O nascimento da televisão do Paraná – 19

Com o sinal melhorado, nossas preocupações se voltaram, uma vez mais, para o espaço limitado que dispúnhamos. Como cogitássemos ampliar a programação ao vivo, a insatisfação duplicou, pois além das dificuldades de operação, muita gente passou a duvidar da nossa capacidade realizadora.

Nessa época, devia ser lançado em Curitiba o refrigerante Pepsi Cola e uma emissora de televisão seria escolhida para a campanha. Apesar da diferença de condições entre a nossa estação e a concorrente TV Paraná, integrante d poderosa cadeia Associada, acaba mos sendo os escolhidos pela agência administradora da conta da Pepsi. Empolgados, programamos a apresentação de uma das maiores atrações internacionais de então, que era Abilio Herlander, em temporada especial no Brasil, sob o patrocínio daquele refrigerante.

Tudo acertado, tivemos uma reunião com a agência, um dia antes do espetáculo, ultimando todos os detalhes. No dia seguinte, chegou a Curitiba, com o pessoal da agência, um diretor da Pepsi. Sua primeira visita, no início da tarde, foi aos estúdios do Doze, que ficavam no 20º andar. Após as apresentações, o diretor indagou se poderíamos ir até os estúdios, pois ele queria conhecer o local onde seria a apresentação. Todo solícito, eu o conduzi à sala ao lado, explicando-lhe com toda a simplicidade, que os estúdios eram ali mesmo e ali iria acontecer o programa. Ele se espantou:

– Aqui?! Não é possível! Aqui não dá para fazer nada! Não vejo como possa ser montado o cenário, cujo lay-out lhes foi enviado. Só a orquestra é composta de mais de doze elementos e o set dos comerciais deverá ter uma garrafa de aproximadamente 1,80m de altura…

Da forma mais natural possível, informei-lhe que estávamos cientes de tudo isso e que as providências já haviam sido tomadas para estar em condições à noite, indicando-lhe onde seria montado cada set. Ele, então, pediu-me pra ver o script do programa. Eu lhe disse que não havia script porque seria um musical e que fora feito um roteiro para o acompanhamento do programa. Ele suspirou, desconsolado:

– Não é possível!…

Em seguida, indagou-me quando seria o ensaio. Respondi-lhe que não haveria ensaio porque a orquestra só chegara há pouco tempo e não teríamos disponibilidade de estúdio, pois a programação já estava para ser iniciada, Mas lhe pedi para não se preocupar porque já havíamos conversado com o maestro e estávamos todos cientes das músicas que seriam apresentadas não haveria nenhuma dificuldade.

O ar de contrariedade do dirigente estava explícito no seu rosto. Dizia-se inteiramente descontente e preocupado. Certamente, achava que a escolha da TV Paranaense fora um enorme erro. Ainda tentei consolá-lo, afirmando que, apesar da aparência do local, tão diferente das demais emissoras do país, ali seria possível fazer um bom programa. Acrescentei que estávamos acostumados a conseguir um bom resultado com o que dispúnhamos e que depositávamos toda a confiança na equipe com a qual possuíamos ótimo entrosamento.

Mesmo assim, ele deixou os estúdios visivelmente descontente, falando até em adiar o lançamento, desejoso de mudar de emissora. Mas a agência tinha filial em Curitiba e já conhecia o que seriamos capazes de fazer, não deu muita importância para os rompantes do sujeito e insistiu para que ele se tranqüilizasse, pois logo mais à noite poderia comprovar que tudo aconteceria de forma absolutamente satisfatória, que a escolha da emissora fora feita por razões profissionais e os resultados seriam positivos para o cliente.

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