O nascimento da televisão do Paraná – 41

A anunciadora Míriam Keher, muito bonita, como todas as demais, demonstrava certa insegurança nas primeiras apresentações. Num comercial para a Âncora Comercial, distribuidora Ford em Curitiba, sobre o novo carro Aero-Willys, ela entrou dizendo: “Este é o Aero-Willys, o novo e confortável veículo para pessoas de bom gosto”. E seguiu em frente: “Com ele você… Com ele você… Chuiii… Esqueciiiii!” E desandou a chorar.

A mesma Míriam, que também é muito ingênua, preparava-se para apresentar um comercial no próximo break do filme em exibição do filme em exibição. No set do comercial, aguardava o momento. O pessoal do estúdio, por brincadeira, focalizou-a e deu-lhe o sinal para iniciar. Ela disparou a falar. Como todo o mundo caiu na risada, percebeu que não estava no ar coisa nenhuma, sendo alvo de gozação. Não demorou muito e chegou a hora. Agora, era para valer. Deram-lhe o sinal. A câmera foi ligada e ela colocada no ar. Mas, sorrindo, disse em bom tom: “Desta vez vocês não me enganam. Esse troço não está no ar. É Outra sacanagem de vocês…” Só que naquele momento ela estava realmente no ar.

AMeire Nogueira fazia os comerciais do filme Jim das Selvas, que era patrocinado pela Sintex, anunciando a torneira e o chuveiro elétricos. Num dos programas seria apresentado um novo produto: um acendedor elétrico de fogão. Como era um comercial novo, ensaiamos durante a tarde, mas sem ligar o acendedor. Meire só simulava como ele deveria ser usado. À noite, quando d demonstração real, liguei o dito cujo na energia elétrica e Meire começou: “Você já conhece a torneira elétrica Sintex, o chuveiro elétrico Sintex, e agora vai conhecer o magnífico acendedor elétrico. Veja como ele é prático. Você abre o gás do fogão e com simples movimento assim…” Ao virar o acendedor de cabeça para baixo, porém, juntamente com o som de descarga elétrica, saíram as faíscas que serviam para acender a chama. Assustada com a descarga ela soltou um sonoro “Aaaiii!” e jogou longe o acendedor.

“Que belo acendedor!…” devem ter pensado os telespectadores…

O Jamur fazia comerciais para as Lojas Nasser. A campanha era: “Deu a louca no Nasser! Veja só que preços!… Ele mostrava os produtos e dizia os preços. Nessa época, existia um rapazote que estava sempre no estúdio, acompanhando tudo o que era feito. Ele sofria de um descontrole motor e ficava movimentando desordenadamente a cabeça. Certo dia, o Jamur resolveu improvisar, e vendo o jovem ali, mandou que ele entrasse no estúdio e que, no exato momento, o câmera-man o focalizasse. Isso feito, a câmera cortaria para ele, Jamur. Quando o moço foi colocado no ar, com aqueles trejeitos todos, o Jamur exclamou: “Esse aí é louco, mas o Nasser é mais louco ainda! Veja só que preços…”.

Existia no Canal 12 um balcão, ao lado do qual o Alcides Vasconcellos apresentava, em pé, o noticiário Repórter Real. Em outro horário, o balcão era coberto com um pano cheio de bichinhos desenhados, e o Mauro de Alencar apresentava ali as Histórias do Tio Mauro. Como a câmera só pegava a imagem da cintura para cima, postando-se o apresentador atrás do dito balcão, um dia o Jamur entrou por baixo do pano e soltou o cinto Ada calça do Mauro. Embora surpreso com o acontecimento Mauro não perdeu a pose. Apenas incluiu na história que estava contando: “E o titio Jamur está aqui em baixo, tirando a calça do titio Mauro…”.

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Por Renato Mazânek

Operador de som, sonoplasta, locutor, e escritor. Participou da fundação da Rádio Ouro Verde de Curitiba e dirigiu as rádios Curitibana, Emissora Paranaense, Guairacá, Clube e Itaguaçu. Fundou e dirige a agência de publicidade Teorema. É autor do livro Ao vivo e sem cores – o nascimento da televisão do Paraná.
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