O governo se omite, a sociedade ignora e a mídia faz que não vê

É assustador nós pensarmos que mais de três, quatro mil pessoas em Joinville estão nesta faixa de miséria, por que muitas vezes fazem questão de esconder. Charles Henrique Voos, Sociólogo

Academídia | Projeto experimental | Rádio

Maiara

Juliana

Neste projeto que dedicamos à manifestação dos assuntos de interesse da produção acadêmica, os nossos visitantes têm acompanhado e participado de temas os mais diversos. Mas, nenhum deles com este caráter de denúncia dramaticamente comovedora. Por isso, o reforço do nosso empenho para que este clamor seja propagado e repercutido também no âmbito de seus contatos, caros leitores/ouvintes. (AS)

Este trabalho é fruto da inquietação de futuras jornalistas sobre a situação crítica enfrentada por muitos cidadãos em Joinville. O documentário foi apresentado como requisito para aprovação na disciplina de Projeto Experimental, mas por se tratar de um assunto de interesse público, da sociedade joinvilense e catarinense, contamos com o apoio do site Caros Ouvintes para publicação do mesmo. Confiantes de sua aprovação, agradecemos a parceira. Juliana Palaoro Velho e Maiara Carvalho Batista, acadêmicas da Ielusc. César Augusto Azevedo dos Santos, Professor Orientador.

Depoimentos selecionados

“Muitas vezes eu saia de casa sem nenhum tostão no bolso, nem pra pagar passagem de ônibus. Não tinha nada pra comer. Chegava pedir água nas casas pra matar minha fome pra poder aguentar e ir mais pra frente um pouco. Pra mim foi uma vida muito difícil.” Abel Mathes de Souza

“É assustador nós pensarmos que mais de três, quatro mil pessoas em Joinville estão nesta faixa de miséria, por que muitas vezes fazem questão de esconder. Aí vem a minha crítica, mais em particular à mídia que fala em cidade da dança, cidade da bicicleta, em cidade dos príncipes, cidades das flores, todos aqueles títulos”.  Charles Henrique Voos – Sociólogo

“Falta comida. As pessoas ajudam. A sorte é que a gente não é burra e pede. Os estranhos que me ajudam. Eu não conto com ninguém aqui. Minha mãe mora longe. Meu pai ajuda como pode. Meus avos não ajudam. Se precisar de dinheiro pra comprar remédio eles emprestam, mas querem saber o dia que tenho que pagar. Daí não dá. Nessas horas não tem amigo”. Indianara

“Eu acho que não tem nada mais doloroso do que ser condenado à fome. Por isso eu sempre digo que se morrer de fome é a maior miséria humana, deixar alguém morrer de fome é a maior miséria espiritual”. Padre Luis Fachini

“O sonho da classe alta é ganhar os benefícios do BNDS, a classe média quer fazer concurso para estar garantido até o fim da vida em um concurso público e a classe pobre quer ganhar a bolsa família. Então nada mais justo que a pobreza também queira.” Beline Meurer – Cientista Político

Os trechos citados acima foram extraídos do documentário “Miséria: do abandono à esperança”. Produzido, executado e editado pelas acadêmicas do Curso de Comunicação Social, habilitação em jornalismo da Ielusc.

O documentário radiofônico tem como objetivo mostrar o lado de Joinville que a mídia não mostra. Cerca de quatro mil pessoas vivem na extrema pobreza nessa que é a maior cidade de Santa Catarina e também o maior polo industrial do Estado. Ao longo dos 40 minutos são contadas histórias de pessoas que vivem à mercê? da sociedade, às margens da miséria. Além de personagens, fontes especialistas e oficiais falam sobre a situação que a sociedade muitas vezes não enxerga. Script

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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