O nascimento da televisão do Paraná – 36

Por ter acompanhado tudo muito de perto, posso afirmar, com segurança, que só as comissões e juros pagos por Nagibe Chede à criminosa agiotagem já permitiriam reverter a situação, solucionando todos os problemas dele, tanto de ordem pessoal quanto empresarial. No entanto, ele acabou tento todo o seu capital dilapidado e gradativamente minguado por aquela absurda e questionável opção.

Foi esse o fator dominante que o levou a desfazer-se do seu grande sonho, perseguido com tanta paixão e realizado com tanto amor. E ele foi obrigado a viver até os seus últimos dias longe daquilo pelo que tanto lutou, deixando, inclusive, de receber em vida as homenagens que tanto merecia.

Pelo elevado volume e custo de comissões indevidamente pagas, Nagibe deixou de adquirir equipamentos de primeira linha, como por exemplo, os componentes que lhe foram oferecidos para a instalação de uma emissora de televisão completa, produzidos pela Toshiba, do Japão, cuja aquisição nunca mereceu dele análise minuciosa, por entender que se tratava de produtos nominalmente insignificantes. Mas, por isso, acabava sempre pagando mais, para receber muito menos e de menor qualidade. Nem as próprias cobranças, oriundas da comercialização de seus outros veículos, Nagibe Chede fazia, preferindo entregá-los ao agiota e pagar pelo serviço, ainda que contasse em sua equipe com pessoas dignas e aptas para exercer essa atividade e a quem pagava salários.

Quando da procura do local central adequado para acomodar a televisão, sugerimos a compra de um terreno que se achava à venda e ali construir um complexo com estúdios especiais, a partir de uma edificação econômica, de grande formato, que além do mais, serviria de atração turística para a cidade. Era uma área nobre de valor muito interessante, pertencente a tradicional família de Curitiba, que estava disponível. O imóvel se localizava num dos locais mais altos da cidade, no bairro das Mercês, e era ideal para uma emissora de TV. Os recursos estavam disponíveis no Banco do Estado de São Paulo. Mas a proposta foi rejeitada porque alguém lhe ofereceu, para alugar, um barracão, com intermediação do tal agiota, e, mesmo não sendo a melhor opção, para lá acabou sendo transferida a televisão.

Só o valor pago para a reforma e adaptação do referido barracão, fora o aluguel, foi maior do que se a aquisição tivesse acontecido e executada a construção da sede própria. Nesse imóvel foi, posteriormente, edificado o prédio que hoje acomoda a Embratel, no final da Avenida Jaime Reis e início da Avenida Manoel Ribas, junto ao antigo reservatório de água do São Francisco.

Comportamentos como esses geraram as muitas dificuldades enfrentadas pela TV Paranaense e toda a descontinuidade administrativa conduzida pelo saudoso Dr. Nagibe. A derradeira solução, diante da fragmentação de recursos, acabou sendo a transferência da emissora. Lamentável, sob todos os aspectos.

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