O ouvinte quer respeito

Três palavras que denigrem a imagem de qualquer cidadão são ouvidas constantemente por apreciadores do rádio, tais palavras são usadas por alguns radialistas antiéticos ao explicarem seus pontos de vistas. Fazem contrapontos com a opinião do ouvinte.

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Para eles suas palavras, seus pensamentos, suas conotações, seus pontos de vista são únicos e quem participa da programação radiofônica desses “profissionais”  que prepare seus tímpanos para ouvir impropérios, de radialistas orgulhosos, debochados, e prepotentes. Um homem de comunicação culto em primeiro lugar deve ser educado, porque respeitar a opinião do ouvinte não é favor e sim obrigação.

O profissional correto evita lançar lantejoulas e bajular pessoas de condições culturais mais elevadas, pois a programação radiofônica foi construída para atingir todas as classes sociais. Portanto, a discriminação jamais pode ser o ponto forte nas lides radialísticas.

O profissional consciencioso jamais dirá que o seu programa é o melhor, pois os que julgam são os ouvintes em forma de audiência. Achar-se o melhor é erro gritante, pois o orgulho sobrepujará a ética profissional.

O Rádio é um instrumento onde o profissional é um repassador de notícias, de informação e de cultura, mas nunca de deboches contra ouvintes. Palavras depreciativas como imbecil, ignorante e idiota, jamais deverão ser direcionadas a qualquer pessoa, seja ela culta ou não.

Ao pronunciar tais palavras o radialista entra na lista dos ignorantes, mesmo que seja letrado e culto.

A adjetivação da palavra imbecil refere-se ao ser fraco de espírito, néscio ou tolo. Na psicologia coloca-se entre as pessoas que tem nível mental entre um quarto e metade do nível normal do grupo de idade cronológica a que pertence. Ignorante é aquele que ignora, talvez por não saber ou desconhecer o assunto, pessoa que não tem instrução, é um ser inculto. A palavra idiota talvez a mais grave de todas refere-se a um falto de inteligência, a um estúpido ou pateta. Na medicina eles são classificados como portadores de idiotia. Termos pejorativos que podem levar o pronunciador à condição de discriminador, mal educado e sem compostura radiofônica. Um locutor nunca poderá esquecer que o rádio é para ser ouvido e por isso, cada palavra tem de funcionar com a significação precisa. Pressupõe que a mensagem radiofônica tem de ser envolvente e estruturada.

A estética de apresentação alia-se a razão, mas muitas vezes essa razão passa por debaixo da mesa, é esquecida. O papel primordial do locutor é convencer de forma ética e educada, não para seduzir o ouvinte, mas convencê-lo, através do carisma a ouvir e apreciar um belo programa e uma apreciável programação radiofônica.

Os títulos sejam eles profissionais universitários ou nobiliárquicos, devem ser eliminados sempre que representam uma forma de cortesia, excetuando-se quando constituem elementos úteis para compreensão da notícia. (Lagardette, 1998). O uso de linguagem figurada – metáforas, alegorias, eufemismos, etc. – deve ser dispensado já que a notícia de rádio se dirige a toda à população inclusive aos analfabetos.

Muito embora o uso da linguagem figurada constitua um poderoso fator estilístico, o seu emprego pode comprometer seriamente a informação, contrariando o objetivo jornalístico e gerando confusão ao ouvinte. Em suma, jornalismo não é literatura e se alguma modalidade jornalística se pode prestar a concessões literárias, não é o caso da notícia. O texto deve ser sempre lido antes de ir para o “ar” e, se necessário, reformulado. Uma peça extensa torna-se cansativa, neste caso, o locutor deve cortá-la com uma intervenção justificada e que introduza um avanço na peça (Ganz, s.d.).

No rádio não existem relações mais interligadas do que locutor e ouvinte. É fácil de entender as músicas que se tocam, as notícias que se dão, os eventos, promoções e shows que se divulgam e até mesmo os comerciais ou apoios culturais que se veiculam são direcionados aos ouvintes. Uma rádio não sobrevive sem audiência.

Existe a necessidade do locutor, independente da segmentação ou direcionamento do publico alvo a que ele se propõe conquistar, ser cativante e carismático no ar.

Em uma emissora voltada ao radiojornalismo, pôr exemplo, desperta a preferência do ouvinte com opiniões bem elaboradas, idéias inteligentes e bem construídas junto a comentários bem formulados. Já nos programas de entretenimento tanto no AM como no FM existe a necessidade de você ser intensamente agradável no ar, pois são milhares de ouvintes a ligar o rádio para se divertir e se informar. (thiagocaribe.com.br/locucao.htm).

O bom radialista tem o dever e a obrigação de cativar o ouvinte. Grande parcela da massa de ouvintes do rádio é formada por pessoas simples, de população de baixa renda, que ligam muitas vezes o rádio em busca de lazer, divertimento e a identificação com um amigo. É este público que consagra e mistifica seus comunicadores gerando-lhes audiência certa todos os dias. Outra parcela do público também busca no rádio a informação, a notícia, a utilidade pública e a prestação de serviços.

O rádio também é muito presente junto ao público adolescente e jovem. As emissoras e seus locutores buscam cativar seu público com promoções, eventos, shows e muitos programas com muito humor. É a receita infalível na hora de cativar o público jovem. O profissional da comunicação jamais deverá inserir em sua programação pornofonias e pornografias, pois tira o brilho da programação e mostra com todos os detalhes a falta de formação ética do locutor. Dizer ou afirmar que o povão gosta é uma válvula de escape.

A palavra ética, muito usual nos dias atuais está se esvaindo e cedendo lugar a trasgos de baixarias, palavras de duplo sentido, procedimentos indignos, ou pérfidos, sórdidos e situações decorrentes de radialistas que esqueceram que o rádio foi programado para educar e não deseducar.

Por incrível que pareça a pornografia tornou-se banal no meio radiofônico de Fortaleza. O rádio deve ter uma linha de ação norteadora a todos os que têm compromisso com o microfone.

Não só o repórter, redator, mas, principalmente o locutor, deve mensurar o que vai expor aos seus ouvintes. O radialista, seja qual for o seu campo de atuação, tem o dever de cultivar a precisão, a clareza, a objetividade, a seriedade. O que menos se vê em alguns programas de rádio aqui em Fortaleza é a seriedade, e quando se reclama, eles afirmam que o povão gosta.

O jornalista Armando Figueiredo, diz que, o radialista tem que ter plena noção de que milhões de brasileiros, nas áreas urbanas e rurais, dependem da massa de informações que lhes proporciona o rádio e que tão profundamente influi na sua formação, para criar juízos próprios e, assim, assumir e manter cidadania.  Mais do que uma bela voz o locutor tem que exercer a cidadania com ética e educação e esquecer os palavrões e as histórias de mau gosto e a banalização da pornografia.

Fortaleza possui uma Associação de Ouvintes de Rádio (Aouvir), exercendo um papel preponderante na qualificação dos grandes programas e na escolha dos bons profissionais do rádio.

Aqueles radialistas que se destacam são premiados com um diploma em sessão solene, na casa de Juvenal Galeno. É uma instituição séria composta por pessoas de boa índole, não remuneradas, visto que trabalham com amor e dedicação, e com objetivo precípuo de obtermos um rádio de melhor qualidade.

O poder de agressão não faz o gênero do radialista. Num desses belos dias, a Associação foi surpreendida por um festival de impropérios desferido por um radialista que trabalha na maior rede de radiodifusão do Ceará. Intrigou-nos o motivo de tais agressões, pois nosso grupo não procura fazer caçada às bruxas nem tem o intuito de perseguição, pelo contrário, nosso objetivo primordial é fazer e colaborar para que tenhamos um rádio de qualidade com profissionais competentes e que se destaquem fora da terrinha.

Caríssimo leitor, torcemos por um rádio de qualidade e queremos ver o progresso dos nossos meios de comunicação, mas do jeito que está a tendência é o declínio moral do rádio cearense. Infelizmente a conclusão é que a comunicação radiofônica estacionou e os profissionais do passado faziam um rádio com mais amor e seriedade.

A venda de horários em estações de rádios vem interferindo negativamente na programação radiofônica. Pense nisso!

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