O nascimento da Televisão no Paraná* – 1

Foi em 1953, ano em que o Paraná comemorou o centenário de sua emancipação política, que aconteceram as primeiras incursões para fazer a televisão chegar à Curitiba e ao Paraná.

Nagibe Chede, o precursor

Nagibe Chede, o precursor

Com esse propósito criou-se uma sociedade, a Rádio e Televisão Paraná S.A., integrada por Nagib Chede Abrahão, Raul Vaz, Alexandre Gutierrez, Mário Hipólito, Gastão Chaves e ainda Benjamim Malucelli. Este grupo estabeleceu os primeiros entendimentos com Assis Chateaubriand e dele recebeu o incentivo para a implantação da TV no Estado do Paraná.

Amparado no aval dos Diários e Emissoras Associados, de Chatô, o grupo decidiu promover uma demonstração de como era a televisão, com o propósito de fomentar a venda de ações para viabilizar o empreendimento.

Em 1954, contando com equipamentos cedidos pela TV Tupi (SP) e com uma câmera instalada no sétimo andar do Edifício Garcez, na esquina da Avenida Luiz Xavier (então João Pessoa) com a Rua Voluntários da Pátria, onde se situava o Centro Interamericano de Cultura, passaram a transmitir imagens em circuito fechado para televisores instalados nas vitrines das Lojas Tarobá, situadas no andar térreo do mesmo edifício.

Foi montada a apresentação de um show com artistas da Tupi paulista e alguns dos principais nomes da música, rádio e teatro locais.

O comando do “espetáculo” ficou por conta de um dos mais versáteis e respeitados nomes do rádio do Paraná: João Lydio Seiler Bettega (Dide), que teve como companheiro, na ocasião, Mário Fanucchi, outro radialista paranaense, que trabalhava na TV Tupi. Como não poderia deixar de ser, o resultado foi altamente satisfatório, transformando-se no principal assunto da cidade.

O sucesso motivou outras apresentações. Uma delas na cidade de Ponta Grossa, então considerada a segunda cidade do estado e a “Capital Cívica do Paraná”. Para lá foi levado e exibido o mesmo show de Curitiba, também conduzido por João Lydio Seiler Bettega, então coadjuvado Barros Júnior, conceituado profissional de rádio dos Campos Gerais que era diretor da Rádio Clube Pontagrossense, a PRJ-2.

Outra apresentação aconteceu na cidade de Palmeira, terra natal de Nagibe Chede e onde também residiam importantes empresários, desta feita com artistas locais. Todas as apresentações tiveram a mesma repercussão da inicial, ocorria em Curitiba.

E tudo ficou por aí. O tempo foi passando e o assunto pareceu ter caído no esquecimento. A procrastinação, no entanto, deu-se pelo fato de que, naquele período, Assis Chateaubriand priorizava a implantação de outra emissora própria, a TV Piratini, de Porto Alegre, enquanto que a telemissora paranaense pertencia a um grupo independente, e seria apenas ligada à TV Tupi paulista, que lhe daria suporte operacional, como a cessão de programas por ela produzidos.

Na próxima semana: Nagibe Chede resolve fazer carreia solo.

*Destaques do livro AO VIVO E SEM CORES – o nascimento da televisão do Paraná. Curitiba: Guiatur Editora Ltda. 2004.

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  1. […] Para saber mais sobre a história da TV paranaense, leia o artigo de Rosa Maria Cardoso Dalla Costa (UFPR), o texto de Elmo Francfort e o site Caros Ouvintes, […]

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