O bom de copo

Para uns era conhecido como Cachorrinho, mas em família todos chamavam de Alceu ou Arceu. Figura popular e muito querida em Antonina, Cachorrinho bebia, e bebia muito. Muito e de todas as marcas e teores etílicos.
Por Jamur Júnior

Era um porre atrás de outro. Cachaça, conhaque, batida, “rabo de galo”, vermute, e tudo mais que aparecia num copo, era ingerido com velocidade e prazer. Como figura conhecida da cidade gozava do privilégio de ser transportado para casa a cada porre que tomava. 
Beber muito, cair de bêbado e ser levado quase arrastado até a porta de casa, virou rotina na vida de Cachorrinho. Ao contrário da maioria dos bêbados de boteco que insistem em afirmar que quase não bebem, Cachorrinho falava de suas bebedeiras como quem conta uma vantagem, uma conquista.
Na sua cabeça encharcada de cachaça permanentemente, prevalecia a idéia de que era um atleta do copo.  Um atleta olímpico.  Certo dia, numa roda de bebedeira entre amigos de copo, conhecidos e estranhos, Cachorrinho estava num de seus grandes porres, quando um novato na roda quis saber dos gostos do beberrão.
– Escuta aqui, Cachorrinho, o que você bebe com mais prazer?
– Tudo, cerveja, conhaque, cachaça e se faltar grana vai álcool mesmo. Olha, só não tomo acetona prá não estragar o esmalte do dente.


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Por Jamur Júnior

Radialista e jornalista e foi apresentador noticiarista de rádio e televisão em emissoras de Curitiba e Florianópolis. É autor dos livros Pequena História de Grandes Talentos contando os primeiros passos da TV no Paraná e Sintonia Fina – histórias do Rádio. Jamur foi um dos precursores do telejornalismo em Curitiba.
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