O nascimento da televisão no Paraná – 44

Certa ocasião seria apresentado um comercial de aspirador de pó. O aparelho possuía, em ambas as extremidades, orifícios, nos quais, de um lado, era fixada a mangueira para a sucção, e, do outro, saia o ar. A anunciadora começou descrevendo as vantagens do aparelho e a simplicidade do uso. No tapete, havia fragmentos de papel e grãos de alimentos. Só que alguém, engraçadinho, havia invertido a posição da mangueira e enchido o aparelho de confete, e no momento em que a garota-propaganda ligou, com a ponta do pé, o aspirador, o estúdio todo foi tomado por ma grande nuvem de papel…

Quando montamos a unidade móvel do Canal 12, nela foi instalado um gravador de vídeo Ampex 660, que trabalhava com um sistema helicoidal de gravação.  Para estrear a unidade, propus-me a produzir e gravar dez comerciais para a Casa Hauer. Como era período de inverno, aproveitei a presença em Curitiba da companhia Holiday On Ice. O cenário era próprio para lançamentos de inverno. Contratei uma das patinadoras para servir de modelo, deslizando no gelo com as roupas ofertadas pela Casa Hauer. E, na última noite de apresentação do grupo, fizemos as gravações.  Ali mesmo revisamos a fita com as belíssimas imagens gravadas, daqueles que seriam os primeiros grandes comerciais montados para a TV. Não percebemos, porém, que o técnico tinha alterado, acidentalmente, a velocidade da fita no momento da gravação. No dia seguinte, antes da montagem final dos comerciais, o técnico fora fazer a revisão de outro programa e notou a alteração da rotação, revertendo-a. Assim, quando fomos montar os comerciais no gelo, todas as imagens estavam foram de rotação e ficaram absolutamente inaproveitáveis, já que não mais se conseguiu encontrar a velocidade em que foram gravadas originalmente. Também não foi possível a regravação, uma vez que, logo após a conclusão do nosso trabalho, houve a desmontagem d pista de gelo e o material foi embarcado para outra cidade. Conseqüentemente, perdemos todos os comerciais inéditos e também os dólares pagos ao pessoal do Holliday.

Eu produzi o primeiro filme comercial para a televisão. Foi um table top para as Lojas Magazin. E, a seguir, o primeiro filme trucado, para as marmitas Ruwa. Ambos foram produzidos, já com imagem e som, dentro das características profissionais.  Para o som, contei com os préstimos do Eugênio Felix, que trabalhava com filmes de 35 mm e produzia o cine jornal local para os cinemas. Para ser exibido na televisão, que operava só com 16 mm, fizemos uma série de adaptações no equipamento de 35 mm. Foi uma situação improvisada, mas que permitiu um resultado tecnicamente perfeito.

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *