O golaço do repórter-setorista de time de futebol

Narradores e comentaristas são protagonistas na cobertura esportiva. Mas é preciso reconhecer o trabalho de quem acompanha o dia a dia dos times de futebol: o repórter-setorista de clube.

No rádio, o narrador é sempre protagonista numa equipe esportiva. É o grito de gol dele, carregado de emoção e repetido várias vezes ao longa da programação, que fica marcado na memória dos torcedores, o que é perfeitamente compreensível. Afinal, o gol, ao contrário do que já disse um antigo técnico da Seleção Brasileira, o gol não é um detalhe. É o maior momento do futebol. Tanto o é que até rende acaloradas discussões entre os ouvintes (“gritou mais no gol do Avaí…”, “estava sem vontade no gol do Figueirense…”) que estão sempre querendo saber para que o narrador torce.

O comentarista também tem seu papel de destaque na programação e nas jornadas. Ele pode ser mais técnico, mais tático, mais catedrático, mais estatístico, mais clássico, mais literário, mais ou menos apaixonado nas opiniões que omite. De qualquer jeito, mexe com a torcida que acompanha as transmissões pelo radinho ou smartphone no estádio, em casa ou no trabalho. E discordar do comentarista também é um esporte nacional!

Mas há que se reconhecer: a figura do setorista de clube, função histórica dentro de uma equipe esportiva no rádio, não pode deixar de ser valorizada pelos torcedores-ouvintes. Na comparação com o rádio de antigamente (anos 70 e 80, principalmente), ficou mais complicado o trabalho dos que cobre o dia a dia dos times de futebol, nos treinos e nos jogos.

É preciso driblar obstáculos

A chamada “profissionalização” da comunicação dos clubes engessou muito o contato dos setores com os jogadores e técnicos. A ideia de adotar uma rotina e com isso também ter maior controle do que é dito impede que os setoristas tenham a chance de produzir conteúdos diferenciados – vivem de cobrir e repetir coletivas de imprensa. E nem precisa citar das muitas vezes em que os técnicos, principalmente, ficam contrariados, desrespeitam e ofendem o profissional de rádio por causa de uma pergunta.

Além disso, os clubes, como a maioria das empresas pós-internet, têm seus próprios canais de comunicação com seus torcedores. E para ajudar, o rádio foi colocado de escanteio nas transmissões com a proibição de entrevistas antes e no intervalo – situação imposta pela TV, detentoras dos direitos, e das entidades que comando o futebol. Ou seja, é um nó tático para dificultar a vida do setorista de clube.

Mas um dia a bola entra e aí quem marca o golaço é justamente ele, o profissional que cobre o dia a dia do time nos bons e nos maus momentos. Foi o que se ouviu durante a cobertura dos problemas administrativos do Figueirense Futebol Clube, com dívidas, falta de pagamento, greve de jogadores, troca de acusações e perda de pontos por W.O., quando o time não entra em campo para disputar uma partida oficial.

Quem pode contar ao torcedor alvinegro os detalhes envolvendo toda essa situação foram os setoristas, em especial os repórteres Kadu Reis, da CBN-Diário, e José Henrique Koltermann, ex-Guarujá e atualmente no canal online VegEsportes. Ambos fizeram uma cobertura jornalística em cima do lance, diferente do engessamento proporcionado pela gestão de comunicação dos times.

Kadu, por acompanhar o Figueirense também nos jogos em outros estados, foi a “voz do W.O.”. Ou seja, estava em Cuiabá no último dia 20 e de lá informou com antecedência a decisão dos jogadores do time do Estreito de não entrar em campo pela série B por causa dos problemas com a diretoria da empresa que administra o clube. Além das entradas na rádio, ele também fez boletins em vídeo para a NSC TV e redes sociais. Kadu estava no hotel da delegação do Figueirense e no meio da transmissão da CBN-Diário, os jogadores decidiram ir até o estádio onde a partida seria disputada. O repórter se deslocou para lá também e manteve os ouvintes informados se a decisão tomada mais cedo (de não entrar em campo) seria ou não mantida. Foi. Não houve jogo, uma mancha na história do Figueirense, mas tivemos um golaço do jornalismo esportivo, um golaço do repórter-setorista de time de futebol.

Sugestão de leitura

No portal NCS Total, o repórter Kadu Reis compartilhou a experiência de cobrir. Leia aqui.

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