incentivamos. Cooperamos. Mostramos interesse. Mas depois de casar na maioria dos relacionamentos isso é reduzido a mal ouvirmos a primeira frase e já interrompemos. Aos poucos as linhas de comunicação vão se desligando.

Em certo momento Chapman nos convida a uma cena comum e reveladora. Num restaurante, por exemplo, é fácil saber qual é o casal de namorados e quem já é casado.

Isso dá o que pensar. O casal de namorados costuma conversar muito, se olham, se tocam, demonstram interesse um no outro, riem, brincam, se beijam; já os casado, em considerável número, fazem o pedido, comem e vão embora. Poucas ou nenhuma palavra. Ou seja, os casados vão para comer, os namorados para se curtirem. Por quê?

Quem de nós lembra com muito ou pouco esforço o quanto o namoro era excitante? Não só sexualmente, mas a vontade de ver o amado ou a amada. Contar a última novidade, como foi nosso dia, o que nos espera amanhã; e falávamos e ouviámos com muita atenção.

Por que tantas mudanças depois do casamento? Aliás, hoje notamos muitos casais mais preocupados com a festa de casamento do que com o relacionamento em si.

Será possível conversar abertamente com o cônjuge como quando éramos namorados? Será possível falar sem ser interrompido ou rapidamente julgado?

Talvez não seja à toa que alguns têm mais facilidade em falar com amigos do que com o cônjuge. O ideal seria querer compartilhar tudo e primeiro com o marido ou a esposa, mas vai que ele ou ela não goste e não nos deixe nem chegar na metade do assunto?

Ainda fica a pergunta, por que parece tão difícil dizer a quem amamos: “Eu te amo”?

Por que esperar até o dia em que a pessoa amada não mais ouvirá essa linda expressão?

Há pouco tempo ouvi uma reportagem no rádio de que as pessoas estão se separando mais tarde. Infelizmente isso não significa que os casamentos estejam durando mais. A reportagem mostrou que a média continua sendo de 12 anos de casados; os casais só estão se separando mais tarde porque casam mais tarde; o casamento continua durando pouco.

O amor entre pais e filhos, entre marido e mulher, entre irmãos e entre amigos parece ou estar diminuindo ou simplesmente afetado pelo orgulho ou por uma cultura que ensinou pouco ou quase nada sobre isso. Pelas redes sociais e em datas especiais é falado com mais frequência, mas com que grau de verdade? E por que não olhando nos olhos?

Ainda assim ficam as perguntas: O que torna tão difícil falar a quem amamos o quanto os amamos? E, estamos demonstrando nosso amor à nossa maneira ou como a pessoa amada – precisa ser amada?

Palavra curta; inspiração de poesias e músicas; algo que todos sentimos, apenas talvez não saibamos demonstrar o quanto gostaríamos.

Como dizem que para aprender não há idade, quem sabe aprender uma nova língua; a língua de quem amamos. Um “novo idioma” que nos fará “viajar” por sentimentos ainda desconhecidos, embora muito próximos.

Aquela pessoa que está bem perto e não queremos perder, mas não sabemos como dizer.

A língua de quem amamos, qual será? E como seria bom se a pessoa amada aprendesse a nossa língua. Várias “línguas” em alguns “corações”, tão próximos, tão distantes.

Imagino quando ambos aprendem um a do outro. Aí sim, com “linguagens diferentes e plena intimidade”.

“Línguas” que não deveriam nos afastar e sim nos aproximar. Mas o novo ou o desconhecido, como disse Piangers, causa medo e constrangimento, mas é – libertador – esse precioso – eu te amo. Para quem fala e para quem ouve.

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *