“O dia em que a terra parou”

A maioria de nós conhece a música com o tema – O dia em que a terra parou, de Raul Seixas. Tema que tomo emprestado do saudoso, Raul; creio que ele não se importaria.

Um movimento dos “caminhoneiros” que para muitos poderia parecer – passar despercebido ou com pouca influência mexeu com o país. Difícil ver ou ouvir alguém discordar ou criticar, como acontece na maioria das graves ou movimentos democráticos.

A lembrança da música – O dia em que a terra parou – pode ter passado pela mente de muitos. Um efeito em cadeia, um efeito “dominó” se estabeleceu nas mais variadas áreas.

Com toda a força de um sistema avançado se percebe a fragilidade desse mesmo sistema; sua – interdependência.

Vale algumas reflexões:

Será que a sociedade, a população, têm ideia do que realmente está acontecendo?

Estudiosos na área da educação, filosofia e sociologia por vezes comentam que o – principal instrumento de alienação e meio de perpetuar o sistema é justamente a educação; entenda-se – escola.

A cientista política alemã, Elisabeth Noelle-Neumann em 1977 elaborou – A teoria da espiral do silêncio. Nessa teoria, Noelle-Neumann, dizia que a mídia de massa, a grande mídia faz com que as pessoas pensem que a maioria pensa de tal maneira, ou seja, as pessoas, ou a sociedade é levada a crer que todos têm um mesmo pensamento. E como ela diz, a pessoa “dura de espírito”, que não se cala, tem como prêmio o “isolamento social”. Por não apenas pensar, mas por expor o que e como pensa de maneira diferente é ridicularizada, diminuída. Então o “isolamento social”.

Isso dá o que pensar até quase “quebrar” a cabeça: Até que ponto podemos confiar em tudo o que lemos, ouvimos e assistimos na mídia; em especial a de massa?

Há pessoas que pensam em um tipo de – voto de protesto. Quer dizer: “Ah, pior do que está não fica”. E citam nomes de possíveis pessoas que para elas seriam a “salvação da lavoura”. Por que pensam assim? Desespero? Ou será que se acostumaram com – o menos pior?

É como se alguém dissesse que na sua região há 10 pizzarias; todas são ruins, mas existe uma que é a menos pior. Pronto, problema resolvido. Assim se propaga o menos pior; o que rouba, mas faz; o que entra para “quebrar tudo”; como se essa fosse a solução.

Qual escola ensina a ter uma mente mais crítica, a pública ou a particular; e o mais importante, por quê?

Há aqueles que creem em intervenção militar; já outros creem que somente Deus ou Cristo para dar a solução que precisamos.

Não devemos ser pessimistas, mas sim, realistas. O que vem pela frente; ou quem sabe por trás? Por trás nos pega de surpresa mais do que pela frente, ou não?

Em mais de uma semana experimentamos algo que se repete, mas para alguns é novo, aliás, para a maioria.

O que cada pessoa, cada cidadão, independente de idade, instrução escolar ou crenças pode aproveitar para fazer é ler, estudar. Ler e estudar o que certos “movimentos” significaram para o país e para as pessoas. Parar de – achar – e estudar, entender o porquê de tal movimento, intervenção, golpe ou ação.

Eis o grande desafio; entender envolve ler, estudar, trocar ideias de maneira civilizada, se aprofundar em conhecimentos em fontes confiáveis. Fontes confiáveis.

Então outro desafio; o conhecimento traz responsabilidades. Traz também liberdade.

Mas quem está pronto para encarar verdades e ter liberdade?

“O dia em que a terra parou” talvez fizesse com que as pessoas parassem para pensar:

Será que foi só agora que parou?

 

 

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