O fenômeno da corrupção, a surdez da OI e o tamanho do Estado

UM – Não se trata de negar a existência de descomunais problemas morais na ação de grande parte dos políticos brasileiros. A tolice não vai tão longe. Vamos apenas chamar a atenção para um estranho fenômeno que ocorre entre nós, ou seja, basta se eleger que o cidadão que estava acima de toda e qualquer suspeita se torna desonesto? A coisa é sutil: o modo como se processam as manifestações contra casos de corrupção em todos os níveis de governo e diferentes poderes da República, nos passam a impressão de que a sociedade brasileira é a mais honesta do Planeta. Todos nós somos de uma honestidade exemplar até ingressar num partido e se eleger? Ninguém estranha isso? Tese interessante: longe da política e dos partidos somos dinamarqueses, suecos (há religiosos que não citam Suécia e Dinamarca como os mais éticos e justos porque são países com a maior quantidade de ateus no mundo e baixíssima religiosidade) ou finlandeses e, aí, basta entrar na política e nos tornamos somalis, iraquianos, brasileiros. Quanto de escapismo está embutindo na tese? Não estaríamos fazendo como Pilatos e só lavando as mãos? Sueco elege parlamento com padrão moral (educacional?) sueco, dinamarquês elege parlamento com padrão moral (educacional?) dinamarquês, iraquiano elege parlamento com padrão moral (educacional?) do Iraque, somali tem parlamento com padrão moral (educacional?) da Somália e brasileiro tem parlamento com padrão moral (educacional?) brasileiro. Honestamente, dá para negar isso?

DOIS – Falando em padrão moral, qual é mesmo o que orienta as relações da OI com os clientes? Na realidade nem dá para falar em clientes, a dura verdade é que a OI tem reféns. Falo nela por ser refém da sua surdez! Num momento cheguei a imaginar que a gente era ninguém para ela, mas depois me dei conta que ela nos sequestrou e nos mantém cativos de suas artimanhas. Mais interessante ainda, no caso desta empresa: é completamente surda. Os aparelhos telefônicos da OI são assim: ela fala, mas não consegue nos escutar. Na lista das maldades com seus reféns a pior de todas é que a OI cobra a mais (como se chama isso?) e mesmo quando reconhece que achacou não devolve o dinheiro. O que fazer quando a companhia leva seus reféns ao desespero? PS.: Justiça se faça há funcionários de lojas que fazem das tripas coração, mas a OI nem os valoriza… Outro P.S.: Quem acordou a Anatel?

TRES – Parte do mundo vive o impasse sobre o tamanho ideal do monstro chamado Estado. Há três vertentes: “máximo”, “mínimo” e “necessário”. Se é real que a sociedade precisa do Estado é verdade, também, que ele, quando muito grande, esmaga o indivíduo e aí vem a tirania. Assim, fiquemos atentos ao que grita a jovem doutora em direito da USP, Janaína Conceição Paschoal, sobre as sugestões de uma comissão de juristas para Novo Código Penal. Ela disse se insurgir contra a “histeria de determinadas bandeiras da intelectualidade esquerdista que quer resolver com o Direito Penal comportamentos que poderiam ser coibidos com multas ou orientações da família e da escola: bullying, abandono de animais, casos de desrespeito ao ambiente e de discriminações”. Temos dois motivos para preocupações: 1) quem presta a atenção nota que maioria dos cidadãos é favorável a leis e mais leis (é do nosso comodismo) mesmo que isso signifique, em longo prazo, o Estado nos esmagar como pulga sob polegar; 2) o clima da América do Sul é favorável a esses Estados enormes, basta ver o que pensam governantes da moda na Argentina, Brasil, Equador, Venezuela…

Ivaldino Tasca, jornalista | [email protected]

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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