O Ovo da Serpente

O fantástico cineasta sueco, Ingmar Bergman, procurou analisar a gênese do nazismo no filme “O Ovo da Serpente” (Das Schlangenei, 1979).

Ali está a decadência econômica e a consequente degradação social: ingredientes básicos do desespero e matéria-prima com a qual líderes carismáticos de mente distorcida moldam e fomentam o ódio racial.

Vários historiadores apontam o Tratado de Versalhes como origem da II Grande Guerra: a Alemanha sofreu tantas sanções e restrições, que praticamente perdeu o controle de sua economia. A crise de 1929 agravou exponencialmente a situação.
Hitler foi origem ou consequência daquela conjuntura? Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?

O fato é que Hitler aproveitou-se da crise dos anos de 1930 para implantar seu modelo político totalitário e expansionista. Expandiu as fronteiras da Alemanha, com a desculpa da unificação germânica, para assegurar fontes de matéria-prima para a recuperação industrial de seu país.

Poderia ter sido um dos maiores estadistas da história, como alguns historiadores ponderam; mas ele trazia em si o “gene” da loucura.

Recuperou o orgulho nacional, sem dúvida, ao exaltar os grandes personagens germânicos e propalar o ideal da supremacia ariana. Tornou a propaganda uma arma poderosa! No entanto, perseguiu intensiva e cruelmente todos os que se opunham aos seus projetos. Transformou crianças em máquinas de odiar e lutar, com sua “Juventude Hitlerista”. Também não teve escrúpulos ao extrapolar seu ódio por pessoas para raças inteiras, tornando-se, assim, um dos maiores genocidas modernos. Conseguiu o poder supremo e tornou-se um símbolo inquestionável, superando sua inspiração inicial: Mussolini; igualando a “divindade” de outro de seus aliados: o imperador Hiroito; e selando uma paz oportuna com o seu maior rival: Stálin, outro grande genocida contemporâneo, só que de patrícios.

A anexação da Áustria foi o início; a invasão da Polônia, o estopim; a invasão dos Países Baixos, o princípio da derrocada da França, com Linha Maginot e tudo mais; o desfile das tropas nazista em Paris, seu apogeu; a Batalha da Inglaterra, o fim da “guerra relâmpago”; o massacre de judeus, ciganos e outras minorias, a principal marca de sua insanidade metódica; a abertura da frente russa, um erro napoleônico; a derrota no norte da África, um golpe na infalibilidade de seu maior líder militar: Rommel; e o desembarque aliado na Normandia, o princípio do fim.

Hitler e todos os seus aliados foram derrotados incondicionalmente!

O Eixo protagonizou grandes massacres e também foi vítima de outros: o bombardeio de Dresden, as bombas de Hiroshima e Nagasaki…

O saldo do maior confronto bélico de todos os tempos incluiu a destruição de cidades inteiras e milhões de mortes, de militares e civis inocentes.

Não foi muito diferente da I Grande Guerra. Porém, em meio a toda insanidade que caracteriza a guerra e seus protagonistas, teve uma virtude: desta vez vencedores tiveram o cuidado de não repetir os mesmos erros de Versalhes, principalmente ao tentarem evitar a incubação de novos “ovos de serpentes”!

Os ânimos foram apaziguados e Europa e Japão foram rapidamente reconstruídos, com o “auxílio” da sombra da Guerra Fria. Outro ponto positivo foi a decadência definitiva do colonialismo territorial.

O aspecto mais dúbio desse conflito, como de vários outros, foi que muitas das tecnologias desenvolvidas para exterminar serviram, mais tarde, ironicamente, para desenvolver curas.

Mas, que ninguém use isso como argumento para exaltar qualquer guerra!

Apesar disso, ainda existem muitos “ovos de serpente” sendo postos pelo mundo: o ódio, a ganância e o fanatismo os fecundam, incubam e deixam nascer, para que espalhem seu veneno.

Somente o diálogo e o respeito ao próximo são vacinas e antídotos capazes de neutralizar seus efeitos!

Porém, sua eficácia obviamente depende do grau de conscientização dos povos e da sanidade e interesses dos poderosos da vez.

Adilson Luiz Gonçalves | Membro da Academia Santista de Letras | Mestre em Educação | Escritor, Engenheiro, Professor Universitário e Compositor | Ouça textos do autor em: www.carosouvintes.org.br (Rádio Ativa / Comportamento) | Caso queira receber gratuitamente os livros digitais: Sobre Almas e Pilhas, Dest’Arte e Claras Visões, basta solicitar pelos e-mails: algbr@ig.com.br e prof_adilson_luiz@yahoo.com.br | Conheça as músicas do autor em: br.youtube.com/adilson59 |  (13) 97723538 | Santos – SP

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Por Adilson Luiz

Palestrante, compositor e escritor, autor de Sobre Almas e Pilhas (2005) e Dest’Arte (2009). Articulista e cronista, escreve em vários meios de comunicação no país. É Mestre em Educação, Engenheiro Civil, Professor Universitário e Conferente de Carga e Descarga no Porto de Santos/SP. Mantém o site algbr.hpg.com.br
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