O feriado

Depois que o Governo regulamentou os feriados através de um decreto, ficou perfeitamente claro que é preciso redigir com urgência outro decreto regulamentando os feriados. Houve um feriado na semana passada. Como o dr. Ivo estava samigueloestando e o dr. Dib estava joinvilando, o meu intrépido amigo Armando Calil viu-se, de repente, com o pesado fardo às costas. Olhou para um lado, ninguém. Olhou para outro lado, também ninguém. O dr. Armando constatou que ele era o Governo. Como Governo, o dr. Armando viu-se na obrigação de responder às indagações sequiosas do chamado do zeloso e diligente funcionalismo público, que queria saber se continuava zelando ou se podia matar umas cocorocas na Baía Sul.

Com urgência urgentíssima, o Secretário sem Pasta procurou a pasta dos decretos, na esperança de achar o decreto regulamentador dos feriados. Depois de achar a pasta que continha o decreto, o Secretário sem Pasta pôs-se a procurar o dito dentro da pasta.

É bom explicar que a pasta do Secretário sem Pasta está sempre cheia de decretos, passados, presentes, futuros e eventuais.Entretanto, o Secretário sem Pasta não demorou muito para concluir que o decretinho dos feridos não estava na pasta.- Onde estará esse sem-vergonhazinho? Perguntava aos seus botões o dr. Armando.Os botões, como sempre acontece, não responderam.

O que faz, então o Secretário sem Pasta?Conseguirá ele o decreto?

O diligente funcionalismo continuará zelando ou poderá dar a sua descansadinha?Com paciência levantina e a tenacidade da heroica Laguna, o Secretário sem Pasta pega a pasta, bota a pasta debaixo do braço e procura um telefone. Viu-se, então, a singular figura do Secretário sem Pasta com a pasta debaixo do braço que desmente todos os organogramas da Secretaria sem Pasta, que por ser sem pasta não previa o insólito da cena.

– Alô, de onde pasta? Quero dizer, de onde fala?

– Aqui é da Prefeitura do dr. Acácio.

– Pode me chamar aí alguém que entenda de feriado?

– Não brinca, sô, não brinca…

– Não é brincadeira, aqui é o Secretário sem Pasta.

– Pois não, dr. Armando, o senhor queria o que mesmo?

– Alguém que entenda de feriado. Me chama aí um especialista. O Adão não está?

– Um momentinho, por favor.

Fez-se, então, um silêncio pesado e sepulcral, porque silêncio que se preza tem que ser pesado e sepulcral.Buscava-se o Adão.Mais um pouco de silêncio e achou-se o Adão.

– Alô, dr. Armando? O Adão já vem. Ele foi lá fora e já volta. Como? É isso mesmo, lá fora.

Cientificado da solicitação do Secretário sem Pasta, o vice-chanceler do Paço voltou lá de fora.

– Pois não, dr. Armando, pois não. Estamos aí. Feriado? Um momentinho, dr. Armando, eu vou procurar a pasta.

E o Secretário sem Pasta, com as pasta debaixo do braço, ficou esperando até que o vice-chanceler do Paço encontrasse a outra pasta.

– Dr. Armando? Não achei a pasta.

O Secretário sem Pasta, agradecidíssimo com os prestimosos esclarecimentos do Paço, botou o fone no gancho e deu um suspiro, aliás foram dois suspiros, pensando nas agruras da vida oficial.

Não conseguiu pensar muito, porque pela porta (claro, nem poderia ser pela janela) entrava o dr. Dib voltando de outra missão na revoltosa República de Joinville.

O Secretário sem Pasta suspirou de novo, aliviado. O feriado não era mais com ele, o dr. Dib que se virasse.

E o Secretário sem Pasta tirou a pasta que estava debaixo do braço, botou a pasta no lugar da pasta, e deixou o gabinete da Secretaria Sem Pasta.

O telefone toca e o dr. Dib atende.

– Se é feriado amanhã. Um momentinho que eu vou buscar a pasta. As cocorocas nadaram felizes nas águas tranquilas da Baía Sul.

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O repórter Dakir Polidoro (cujo programa começa tão cedo que a gente não sabe se ele dorme, acorda e faz o programa ou se faz o programa, acorda e depois, dorme) descobriu o termo exato para a aventura da trinca espacial que desceu na Luz.Acontece que os filólogos, não tendo coisa mais importante para fazer, ficaram discutindo se o mais certo é “alunar” ou “alunissar” ou, ainda “alunizar”, se bem que para a cozinheira daqui de casa “os home aterrissaro na Lua”. O Dakir, velho de guerra inventou uma palavra que junta satélite natural da terra e a quase alucinação coletiva causada pelo efeito espacial: alucinagem.

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Uma frase curiosa do deputado Aldo Fagundes:- Enquanto a Arena cresce desunida o MDB diminui unido.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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