O encontro de Lima Martensen com Octávio Gabus Mendes

Quem por acaso está acompanhando esta série sobre um dos pioneiros do Rádio –  o gaúcho de Rio Grande Rodolfo Lima Martensen, vai  lembrar de sua tentativa frustrada de ser “Speaker”  em sua primeira tentativa de ingressar no rádio paulista.
Por Francisco Socorro, de Florianópolis

Hoje, vamos contar como seu deu o encontro de Lima Martensen com Octávio Gabus Mendes, na Rádio Record, umas  mais importantes da história do rádio paulista e brasileiro, pelas mãos de um dos mais consagrados radialistas da época. Octávio Gabus Mendes, escritor e ator, era o produtor de um programa dominical de grande audiência chamado Chá, Chá, Chá, nome inspirado no ritmo mexicano  que era o maior sucesso do momento.

Lima Martensen, fã do programa e do profissional Gabus Mendes, decidiu procurá-lo para ver se ele lhe dava uma chance de estrear no rádio, não como “Speaker” obviamente, pois a essa altura ele já estava conformado com o seu handicap negativo em plagas paulistas, o sotaque gaúcho…

Para “quebrar o gelo”, Lima Martensen levou um presente para o produtor: um livro de sketchs radiofônicos que mandara vir dos Estados Unidos. Após a entrega do livro e rápida troca de palavras, Gabus Mendes é informado pelo pessoal da técnica que um intérprete do programa, Renato Macedo,  o Renatchinho, ainda não havia chegado e o programa deveria entrar no ar dentro de poucos minutos.

Lima Martensen, percebendo que havia chegado a sua hora e conhecedor do programa não teve dúvidas e diz para o aflito Gabus Mendes:

– Dê-me o script, Octávio, que eu faço a parte do Renato.

“Octávio olhou-me meio incrédulo e sorriu diante de minha disposição. Só pôde dizer um palavrão, enquanto me puxava para dentro do estúdio. Uma calma benfazeja baixou sobre mim naquele estúdio abafado da Record. Desempenhei meu papel com a desenvoltura de um veterano, lembrando-me, durante a leitura, da minha saudosa EAX-4, que deixara inacabada no Rio Grande. Renatchinho chegou no decorrer da audição e assumiu o seu lugar. Havia tido um problema no trânsito (bendito trânsito de São Paulo!). Eu estava dispensando e o Octávio muito grato pela quebra de galho”.

Renato Macedo, então, não sabia como me agradecer. Mas, o melhor estava por acontecer.

“Quando saia do estúdio, encontrei no corredor o Dr. Paulo Machado de Carvalho, senhor absoluto da Record, que até aos domingos freqüentava a sua emissora. O futuro Marechal da Vitória (da Copa de 1958) pegou-me por ambas as lapelas do paletó e me perguntou com aquela sua voz característica e sorriso franco: – foi você que falou agora ao microfone?  – Fui eu, sim, Dr. Paulo. É que o Renatchinho teve um problema com o trânsito e chegou atrasado. — Então venha comigo ao meu escritório…”

A Record naquele momento não tinha nenhuma vaga mas o Dr. Paulo Machado de Carvalho  deu a Lima Martensen a dica para procurar o seu cunhado, João Batista do Amaral, o Pipa, na PRA-5, Rádio São Paulo.

E foi o que ele fez, mas essa já é uma outra história…

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Por Chico Socorro

Publicitário, nasceu em São Paulo e veio para Santa Catarina no final da década de 1970 para implantar e gerenciar o setor de comunicação e marketing da Cia Hering de Blumenau. Chico Socorro é consultor independente de comunicação e marketing para as áreas de licitações públicas e prospecção de novos negócios.
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