O nascimento da televisão no Paraná – 25

Em conseqüência disso (veja capítulo anterior), a TV Paranaense, que pretendia ter logo em funcionamento o equipamento de videoteipe, tratou de fazer novo acordo operacional com a Excelsior, principalmente por ser ela, naquele momento, detentora dos principais filmes para a televisão. Mesmo assim, ainda manteve alguma ligação com a Record, que entrava numa fase de estagnação.

Como todo o equipamento da Excelsior foi renovado, a estação de São Paulo desativou as câmeras Dumont, em operação desde a sua fundação. Isso permitiu que elas fossem cedidas por empréstimo para a TV Paranaense, uma vez que não mais seriam utilizadas. Apesar de usadas, eram bem superiores às que possuíamos aqui, com maior definição. Essas câmeras utilizavam tubos orthicom (olho da câmera), um tipo de material sensível que proporcionava maior fidelidade de imagem com menor exigência de iluminação.

Apresentavam, por certo, alguma dificuldade de operação, já que para não ter fixada a imagem anteriormente captada, precisavam estar sempre em movimento. Não poderiam ficar estáticas. Mesmo assim, seriam extremamente úteis, até que houvesse condições de aquisição de algo mais moderno.
Agora, já poderíamos apresentar programas explorando os detalhes dos cenários. Com o uso da baixa iluminação, foram também possíveis novos efeitos, que valorizaram muito o trabalho apresentado.

Embora as coisas tivessem ficado muito melhores, sabíamos que era um solução paliativa. E continuamos as entabulações para a aquisição de novas câmeras. Nesse meio de tempo, a empresa que fabricava no Brasil os transmissores usados pelo Canal 12 e que havia instalado o fatídico cabo coaxial, desenvolveu umas novas câmeras, que foram oferecidas aos Dr. Nagibe com a promessa de que eram tão boas quando as importadas, e a um custo muitas vezes menor. Não deu outra. Ele ficou sensibilizado com a oferta e, sem consultar ninguém, acabou adquirindo logo três delas, da Maxwel, para substituir as antigas Dumond. Com isso, a TV Paranaense foi, uma vez mais, cobaia e novo equívoco acabou sendo cometido. Apesar de novas, as câmeras estavam longe de apresentar uma imagem ta satisfatória quanto as importadas.

Ainda assim, pudemos fazer algum progresso, como, por exemplo, adquirir uma pequena câmera Marconi, importada, por um custo aceitável, para substituir a primeira câmera (RCA TV EYE), com a qual realizamos as primeiras experiências e que só funcionava, com certa qualidade, no telecine. A diferença da câmera Marconi, que passaria a ser adotada por grande número de emissoras nacionais, era flagrante.

Dessa forma, mesmo com a melhoria de imagem captada no estúdio, o telecine continuou sendo o setor que ainda apresentava melhor definição e era o nosso maior percentual de uso.
O novo estúdio e as novas câmeras geraram em todos nós a expectativa de haver afastado definitivamente os transtornos do passado. No entanto, mesmo contando, também, com novos transmissores, continuamos tendo problemas de recepção. A maior potência gerou “fantasmas” na imagem em certas regiões da cidade, decorrentes dos novos edifícios que iam surgindo.

Nessa época, aumentava de maneira altamente significativa a quantidade de receptores de TV em Curitiba. Proporcionalmente ao aumento de aparelhos, aumentavam, igualmente, as reclamações. Isso nos atormentava e passamos a procurar as razões, constatando que o problema, na verdade, não residia nos nossos equipamentos. Isto é, concluíamos que cada receptor doméstico precisava sofrer uma correção técnica, mesmo que recém saído da fábrica. Exigia ainda a instalação de uma boa antena e um ajuste de sintonia no seletor de canais, posto que onde estavam instaladas as indústrias a maioria das emissoras em operação tinham as suas freqüências em canais baixos, menos problemáticos. Com a conscientização dos telespectadores, muitos tomaram a iniciativa de proceder as correções, passando a receber uma imagem de melhor qualidade.

Outro suporte técnico ainda disponibilizado por uma equipe especial da própria televisão, basicamente oferecendo informações de procedimento. Eu mesmo andava munido com uma chave plástica para retocar o seletor de canais dos televisores, onde quer que fosse principalmente para provar que era aquele o grande problema.

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