O CANTADINHO ESTÁ SUMINDO

Não lembro o nome do autor, mas tenho bem vivo na memória, a proposta de criação do Dia do Manezinho, feita por um político de Florianópolis. O objetivo é homenagear figuras expressivas da Ilha da Magia. A idéia além de muito feliz, representa uma preocupação com a preservação de características que identificam o catarinense, nesse caso o Manezinho da Ilha.
Por Jamur Júnior

Como paranaense de nascimento e catarinense de paixão, me sinto no dever de alertar para um aspecto dessa questão de proteger a cultura local.
De uns tempos para cá comecei a ter dificuldade de ouvir gente falando com o tradicional sotaque catarinense cheio de musicalidade e alegria, uma das marcas que identificam o cidadão desta parte do Brasil.
O tradicional “cantadinho catarina” está sumindo com a invasão de outros sotaques vindos na esteira do crescimento populacional com a migração de brasileiros de vários pontos do país.
Tenho na lembrança as boas rodas de conversa na Praça 15 de Florianópolis, com Adolfo Zigelli, Lauro Soncini, Souza Miranda, Alfredo Silva, Ciro Marques Nunes e tantos outros radialistas, jogando conversa fora em torno de uma geladinha, ouvindo boas historias com trilha sonora natural, o “cantadinho”, que sempre anima qualquer bate-papo.
Temo que “o cantadinho” esteja sumindo.  Queisss, queiss, não queisss, disss, ô
estopor, arrombasse, visssi, são marcas da comunicação do ilhéu, uma espécie de “carteira de identidade” do Manezinho. Em qualquer lugar do país, ao ouvir o “cantadinho” sabia-se que ali estava um alegre e descontraído catarinense da Ilha da Magia. Talvez seja à hora de alguém pensar em criar uma ONG ou outra entidade, com objetivo de defender o legítimo sotaque catarinense, ameaçado de extinção.
É um bom momento para iniciar um movimento contra a globalização nacional do sotaque, que vem sendo desenvolvido, inclusive, por algumas emissoras de rádio e de televisão.


{moscomment}

Categorias: Tags:

Por Jamur Júnior

Radialista e jornalista e foi apresentador noticiarista de rádio e televisão em emissoras de Curitiba e Florianópolis. É autor dos livros Pequena História de Grandes Talentos contando os primeiros passos da TV no Paraná e Sintonia Fina – histórias do Rádio. Jamur foi um dos precursores do telejornalismo em Curitiba.
Veja todas as publicações de .

Comente no Facebook

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *