O natal e o rádio

“Se o seu coração já conheceu o desrespeito, aprenda a respeitar os outros. Se os seus ouvidos já registraram palavras arrogantes, seja dócil ao falar com os outros. Se os seus pés já passaram pelo lodo do desespero, não desconsidere ninguém”. (Valdemar P. Barbosa).

Rádio

Infelizmente, a qualidade da programação radiofônica vem caindo assustadoramente, aliás, vem também subtraindo direitos dos profissionais da comunicação. A publicidade ultrapassa os vinte e cinco por cento e, em determinados programas, atinge um percentual exorbitante de setenta e cinco por cento. Os permissionários de concessões públicas, só pensam em lucro e a cultura não se afigura, parecendo ser arreglada, com os coordenadores e diretores de programações.

A Carteira do Trabalho do profissional de Comunicação, exigida durante a sindicalização, está morta, sepultada, pois não tem valor algum. Os gaviões, as águias, os urubus que fazem a radiodifusão só querem para si, em detrimento de bons profissionais, que para sustentarem a família, se submetem ao pagamento de alugueis de horários com preços exorbitantes, dependendo da quantidade de horas que serão utilizadas.

A linguagem radiofônica e a linguagem jornalista, nunca foram tão desrespeitadas, pois a ética foi fruto da hidrocefalia de determinados profissionais, que usam os microfones da maioria das emissoras AM e FM de nossa capital, para usarem a pornofonia e a pornografia e ainda afirmam que o “povão” gosta.

Jamais pensávamos que a programação radialística iria perecer no neuroblasto, os bons programas caíram no oblívio, o meritório trabalho da mídia oticada, não passa de um pélago de presciência, prescrevendo e imantado para o ciclo do rádio, pessoas desqualificadas para exercerem com altivez posições redentoras diante do público ouvinte, que falseiam as psicosferas sintônicas e o renascente desejo de evolucionismo morrem no nascedouro.

O que se vê são ações extirpadoras de muitos, e o mais exorbitante que se possa imaginar acontece também com as rádios comunitárias, visto que já assimilaram a maldita invenção das rádios de amplitude e frequência moduladas. A cultura cearense está sendo afetada, pois temos que engolir sem água, as programações da região Sudeste, já que a transparência se metamorfoseia em frustrantes tentáculos, colocando ainda mais, os escaninhos perturbadores nas ações contributivas, impedindo que a qualidade da programação do rádio melhore em número, gênero e grau.

Um alô, um abraço, um feliz aniversário para os ouvintes de rádio é normal, o anormal é incluir os nomes de várias pessoas que não pagam publicidade, demonstrando com essa ação que alguns profissionais querem auferir vantagem para seu proveito próprio. Essa ação chama-se Jabá, quer queiram ou quer não, existe no rádio. Os programas de torcidas organizadas é outro câncer que está destruindo o rádio lentamente, criando um confronto entre clubes rivais. Isso é vero, antes essa violência, esse vandalismo não existia.

Os profissionais do rádio de antanho, eram mais aferidores, alicerçados na vontade intrínseca, comburente, transformando-se num buril conducente das boas programações que suavizavam os tímpanos dos ouvintes daquela época. Hoje a consternação tem levado muitos profissionais a trabalharem voluntariamente em emissoras educativas e comunitárias para não perderem a prática de uma boa locução, pois a qualidade de voz é substancial e que o emprego da língua portuguesa não seja submetido ao esquartejamento conducente, visto que muitos locutores engolem (R) (S) e além troca a letra (L) por (R) tornando a pronúncia da palavra um fato escandaloso. No lugar da palavra – Claro dizer Craro, trocar a palavra Clube por Crube é inadmissível, e mais a concordância verbal não é obedecida.

Outro fato negativo está ínclito nas narrações esportivas. O locutor transmite com tanta rapidez, que os ouvintes nada entendem, além do mais narram mais publicidades do que futebol. Às vezes pensamos estar num campo de guerra nunca num campo de futebol, enrolam as palavras que se tornam inaudíveis. A paixão clubística mesmo que exista não deve ser do conhecimento do ouvinte, o narrador esportivo deve ser imparcial e não exclusivo de qualquer clube.

O Natal no rádio deve ser transmitido com louvor, pois representa a festa maior da cristandade. Vamos pedir a Deus que no ano de 2013 a qualidade de nossos profissionais da radiodifusão tenha o viés certo e que essa história de “povão” não seja tão explorada. Que o piloti seja forte e que o Sindicato dos Radialistas possa exigir cursos técnicos, ou mesmo profissionais formados na área da Comunicação Social, para exercerem a função tão valiosa e nobre que é a da comunicação, respeitando-se logicamente os direitos adquiridos.

O Rádio sendo cultura necessita de homens cultos, tanto para dirigi-lo, quanto para quem faz uso dele. O nome tradicional das emissoras está mudando e acabando com a história das antigas emissoras cearenses que ficaram conhecidas no Brasil inteiro. Estimados não levem como crítica nossa opinião, pois o que queremos e almejamos é tão somente uma programação de qualidade e que o rádio ocupe o lugar de destaque na mídia falada. Não matem o rádio, visto que estarão exterminando a nossa cultura. Pense nisso!

 

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