O humor no rádio

São notáveis os exemplos de programas humorísticos no rádio brasileiro e em Santa Catarina. Os programas de auditório dos anos 1940 e 1950 foram o grande palco para apresentações de esquetes interpretados por comediantes ou em forma de radioteatro. Aliás, o humor é a vida do rádio. O rádio vive sem notícia, sem música, sem esporte, sem novela, sem variedades. Fica um rádio capenga, mas ele sobrevive. Agora, se faltar o humor o rádio está frito. Você já viu coisa mais insossa, desbotada e sem aroma do que qualquer atividade sem uma boa dose de humor?  

De todas as lembranças que guardamos, as que têm um toque de humor são as que mais gostamos. Outra coisa muito interessante, só o humor é sempre atual, sempre jovem, sempre transbordante de vida. Você já viu humor melancólico? Acabrunhado? Démodé? Você pode até torcer o nariz para alguns tipos de humor, mas mesmo esses tipos de humor – quando a gente pára para pensar – têm um tipo de fascínio especialíssimo. 

Quem é capaz de ficar alheio a uma tirada do Gordo e o Magro? Ou de Chaplin? Ou de Oscarito? Ou do Zecatau, que imortalizou o Waldir Brazil? Até chanchada é bom de rever, basta agente estar de bem com a vida. O segredo? Pra que segredo? O humor é um dos maiores temperos da vida. Por quê? Porque o humor é despojado, simples e espontâneo como sorriso de criança. Quer coisa mais encantadora do que uma sonora gargalhada infantil? 

O rádio é também assim: simples, natural, envolvente. Como o ar que respiramos, como o sangue que corre nas nossas veias, como carinho de mãe. Por isso, o rádio é feito de humor, com humor, pelo humor que tempera nossas vidas. 

A história do rádio em Santa Catarina está repleta de casos e causos de humor. Alguns deles já contados nestes cinco anos de Caros Ouvintes e de muitos outros que contaremos nos próximos cinqüenta anos, no mínimo. Foi por estar de bem com a vida que João Medeiros Júnior resolveu botar um alto falante na janela do escritório para que seus colegas de trabalho ouvissem música; foi por ser bem humorado que Wolfgang Brosig resolveu brincar de fazer uma rádio nos fundos da sua casa; foi com humor que o Dagoberto Alves Nogueira convenceu o Adolfo de Oliveira Júnior a instalar alto falantes na frente do cinema para tocar música pra meninada que vinha para as matinês de domingo e foi por ser um cara bem-humorado que o Ivo Serrão Vieira, ao passar pela Praça XV se deu conta que ela era muito bonita, mas estava meio sem-graça porque não tinha um serviço de alto-falantes para animar a galera que desfilava antes do seriado das três no cine Ritz. 

E assim nasceram nossos astros e estrelas do rádio de Santa Catarina. Brilharam aqui e hoje alguns continuam brilhando no firmamento como Mozart Régis, o Pituca; Waldir Brazil, o Catatau; Cacilda Nocetti, a doce malvada; Felix Kleis, o retratista; Aldo Silva, o Mané do Riachão; Salim Mansur Neto, , o seu Salim Saieu; Nívea Marques Nunes, a fada loura, Alfredo Silva, o bigodinho magrelo; entre tantos outros.  

Mas, além desses que foram famosos há outra vertente muito pouco conhecida: os humoristas eventuais – que criaram, produziram e apresentaram suas chanchadas – e, numa fase bem mais recente os experimentalistas. Neste caso estão os estudantes de comunicação social com suas radionovelas, geralmente muito criativas. Estes – os enrustidos eventuais e os “nossos universitários” – ficam para um próximo programa, porque afinal, cheguei aos finalmentes desta quase humorada croniqueta.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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5 respostas
  1. Walter |Souza says:

    Humorismo no rádio: Mayrink Veiga e Nacional no RJ e Diário da Manhã em Fpolis. Nível de primeirta: que saudades. É bom recordar.

  2. Fátima says:

    Não me recordo de ter conhecido ou convivido com radialista mal humorado, Suponho que se existiram, ou não vingaram ou, não deixaram lembranças…
    Ao contrário do ambiente televisivo, onde as “carrancas” são comuns, o pessoal de rádio vive da descontração e transmite satisfação. O som substitui a imagem e, a voz, a postura , a empatia são os canais para sua visualização. De tanto espantar o mau humor, rádio e seus profissionais viram sinônimo de alegria.

  3. Carla Cascaes says:

    Fátima:

    O radialista é uma criatura peculiar, que tem na solidariedade sua marca junto aos colegas. Não existe inveja no meio radiofônico; se algum “envidioso” aparecer – como dizes – certamente não se criará!
    Enquanto for possível dividir algo por dois, o radialista reparte o pouco que tiver, com toda a satisfação e sem hipocrisia. Já na TV – com exceções, claro – as carrancas são estampadas na “lata” dos medíocres… E como é um ninho de mediocridade o ambiente das Tvs! E de puxa-saquismo também…

    Parabéns pela apreciação à respeito do assunto. Carla

  4. Antunes Severo says:

    Con ese envidioso me haces recordar de la música de Francisco Canaro con letra de José Gonzáles Castillo y Luis Cesar Amadori “Envidia, envidia siente el que sufre, / envidia siente el que espera / viendo que la vida entera / no es más que desilusión”.

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