O inventor da TV colorida

Muitos talvez não saibam que a televisão colorida foi inventada por um mexicano: Guillermo González Camarena. Engenheiro, cientista, pesquisador — inclusive no campo da medicina —, astrônomo, hipnólogo, apaixonado pela história mexicana e compositor. O dinheiro ganho com a canção Rio Colorado ajudou Camarena, autodidata em todos os setores nos quais se envolveu, a pagar pela patente que lhe daria reconhecimento mundial: El equipo cromoscópico adaptado para la televisión. Trata-se do primeiro sistema de TV a cores do mundo, desenvolvido entre o final dos anos 1930 e o início dos anos 1940.

A eletrônica foi uma paixão de Guillermo González Camarena desde a infância. Nascido em 17/2/1917 na cidade de Guadalajara, o jovem Guillermo fazia seus próprios brinquedos elétricos e equipamentos de transmissão e recepção de rádio. Aos 18 anos de idade, construiu, usando sucatas, a sua primeira câmera de televisão em preto-e-branco. Essa experiência o estimulou a tentar colocar cores na imagem da TV. Vale lembrar que tudo isso aconteceu numa época em que a televisão mal havia começado nos Estados Unidos e na Europa e nem havia sido inaugurada oficialmente no México — algo que só ocorreria em 1950.

Camarena foi o inventor do sistema tricromático que, até hoje, baseia o trabalho com vídeo colorido: vermelho, verde e azul — mais conhecido pela sigla em inglês RGB. Visando baratear os custos de produção e difusão, chegou a inventar um outro sistema mais simples, bicolor. Foi uma opção diante dos padrões NTSC, SECAM e PAL — usado como referência para o Brasil, que adotou o PAL-M (M de modificado).

No começo, seus estudos e inventos eram desenvolvidos num quarto da casa onde morava com os pais. Anos mais tarde, ao mesmo tempo em que acumulava vários empregos, criou os Laboratorios Gom-Cam (de González Camarena). Lá, fabricou, com suas próprias mãos, muitos dos equipamentos necessários para a implantação da TV no México e chegou até a exportar para os Estados Unidos.

Em 10/5/1952, dia das mães, Guillermo González Camarena abriu mais um espaço para experimentações: a XHGC, canal 5 da Cidade do México. O símbolo da emissora foi desenhado pelo próprio Camarena e foi fruto da sua paixão pela cultura mexicana: seria a forma como os astecas, caso ainda existissem, escreveriam a palavra televisão.

A programação da XHGC dedicava especial atenção ao público infantil, principalmente durante a tarde. Também foi o canal pioneiro no esforço de educação a distância.

Em 30/4/1954, ocorreu a fusão da XHGC com o o canal 2, de Emilio Azcárraga Vidaurreta. No ano seguinte, o canal 4 se juntou à essa rede, que recebeu o nome de Telesistema Mexicano e da qual Camarena tornou-se assessor técnico. Desde então, o canal 5 passou a ser gerado do Televicentro, central de produção do grupo que hoje se chama Televisa. A família Azcárraga ampliou seu apoio aos estudos de Camarena, algo que já acontecia desde os tempos da XEW Radio.

Guillermo González Camarena faleceu em 18/4/1965, num acidente de carro. Até hoje, é lembrado como um dos mexicanos mais importantes do século XX por conta da sua proficiência em diversos setores, da preocupação que tinha com a cultura e dos inventos que ajudaram a desenvolver a televisão em todo o mundo.

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Por Fernando Morgado

Fernando Morgado é palestrante, consultor, professor da FACHA e professor convidado de instituições como Universidad Autónoma Metropolitana do México, ESPM e PUC-Rio. Autor do livro biográfico "Silvio Santos: a trajetória do mito" (Matrix, 2017). Tem outros seis livros como autor, coautor e colaborador. Mestrando em Gestão da Economia Criativa, pós-graduado em Gestão Empresarial e Marketing e graduado em Design com Habilitação em Comunicação Visual e Ênfase em Marketing pela ESPM. Entre suas atividades comunitárias, é articulista voluntário no site do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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