O nascimento da televisão do Paraná – 9

Depois de longos oito meses de muita expectativa e muito trabalho, dúvidas e descobertas, tropeços e acertos, mas sempre com muita determinação e muita confiança, finalmente chegou o grande dia esperado.

No ar a imagem de um slide com o logotipo que seria a marca da nova televisão. No estúdio, convidados muito especiais se comprimiam sob o calor abrasador dos refletores.

Exatamente às 19 horas do dia 29 de outubro de 1960, uma câmera abre o rosto de Elon Garcia, que convida o deputado Colombino Grassano, representante do governador do Estado, Moysés Lupion, para o descerramento da fita inaugural da TV Paranaense, Canal 12. Segue-se a bênção proferida por Don Manoel da Silveira Delboux, arcebispo de Curitiba.

Presentes Iberê de Matos, prefeito de Curitiba; Flávio Suplicy de Lacerda, reitor da Universidade Federal do Paraná; comandante da 5ª Região Militar, presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Presidente do Tribunal de Contas, presidente do Tribunal Regional Eleitoral, presidente da Associação Comercial do Paraná, e principais nomes do comércio e indústria paranaenses, todos recepcionados pelo Doutor Nagibe e por sua esposa, dona Celmira Chede, de quem lembro com muito carinho e a quem desejo prestar aqui uma homenagem especial por sua importantíssima participação na empreitada, agindo sempre com o maior equilíbrio em todos os momentos da grande jornada.

Representante do governador Moysés Lupion descerra fita inaugural

Representante do governador Moysés Lupion descerra fita inaugural

Em um discurso carregado de emoção, Nagibe Chede relatou o longo, difícil e às vezes solitário caminho percorrido para chegar àquele festivo momento. E fez questão de valorizar o trabalho da equipe, agradecendo e nominando, um a um, todos os que deram a sua contribuição e possibilitaram a concretização do seu grande sonho. Depois estendeu o seu agradecimento a Pedro Stier, um amigo que acompanhou de perto todos os momentos mais importantes, disponibilizando, inclusive, as vitrines das suas tradicionais Lojas Tarobá para as primeiras demonstrações.

Por sua obstinação digna de todos os méritos, Nagibe Chede tornou-se o grande pioneiro da televisão do Paraná. Estava, finalmente, inaugurada a TV Paranaense, Canal 12, a primeira emissora de televisão do Estado, descortinando uma nova era na história das comunicações do Paraná, como contribuição efetiva para o desenvolvimento cultural, político e social da Terra dos Pinheirais e valorização do seu povo.

Ao final da cerimônia, Elon Garcia fez uma detalhada explanação de como seria a programação da emissora, e anunciou as diversas fases a serem ainda gradativamente implantadas, discorrendo, também, sobre as mudanças que fatalmente viriam a acontecer, principalmente em razão dos recursos exigidos pelos comerciais, e a expectativa de seus efeitos. Depois, convidou os presentes a assistirem ao primeiro programa, que abriria a fase da televisão comercial do Paraná: a série filmada Susie, Minha Secretária Favorita, com o patrocínio da Max Factor. Na seqüência, foi apresentado um documentário povos e o primeiro longa-metragem.

O acontecimento monopolizou a atenção dos curitibanos que acompanharam na casa de amigos, nos salões de clubes e pelas vitrines das lojas, onde a concentração popular foi impressionante. Nem é preciso acrescentar que as lojas que dispunham de alguns aparelhos de TV para venda esgotaram completamente seus estoques, apesar de o custo de tais aparelhos não ser, na época, nada acessível.

No dia seguinte, às 18 horas a programação foi aberta com o primeiro programa ao vivo criado e dirigido pelo chinês Charles Clemente Chen Wu, vindo da TV Itacolomi, de Belo Horizonte. Foi o marco inicial das programações locais e revelou muitos nomes de talento, como Arlete Soares e Miriam Kehr.

Durante sua trajetória, Clemente Chen abriu também espaço para os primeiros anunciantes de televisão, criando e apresentando o principal programa de variedades do vídeo paranaense, com esmerada produção, apesar da reduzida disponibilidade de espaço dos estúdios: Tevelândia. Esse programa Fo lançado com recursos financeiros do próprio Chen, somente sendo possível a sua continuidade graças ao trabalho que ele realizou junto ao mercado, granjeando a confiança e a simpatia dos anunciantes e o respeito dos profissionais que tiveram a oportunidade de trabalhar com ele.

Exatamente pela qualidade, o programa de Clemente Chen só permaneceu poucos meses no Canal 12, pois um irrecusável convite recebido da TV Paraná, Canal 6, inaugurada meses depois, levou-o para a outra emissora, onde continuaria fazendo sucesso, juntamente com outras produções dele, até a sua prematura morte, em 1965.

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