O melhor momento

Dizem que “cavalo encilhado não passa duas vezes”; essa frase é compreendida facilmente pela maioria de nós; salvo as crianças, e olha lá, hoje muitas delas surpreendem.

Como é comum ao falarmos como um amigo (a) sobre alguma oportunidade que se colocou diante de nós, talvez seja uma que sempre foi a nossa vontade; o amigo nos lembra, “cavalo encilhado não passa duas vezes”. Será que não? Parece lógico pensarmos que há coisas ou oportunidades na vida que não se repetem, ou quando se repetem não as percebemos.

Há algumas reflexões que podem nos ajudar a entender melhor o velho ditado e o melhor momento.

Essa primeira reflexão ouvi há muitos anos do meu amigo, Felipe. Apenas tomei a liberdade de reescrevê-la, mas sem que ela perdesse a sua essência. Ficou assim:

Um senhor com cerca de 85 anos caminhava perto de uma praça quando avistou um menino que parecia ter entre 10 e 12 anos. O senhor, com sua experiência de vida notou que o menino estava ou parecia estar muito triste e se aproximou. Ele cumprimentou o menino que educadamente lhe devolveu o bom dia com um meio sorriso. O senhor tomou a liberdade de iniciar uma conversa:

– Notei que tu estás triste. Posso saber por que estás assim?

– Ando meio triste sim. Sabe, senhor, gosto muito desses carrinhos e aviões de controle remoto, mas meus pais disseram que no momento não têm dinheiro para comprarem. Por isso estou triste. Parece que nunca posso ter o que eu quero.

O idoso, de maneira calma e com a voz cheia de emoção, disse ao menino:

– Gostaria que tu prestastes atenção em algo que tenho a dizer. Mas quando eu terminar essa curta história quero que tu me respondas a uma pergunta. Quando eu era criança, da sua idade, eu tinha muito tempo livre e muita energia, mas nunca tinha dinheiro para comprar as coisas que gostaria. O tempo passou e me tornei adulto. Passei a trabalhar bastante. Então a situação tinha mudado, eu tinha muito dinheiro e muita energia, mas já não tinha tempo para fazer as coisas que eu gostava. Os anos foram passando rapidamente. Então, voltei a ter tempo e ainda tinha muito dinheiro, mas não tinha quase nenhuma energia. Agora, a minha pergunta, o que houve de diferente em cada uma das fases da minha vida?

O garoto olhou atentamente para o senhor e disse com convicção:

– O senhor nunca teve tudo. Ora não tinha dinheiro, depois não tinha tempo e hoje, o senhor não tem mais energia. É isso?

– Sim, é isso. De um jeito ou de outro, meu jovem, nunca, ninguém tem tudo o que quer e na hora em que quer. E acredite, tu ainda terás mais coisas do que podes imaginar.

Segunda reflexão. Essa retirei da coluna do nosso querido jornalista, Mário Motta, que por sua vez nos brindou em sua coluna com esse texto de Olavo Bilac (1865-1918). A história:

O dono de um sítio resolveu vendê-lo. Ao encontrar o poeta, Olavo Bilac pediu para ele redigir o anúncio no jornal. Bilac escreveu:

“Vende-se encantadora propriedade onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas águas de um ribeirão. A casa banhada pelo sol nascente oferece a refrescante sombra durante às tardes em sua aconchegante varanda”

Semanas depois, Bilac encontra o amigo, dono do sítio, e pergunta se foi fácil vendê-lo. O dono da propriedade, responde:

– Nem pense nisso. Depois que li o seu anúncio percebi que tenho um verdadeiro tesouro, só não havia me dado conta.

Acordamos, nos alimentamos, pensamos e tomamos decisões todos os dias. Trabalho, estudos, relacionamentos que se constroem ou se destroem; tudo são decisões; sempre “há cavalos encilhados”; sempre há o momento certo.

Ontem houve momentos em forma de decisões e “cavalos encilhados”, hoje estão acontecendo e amanhã haverá outros. Em vez de chorar por momentos perdidos, por oportunidades não aproveitadas podemos ficar atentos para valorizar o que temos de melhor não só materialmente, mas em especial a vida, a saúde, o trabalho, os relacionamentos, família e amigos; caso contrário seremos capazes de “colocar esses bens a venda”. E vai que alguém aproveite a oportunidade por nós despercebida?

Podemos fornecer “cavalos encilhados” por falta de saber valorizar o que temos.

Quando teremos a nossa melhor oportunidade? Como saber se é o nosso “cavalo encilhado”? Oportunidades de aproveitar e de não jogar fora passam diante os nossos olhos todos os dias.

O melhor momento pode ser agora mesmo. Não o deixe passar.

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