O jornalismo brasileiro vai melhorar

Carlos Karnas*

A não obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício profissional está decidida pelo Supremo Tribunal Federal. A polêmica de décadas poderá continuar, mas concluo que o jornalismo brasileiro vai melhorar. Novos tempos, novos rumos e novas tendências surgirão a partir de agora, com a participação de novas inteligências e pluralidade intelectual formada em áreas diversificadas do conhecimento humano. Tal diversificação, bem-vinda, poderá re oxigenar, dar maior consistência e credibilidade à nobre atividade profissional, pois o ofício do jornalista jamais morrerá. Há campo aberto e livre para que surjam e se identifiquem os verdadeiros jornalistas.

A legislação, os veículos, as universidades e nós jornalistas, somos os responsáveis pela discussão fermentada e pelo final estabelecido. As faculdades de jornalismo, dos meios de comunicação social, não conseguiram evoluir adequadamente para a competente formação de jornalistas profissionais ao longo desses anos. O ensino básico brasileiro, igualmente, contribuiu para isso, à medida que disponibilizou, às universidades, calouros com sérias deficiências de conhecimento da língua portuguesa, incapazes de construir uma frase correta, carentes de conhecimento das ciências humanas ou outras quaisquer, sem evolução crítica por não saberem noções históricas, filosóficas, sociológicas e outras mais.

Foram despejados no mercado de trabalho levas de bacharéis sem competência intelectual, carentes de qualidades. Os veículos absorveram os melhores e a maioria ainda passou por peneiras de treinamento mais qualificado nos centros de formação montados pelas próprias empresas jornalísticas. O jornalismo brasileiro, engessado pela obrigatoriedade de um diploma específico, perdeu e emagreceu. Teve seus altos e baixos, mas deixou de oferecer à sociedade e aos leitores, ouvintes e telespectadores, informação mais nobre, mais crítica, intelectual, fundamentada. Verdadeira. O ofício de jornalista profissional é nobre, tem dignidade, é indiscutível. Entretanto, cabe ao profissional ter grandeza, conquistar conhecimento até as últimas consequências, para competentemente poder e saber desencavar notícia e conteúdo qualificado para os que consomem informação. Deve-se ter aptidão para veicular informação. O universo editorial é cada vez maior e com diversidade inimaginável. Daí a necessidade de talentos, de jornalistas talentosos, o que o diploma não outorga.

Na história do jornalismo, os profissionais expressivos e célebres não ostentaram ou ostentam o diploma de jornalista. Grande parte foi formada em outras áreas do conhecimento humano, não na faculdade de jornalismo. E o jornalismo brasileiro deixou de ganhar no descaminho. Salvou-se, diversificando sua área editorial e fazendo crescer os espaços para articulistas, colunistas e especialistas, com outras formações superiores, que ajudaram alguns veículos a qualificar a informação ou criar nichos no jornalismo especializado. Novas tecnologias impeliram as tendências e os leitores buscam segmentações. Agora surgirão novos paradigmas. Os cursos de jornalismo não desaparecerão, mas deverão mudar e melhorar. Deixarão de ser genéricos.

Os futuros jornalistas deverão se esforçar e investir mais na sua própria formação. Deverão deter conhecimento total e integral do que é informação e da complexa engrenagem empresarial jornalística. Não poderão ficar passíveis, confortáveis nas redações, redigindo notícias em português precário e manipulando informação desqualificada. Eles deverão ter atitude, honestidade, crítica, assumir novas posturas profissionais e alimentar seus questionamentos para que a sociedade ganhe com isso. Deverão estar atentos e dominar todas as novas tecnologias da informação. Está aberta a livre caça aos jornalistas talentosos para o bem de todos. Ganharemos, democraticamente. Digo isso como jornalista profissional há 40 anos, com diploma universitário e que já exerceu a cátedra em diversas faculdades de jornalismo no país.

*Jornalista profissional e professor de jornalismo

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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