O nascimento da televisão do Paraná – 27

Outra série foi criada e protagonizada por Idelson Santos. Nela, ele vivia o personagem Superbig, uma paródia do Super Homem, em episódios de quinze minutos de duração, duas vezes por semana. A história toda se passava em Curitiba e o herói tinha de aparecer sobrevoando pontos da cidade.

Isso foi conseguido sobrepondo-se imagens aéreas filmadas anteriormente às tomadas feitas na hora no estúdio.Também a propaganda ganhou muito com o novo estúdio. Nos comerciais ao vivo, já podíamos mostrar os lançamentos automobilísticos, máquinas agrícolas e toda a sorte de mobiliário, de todos os tipos e tamanhos, em belos ambientes decorativos.

Programas de prêmios, que exigiam grande espaço para o cenário e participação do público tornaram-s e igualmente viáveis. Foi o caso de Vale Ouro Nóbis, que oferecia aos portadores de um carnê a possibilidade de concorrer a uma barra de ouro, ao completar trinta e um pontos. Outro foi o Agarre o que Puder! Animado por Moraes Fernandes e oferecido pela Kolynos, que fazia a festa da criançada que demonstrasse habilidade para pegar o maior número possível de prêmios. Foi um dos programas de maior sucesso, com grande participação popular e uma enxurrada semanal de cartas, que concorriam ao sorteio de vários prêmios.
Grandes produções com nomes famosos do cenário nacional foram acontecendo. A agência de propaganda dirigida por Nilton Romanoski atendia a conta da Casa Hauer e estava lançando um carnê gigante, que era uma inovação nessa área de comercialização. Para tanto, precisava de uma programação de impacto. Resultado: foram produzidos grandes espetáculos com Moacir Franco, José Vasconcellos, Titulares do Ritmo, Leny Eversong e Jô Soares.

Na mesma época, preparamos um programa para Imóveis Muraro, cliente da mesma agência, com Luiz Vieira, cujo cenário, característico do Nordeste e rico em detalhes, era alterado todas as semanas, para adequar-se ao tema musical. Teve grande sucesso também o Grande Teatro Turíbio Ruiz, patrocinado pelo Banco Comercial do Paraná.

Apesar de todas as inovações, que modernizam os conceitos dos programas de TV, muita coisa absurda também aconteceu.

Valêncio Xavier escrevia, então, um programa semanal eu fazia a direção de TV. Certa semana, o Valêncio exagerou e colocou no texto alguns termos ousados para a época. Quando foi ao ar, o Dr. Nagibe ligou-me, determinando que interrompesse imediatamente o programa, pois ele estava lhe causando grande constrangimento diante dos convidados que se encontravam em sua casa. Disse-me ele:
– Onde já se viu mostrar coisas e palavras tão imorais?! Isso é absolutamente inadmissível, pois existem até crianças assistindo!

Nesse instante, já haviam se passado cerca de 18 minutos dos 25 previstos para a duração do programa. No switch, fazendo a direção de TV, com o telefone preso pelo ombro ao ouvido, tentei justificar, prolongando ao máximo a conversa. Quando o programa já estava quase finalizando, disse-lhe que tudo bem, que iria interrompê-lo, e ele deu-se por satisfeito. Para o público não houve maior prejuízo, e, na verdade, nem existia nada de tão grave na encenação.

Mas o fato demonstrou o quanto era empírica a administração da TV Paranaense na época. E se tudo corria bem era tão somente pela dedicação das pessoas que participavam do trabalho e não viam obstáculos intransponíveis nas dificuldades e sim um grande desafio a ser enfrentado e vencido.

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