O jantar da presidente e a fragilidade da Oposição

Um país com 32 partidos políticos pode funcionar bem? Responda levando em conta que não há Oposição organizada e o jeitinho faz do eventual opositor matinal um situacionista radical no meio da tarde. Enquanto o valor do partido for medido por segundos de televisão tire o cavalinho da chuva, o Brasil não vai funcionar.

Exemplo da fragilidade é que o jantar da presidente Dilma Rousseff em Portugal ouriçou a oposição. O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno, foi à Procuradoria-Geral da República, o líder do PSDB, Carlos Sampaio acionou a Comissão de Ética Pública. Os caras “revolucionários” são perdulários por natureza com o dinheiro dos outros. Lembram da ministra Benedita da Silva torrando grana pública na Argentina? E o ministro Agnelo Queiroz recebendo diárias de duas fontes? A lista é longa e chata e começou com o Aerolula: “povo não pode ter avião sucateado”. A oposição faz furo n’água, devia se preocupar com coisas mais sérias, essa é a real.

E a real é que andamos no escuro. Entre os fatos assustadores, do Oiapoque ao Chuí (passando por Passo Fundo) pinço um: São Paulo, neste ano, queima mais do que um ônibus por dia. Especialmente nos grandes centros, a bandidagem ocupa espaço que devia estar sob o domínio do Estado e impõe a lei do narcotraficante, do receptador. Nunca antes no Brasil foi tão grande a sensação de insegurança, a impressão de que a estrutura de segurança faliu!

A saúde é precária, estradas, portos (em Cuba, o porto por onde Fidel expeliu 100 mil cubanos está novo com nossa grana) e aeroportos estão sucateados, os presídios são masmorras medievais. Como já disse, mais de 120 mil brasileiros morrem por ano assassinados, no transito, em assaltos, a impunidade é ampla, geral e irrestrita e a oposição quer saber quanto a presidente gastou num jantar?

O ensino básico é calamitoso e o Brasil tem 14 milhões de analfabetos adultos, segundo a UNESCO. “Esse indicador mostra a parte, não o todo. Além de ter herança de analfabetos, o sistema educacional brasileiro produz mais analfabetos”, diz a pesquisadora da USP, Paula Louzano. Oito por cento das pessoas que têm ensino médio completo podem ser consideradas analfabetos funcionais, segundo relatório do Inaf (Indicador de Analfabetismo Funcional).

Para onde se olhe existem problemas sérios que mereceriam a ação diuturna de uma oposição ferrenha, incansável, competente, mas o que se nota?

Não bastasse o rosário de mazelas acima e as que poderíamos ainda relacionar o Brasil está conseguindo a proeza de sucatear as Forças Armadas. Se é processo de causo pensado ou circunstancial não sei, mas os dados frios confirmam sucateamento gradual. Em 2012 foram 249 os oficiais que abandonaram a carreira e passaram a trabalhar na área civil, pelo desânimo que deles tomou conta. Esse número quase se repetiu em 2013: 250 oficiais pediram demissão nas três armas. E são os homens mais preparados técnica e intelectualmente. Analista atento que se mantém, compreensivelmente, no anonimato afirmou: É notável a desvalorização social e a inferioridade salarial dos militares em relação ao funcionalismo público federal, do qual fazemos parte.

PS.: Nada ameaça mais a democracia do que ausência de oposição forte! Não há exemplo de democracia efetiva sem oposição capaz de chegar ao governo. Isto significa que a falta de oposição não é um problema que devia tirar nosso apetite e nosso sono…

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Por Ivaldino Tasca

Jornalista e radialista. Natural de Barra Funda/Sarandi-RS. Reside em Passo Fundo, onde já foi secretário de Meio Ambiente e de Cultura. Atuou na Cia. Jornalística Caldas Junior por dez anos, foi chefe de redação e diretor de O Nacional, mantém coluna no jornal Diário da Manhã e programa sobre ecologia na Rádio Uirapuru de Passo Fundo.
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