O desafio da comunicação à distância

iPad, iPhone, tablet e muito mais, são termos do dia-a-dia. Agradáveis ou não, a gente encara e convive e os incorpora ou estará penalizado a viver fora do wireless…

200px-Heinrich_HertzEssa complexidade, entretanto, é bom lembrar, já está absorvida como palavras de uso ordinário e teve suas origens há mais de 100 anos. Na segunda metade dos anos 1800, as pesquisas sobre eletricidade e sua domesticação representaram o trabalho de toda a vida de alguns gênios e abnegados. Porém, os avanços eram muito lentos, até que o alemão Heinrich Rudolf Hertz conseguiu demonstrar em laboratório a existência das ondas eletromagnéticas.

Até então era necessário que aquele que transmite estivesse ligado àquele que ouve através de fios. Assim era o telégrafo do norte-americano Samuel Morse e o telefone do italiano Antonio Meucci.

A dificuldade em fazer linhas e a impossibilidade dos navios em se comunicar, apressaram novas descobertas.

No final do século 19, o também italiano Guglielmo Marconi desenvolve o telégrafo sem fios, criando uma rede internacional de comunicações à distância, que se pode considerar como a primeira “net” do Planeta.

Foi o primeiro grande passo. Muitos navios, dentre os quais o célebre Titanic, salvaram muitas vidas com o Save Our Souls (SOS), o sinal de chamado de socorro bem conhecido dos radiotelegrafistas. Inobstante, até então, só havia símbolos, o ponto e o traço.

O segundo enorme degrau era transmitir a voz. Falar e ouvir a grandes distâncias e sem um meio físico entre ambos – o que,  à época – era visto como “prova de insanidade mental”, ou uma ficção tirada de “A Guerra dos Mundos”, escrita por H. G. Wells em 1898.

LandellAté que alguns mais ousados iniciaram essa “amalucada” ideia de falar e ser ouvido à distância, sem nenhuma conexão física. Dentre eles está aquele que em primeiro lugar no mundo transmitiu a voz humana sem fios conforme comprovação através dos jornais e até da embaixada inglesa em São Paulo: o brasileiro e padre Roberto Landell de Moura.

Ouso afirmar que, se o destino não o ungisse como “brasileiro e padre”, mas, por exemplo, como “europeu e cientista”, não haveria mais dúvidas quanto à descoberta e invenção do rádio como hoje o conhecemos.

A indústria, o público e os governantes logo viram a enorme utilidade do que foi, a meu ver, uma das maiores descobertas do gênero humano: uma transferência da consciência e do saber a outro lado do mundo, o que hoje é fato corriqueiro como se sempre tivesse assim ocorrido…

Mas o que faltava para completar a maravilha recém-descoberta? Havia a carência de aparelhos, coisas muito raras que só laboratórios e cientistas possuíam. Outro fato também pesava: os rudimentares transmissores e receptores apenas conseguiam comunicar-se a pequenas distâncias, coisa de alguns quilômetros. A palavra “amplificação” passou a ser a chave do problema.

E a história se repete no estrito senso de um problema e sua solução. O norte-americano Lee de Forest aprimora, em 1907, uma invenção do inglês John Fleming e cria a válvula usada nos primeiros rádios, um equipamento que, dentre tantas outras funções, fundamentalmente amplificava o sinal recebido. Estava criada a Era do Rádio ou a Golden Age no hemisfério norte.

A “válvula termiônica” hoje tão desconhecida pela maioria quanto venerada por poucos, foi a peça mestra por 40 anos em toda a comunicação via “fonia”, a saber, o rádio e o telefone. Pode-se sem qualquer dúvida celebrá-la como o terceiro grande passo na comunicação sem fios.  A partir dos anos 1930, a indústria de aparelhos receptores teve uma expansão gigantesca em razão de uma necessidade popular: os rádios passaram a ser mais uma utilidade doméstica ao alcance de muitos.

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Por Daltro de Souza D Arisbo

Nascido em Porto Alegre/RS. Graduado em Engenharia Civil e em Direito, pela UFRGS. Pós-graduado em Engenharia de Segurança do Trabalho pela PUC/RS. Foi Coordenador Nacional e Regional da Inspeção do Trabalho Portuário e Aquaviário e representou o Brasil na OIT em Genebra e pela OEA, em Buenos Aires. Em 1998 iniciou a coleção de rádios valvulados, hoje representada por 193 receptores originais e por ele restaurados e que podem ser vistos parcialmente em www.museudoradio.com ou no próprio Museu do Rádio em Porto Alegre.
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