O mensalão há 2000 anos

Agora começo a entender por que um jornal paranaense, lá pela década de 70 do século passado (como soa velho isso…), determinou a uma equipe especializada que estudasse, pormenorizadamente, alguns aspectos relacionados à maneira de convencer os anunciantes a comprar os produtos recomendados pela imprensa.

Por Agilmar Machado

A idéia era de minuciar os métodos usados pelo legendário militar e ministro da propaganda nazista, Joseph Göebels. Como aquele mirrado general, que era a “sombra” do führer, fazia para mover com tanta precisão e eficiência as massas; convencer o povo alemão a abraçar a causa do III Reich. Coisa mais estranha ainda: manter perfeito controle sobre o seu grande chefe, manuseando-o como a uma criança obediente na hora de envolver o público com os seus acirrados discursos!
De 1939 a 1945 a coisa funcionou como um relógio, pois em uma última e desesperada tentativa Göebels, através das palavras de Hitler, convencia até as crianças a pegar em armas e combater na frente de batalha, com tão eficiente treinamento quanto seus pais e precursores que pereceram nos campos de batalha.
Já não havia mais adultos em condições para a guerra e a propaganda funcionava em seus extremos!
O próprio Hitler – então ao lado de seu fiel escudeiro Göebels -, sua mulher, Eva Braun (com quem celebrou o mais efêmero casamento: minutos antes de morrer e de Eva também suicidar), mulher e filhos de Göebels (que ele mataria instantes antes de pôr fim à própria vida, traduzindo o orgulho nazista de não capitular), estava irremediavelmente impregnado pelas táticas deste.
Com as tropas russas já sitiando sua até então inexpugnável fortaleza, gritava, como se ainda estivesse cercado de poderio armado: “Mandem 500 aviões bombardear Moscou (blitz-krieg, guerra relâmpago); mandem mais material bélico para Rommel, na Áfrika Korps; movimentem toda a armada, navios destróiers e submarinos para atacar, atacar, atacar!!!”.
O próprio führer costumava dizer: “Até uma mentira, repetida cem vezes, acaba se convertendo em verdade.
Só que, naquele tempo, isso não se chamava marketing, essa complicada palavra que, entre outras coisas e de muita coisa, vai descambar num termo bem ao gosto dos economistas de mais de oitenta anos: mercadologia.
Agora, para quem acompanhou o noticiário da semana passada, aquele papiro que acharam sobre a história do “homem do saquinho” (a mala ainda não existia), Judas Iscariotes, nos deixa antever que esse negócio de marketing só mudou de nome mesmo.
Imaginem só que diz o velho documento atribuído a escribas egípcios que foi tudo combinação entre o líder cristão e o seu seguidor-traidor, a história dos 30 mangos de prata!!!
Eu sempre olhei o Judinha e seu saquinho de patacos sobre a mesa da ceia. A mim nunca pareceu tão cheio de remorsos assim. A começar por seu semblante e pela maneira extasiada com que olha os demais comensais, de certa forma até sóbria… Será que esse papiro é verdadeiro ou é mais uma chanchada de marketing ?
Se a história do papiro foi para tirar uma onda de precursor de Robin Hood, ninguém pode explicar, pois, como diria o espanhol: hay mucha “duda” en el aire… Incrivelmente, o “mensalão” não é coisa somente brasileira e também não é de hoje que existe…
Pois nem esse termo, que traduz “prosperidade” em tupiniquim, o Brasil pode patentear como genuinamente nacional…


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Por Agilmar Machado

Iniciou suas atividades profissionais no rádio em 1950, tornando-se jornalista em 1969. Atuou nas principais emissoras do Sul de SC como redator, produtor e apresentador de programas jornalísticos. Historiador, é co-autor História da Comunicação no Sul de SC. É membro fundador da Academia de Letras de Criciúma/SC.
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