O início da ‘Inclusão Brasileira’ pelo radiojornal

“Repórter Esso, o primeiro a dar as últimas” e “testemunha ocular da historia”.

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Eram esses os slogans que não saiam da boca, ou melhor, dos ouvidos do povo brasileiro entre as décadas de 40 e 60. E o dono desses famosos slogans era o Repórter Esso, o mais famoso noticiário transmitido pelo rádio nas décadas entre 40 e 60, patrocinado pela empresa estadunidense Standard Oil Company of Brazil ou A Esso Brasileira de Petróleo, da qual provinham as matérias enviadas pela agência internacional United Press International, ou a UPI. Com irreverentes locutores, os quais mais obtiveram suas vozes marcadas no histórico noticiário, personalidades como Gontijo Teodoro, Luís Jatobá e Heron Domingues.

O programa foi o grande responsável pelo começo da globalização da comunicação e, consequentemente, sua audiência foi tão grande pelo povo brasileiro que, na época, foi gerado o jargão “Se não deu no Esso, não aconteceu”.

O Esso

O Repórter Esso foi um noticiário brasileiro radiofônico, exibido inicialmente em 28 de agosto de 1941, comandado em sua primeira transmissão pela Radio Nacional no Rio de Janeiro dando a cobertura do Brasil na Segunda Guerra Mundial.

Revolucionou o modo de dar noticias, pois antes elas eram simplesmente lidas diretamente dos jornais impresso. Era constituída de várias edições que passavam diariamente, todas perfeitamente cronometradas em 5 minutos. Posteriormente, foi transmitido por 59 estações de 14 países do continente Americano.

Também foi transmitido em forma de telejornal, com seu primeiro programa datado em 1º de Abril de 1952 na TV TUPI, e sua última exibição em 31 de dezembro de 1960, oito anos antes do fim de sua versão original radiofônica.

No radio, era baseado, inicialmente, em divulgar a guerra americana para o povo brasileiro e transmitir a evolução da guerra americana por todo o globo; porém, se especializou em transmitir os costumes americanos da época, o famoso American Way of Life, e notícias sobre autoridades, estrelas e celebridades provenientes da América do Norte. Não dava informações sobre outros países se não tivessem base teórica em assuntos e interesses norte-americanos.

Entre suas exclusividades noticiou a renúncia de Getúlio Vargas, em 1945, e seu suicídio em 1954, o lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima em 1945, a Morte de Adolf Hitler e sua amante, a qual posteriormente casou-se, em 1945, a morte de Carmem Miranda em Beverly Hills, Califórnia em 1955, a renúncia de Jânio Quadros, em 1961 e a chegada do homem a Lua, em 1969.

Confira o  notíciario da morte de Getúlio Vargas

A seguir, vemos um relato de um dos locutores, Heron Domingues, o qual conta como eram seus corridos dias na agitada rádio, quando trabalhava no Repórter Esso:

“Trabalhei no Repórter Esso de 1944 a 1962, sem um dia de folga. Levantava-me às 6h45min e voltava para casa à 1h30min da madrugada. Nos períodos críticos, dormia na rádio, que tinha uma cama na redação. Para se ter uma ideia da época conturbada em que vivíamos, no período em que fui locutor do Esso, houve no Brasil dez presidentes da república. Durante a guerra, dormia na Rádio Nacional com um fone no ouvido, diretamente ligado a UPI. Sempre que havia uma notícia importante, eles me despertavam, eu mesmo colocava a emissora no ar e transmitia a notícia. Para o fim da guerra, preparamos uma audição especial do Repórter Esso, em que a notícia seria dada fundida com o repicar de sinos. Com medo de me emocionar muito diante do microfone, gravei o início da transmissão: “Atenção! Atenção! Acabou a guerra”.

Em 1º de abril de 1964, o Repórter Esso enfrentou a censura militar sendo impedido de informar seus ouvintes sobre o golpe militar, na mesma época em que o presidente Goulart deixava a presidência.

Era o início do fim ao Repórter Esso.

Seu telejornal chegou ao seu fim com a censura que se propagava no inicio da década de 60, onde passou a serem permitidas somente transmissões de desfiles de moda e matérias sem grandes repercussões, e juntamente com isso, vinha o surgimento de um forte concorrente, o qual obteve grande sucesso, era o primeiro “Jornal Nacional”.

Como radiojornal, sua última transmissão ocorreu dia 31 de dezembro em 1968, iniciado as 20h15, pelo locutor Roberto Figueiredo, falando, entre outros, sobre o pronunciamento do presidente Costa e Silva, a instituição do AI-5, A Missa de Ano Novo, e as principais noticias transmitidas pelo programa nos seus 27 anos de exibição, quando, num ápice de emoção, Roberto, ao emocionar-se, chora por performar sua última apresentação do programa o qual se dedicou por anos a fio, havendo a necessidade de ser substituído rapidamente por Heron Domingues.

No final de sua transmissão, Roberto volta à cena, e seus milhares de ouvintes se emocionavam, também, ao passo que ouviam o desejo de feliz ano novo, e o último “boa noite”, pela voz do locutor que, mesmo aos prantos, tentando-se recuperar, retornou para sua última despedida do radiojornal que tanto marcou a sociedade brasileira por sua propaganda “Político-Ideológica”, globalizar as informações, e exibir e informá-la, a integrando com o resto do mundo; fazendo-a, finalmente, incluída nos acontecimentos daquele tempo e dando, mesmo que pouca, a devida liberdade de expressão e participação a qual, de fato, tinham todo o direito.

Último Repórter Esso

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