O festival de Manaus: uma aventura diferente

No início dos anos 1980, a diretoria local da Caixa me indicou para representar o Estado num festival nacional de composições de economiários, que seria realizada em Manaus.

imagesInformou que teria que ter pelo menos três funcionários da Caixa Econômica Federal – CEF no grupo; convidei Jorge Prudêncio (baixista) e Waltamir Kulcamp, tecladista e líder da banda Zawajus para participarem.

Voltando um pouquinho no tempo, a Associação da CEF resolveu montar um grupo musical entre os empregados, tendo adquirido um belíssimo equipamento e instrumentos e me encarregado de organizar e liderar o projeto.

Após alguns meses tentando, vi que não era a minha praia, pois para estes, a música seria um hobby, o que não servia para mim.

Indiquei o Waltamir para a diretoria, que aceitou de imediato. Após tentar, ele também desistiu, ficando o equipamento parado e sem uso.

Decepcionados com os problemas, os diretores resolveram vender a aparelhagem e Waltamir comprou tudo e formou uma banda com Zago, passando a tocar nos eventos da Caixa e, mais tarde, tornando-se uma das bandas de baile mais famosas da cidade, Os Zawajos (Zaga, Waltamir e o  Jos, que até hoje não sei quem era). Com o fim do Capuchon 80, indiquei Silvio para a bateria, que estava desempregado e que lá ficou por vários anos.

Bem! Quando fui convidado para o Festival, lembrei da música “Agoraê, O Mestiço”, composta por Aldo e Kachias e complementada por mim, bem de acordo com o local onde nos apresentaríamos, pois era a história de um índio que perdeu sua pureza ao tentar viver na cidade grande. Sempre tive a idéia de um arranjo ousado, que começava com ruídos da selva, um início leve com viola e vocais até atingir o apogeu com uma orquestra sinfônica e instrumental de heavy metal.

Como a orquestra estava fora de cogitação, a substitui por dois teclados e começamos a ensaiar. Estávamos Aldo (guitarra), Miro e Waltamir (teclado), Jorge Prudêncio (baixo), Kachias (percussão), Marcelo Frias – ex-Secos & Molhados (bateria) – e eu no violão; todos faziam os vocais.

Não queríamos tirar Silvio do Zawajos e fomos atrás de outro baterista.

O primeiro escolhido foi um tal de Denis, paulista que era bom baterista e bom violonista.

Fui procurá-lo numa noite no Bacará Bar, onde tocava, mas este me esnobou querendo uma grana preta; expliquei que era um festival e, caso ganhássemos algum premio em dinheiro, seria rateado igualmente entre os participantes, além da possibilidade de comprar instrumentos pela metade do preço na Zona Livre de Manaus. Não aceitou.

Procurei Marcelo Frias, ex-baterista dos Secos e Molhados e que morava em Floripa, que não pensou duas vezes e se integrou imediatamente à banda.

Quando nosso voo chegou a Manaus, mesmo a noite, o calor era tanto que fomos tirando o excesso de roupas já na escada do avião, correndo até a sorveteria do saguão e nos empapuçando de sorvetes.

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