O Bêbado Azul do Desterro

Editora Letradágua do Rio lança livro de Crônicas e Contos de Ilmar Carvalho. Nelson Cavaquinho, Mangueira, Albino Pinheiro, o escritor João Antônio, entre outros, são temas de crônicas do livro do jornalista, crítico musical e pesquisador catarinense Ilmar Carvalho.
Da Redação

Pois olha aí, o nosso Carvalhinho, autor de tantas crônicas lidas por Ciro Marques Nunes ao microfone da Rádio Diário da Manhã na década de 1960, está sacudindo a galera carioca com o seu mais recente livro. O lançamento é da editora Letradágua e aconteceu em noite de autógrafos, no Restaurante Severyana, bem ali na Rua Ipiranga, nas Laranjeiras. Carvalhinho estava lá, mas com o coração aqui por “Afinal, há mais de uma crônica, entre os 25 textos, sobre essa nossa Ilha e aquela que dá título ao livro é uma rasgada declaração de amor à nossa Desterro”.

O lançamento contou com a presença da fina-flor da inteligência, da cultura e da picardia carioco-brasileira como “Aldir Blanc, Moacyr Luz, Paulo Moura, Élton Medeiros, Paulinho da Viola, Cícero Sandroni (jornalista e escritor, membro da ABL), Maurício Azevedo, (presidente da ABI), dentre tantos outros que, com certeza, você gostaria de conhecer ou rever”, como disse Carvalhinho ao também editor desta casa, Antunes Severo.

Para quem não pode estar lá, aqui vai uma “canja” com base no release da editora.

O compositor, violonista e intérprete Nélson Cavaquinho, em certa noite de fevereiro de 65, depois de se apresentar no emblemático Zicartola, propôs a seu amigo, o jornalista Ilmar Carvalho, que tomem o rumo de La Fiorentina, no Leme, concentração obrigatória da boemia carioca. Agora, a dupla é de três, com a incorporação do compositor mangueirense Geraldo das Neves, o Brechó. De manhã cedo decidem e, ato contínuo seguem para passar o dia na Mangueira, nas grimpas do “Pindura Saia”, com escala regada a cerveja e muita cantoria, com participação até de Carlos Cachaça, no “Buraco Quente”.

Esta é a crônica de abertura do “O Bêbado azul do Desterro”, livro do crítico musical Ilmar Carvalho, e que reúne crônicas e contos publicados, na imprensa de Santa Catarina, a partir do final da década de 50.

A apresentação do volume coube ao escritor catarinense Salim Miguel que a ele se refere: “Fui convocado para falar sobre Ilmar Carvalho na abertura de seu livro”.

“Só que de repente, me dou conta. De qual Carvalhinho falar? Se não chega a ser o Mário de Andrade de “sou 300, sou 350” é vários”.

E segue o turco amado soltando o verbo: ”Nesta sua faceta literária, só agora mostrada no Rio, onde reside há mais de 40 anos, o autor reparte o volume com trabalhos que fixam memórias, costumes, tipos, situações vividos/vivenciados, tanto em ‘suas’ cidades do sul (Joinville, onde nasceu e a Ilha-capital), e outros que têm esta metrópole como referência, como é o caso da crônica ‘Lá em Mangueira’”.

Ainda sobre o Rio, o cronista registra as graças do outono carioca (existe ou é ficção?) fala a respeito das agruras de um provinciano na metrópole e sobre as atribulações de um homem só. Há outra que tenta desvendar os segredos da misteriosa mulher no ônibus. Em conto, o autor aborda a frustração de Marcô, compositor de samba-enredo de pequena escola de samba. Faz também comovida homenagem a amigos falecidos em: “Albino Pinheiro, o prefeito espiritual do Rio”, “João Antônio, Copacabana, mundo”.

Continua Salim: “A crônica que dá título ao livro é uma declaração de amor a Florianópolis, antiga Desterro, onde o autor morou dez anos. As que se referem a Joinville falam da infância, dos primeiros filmes na tela do Cine Pálace Teatro, de bares, de bicicletas,  de tipos característicos do lugar, mostrando a influência da cultura dos colonizadores alemães na vida de sua cidade natal e de seus habitantes”.

Salim Miguel completa: “Ilmar continuava o mesmo ser múltiplo, perene, intranqüilo, em busca de algo novo, um homem elétrico e um intelectual sempre insatisfeito, mas fiel a amores, como a música popular, ou o papo, ou os bares. E jamais esquecia a terrinha – e ao falar em terrinha me detenho – será que estou me referindo a São Chico, a Joinville, a Florianópolis ou ao conjunto, esta amálgama? Bem pode ser”.

Expressiva imagem, realização do jovem artista catarinense Luiz Gustavo Meneghin, ilustra a capa do volume. Aldir Blanc, ao falar do livro de Ilmar Carvalho, em sua coluna do Jornal do Brasil/Rio, de 25 de agosto, assim se expressou: “No presente volume, Ilmar abre a veia de cronista. Que textos! Terminei a leitura com o sentimento amargo/admirado de um aluno medíocre diante do mestre”.

Sobre o autor:

Ilmar Carvalho é jornalista, crítico musical, cronista e animador cultural,com mais de 50 anos de atividade profissional, com atuações as mais diversas, todas, porém, relacionadas ou estreitamente ligadas à principal: o jornalismo, em sua vertente cultural, mais notadamente a música, tanto a popular, principalmente do Rio de Janeiro, como a erudita e o jazz. Seu grande interesse pelo choro transformou-o num estudioso desse gênero. Outro constante interesse, objeto permanente de estudos e vivências, tem sido a cultura afro-brasileira, especificamente nas suas relações com a música popular, bem como a historiografia e o folclore do Brasil e das Américas, o que o leva a integrar vários Conselhos e participar de Instituições de Pesquisa nessas áreas: Museu da Imagem e do Som (MIS), do Rio de Janeiro, Associação Brasileira de Pesquisadores de Música Popular, Conselho Consultivo do Carnaval da Cidade do Rio de Janeiro, da RIOTUR, Conselho de Música Popular e Conselho Superior do Samba.


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