O Paradão Nacional, de Celso Ferreira, na Gaúcha

Durante 15 anos, de 1968 a 1983, quando o rádio em amplitude modulada ainda toca muita música, os hits mais populares fazem a alegria dos ouvintes de Porto Alegre no Paradão Nacional, de Celso Ferreira, na Gaúcha.

Só o nome do programa dito pelo apresentador com um vozeirão de dar inveja já chama a atenção dos ouvintes. A atração, no entanto, são as diversas participações de comunicadores de todo o país. Para o programa, gravam por telefone radialistas de Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Rio de Janeiro e São Paulo, apontando a música mais executada nas suas cidades. Fora isto, a produção realiza uma pesquisa nas lojas de discos de Porto Alegre. Assim, é montada uma parada de sucessos com 15 a 18 canções apresentadas por Celso Ferreira, em um primeiro momento, nos domingos das 11h15 às 12h45.

– Eu queria fazer uma coisa diferente. Parada de sucesso todo mundo tinha. Nos sábados de manhã, eu era o plantão, como assistente do Ismael Fabião, na época, o gerente de programação. O programa era ao vivo, mas eu queria fazer uma coisa diferente, não o que todo mundo fazia. Pensei e comecei. Pedi umas ligações para a telefonista. Ela ligou para a Rádio Diário da Manhã, de Florianópolis: “Escuta, tu podes dar a informação das mais vendidas pra mim aqui, do programa Paradão Nacional?”. Liguei pra Rádio Nacional. Depois, parti pra Rádio Bandeirantes, a Itatiaia, em Belo Horizonte… Em Curitiba, Paraná, eu tinha um amigo, o Gilberto da Rádio Independência. Eu fazia o Paradão ao vivo, mas eram ligações gravadas no sábado.

Por sugestão do fundador da RBS, Maurício Sirotsky Sobrinho, o comunicador começa a usar músicas conhecidas para identificar os vários pontos do país abrangidos pelo Paradão Nacional. A voz característica de Celso Ferreira anuncia:

– E, agora, no Paradão Nacional, Rio de Janeiro…

Entra a conhecida Cidade Maravilhosa e, na seqüência, o comunicador da vez, de uma rádio carioca, anunciando a música que roda complementando a fala. Com este esquema repetindo-se ao longo do Paradão, é como se cada ouvinte viajasse pelas capitais do país. Coisa que só o rádio e seu impacto de falas, sons e canções podem proporcionar. Hoje ou em uma manhã de domingo de duas ou três décadas atrás.

4 respostas
  1. Fátima says:

    Verdadeira informação sobre a cultura musical do país, até a chegada dos jabás…

  2. Silvio Loddi says:

    Grande Celso Ferreira. Meu amigo e irmão.
    Através dele pude entrar para a equipe maravilhosa
    da Rádio Gaúcha de Porto Alegre, no final dos anos 70.
    A voz do Celsão continua a mesma, comunicando aqui bem pertinho.
    Nas manhãs noticiosas da Rádio CBN de Blumenau.
    Abraços ao Celso e ao Ferraretto pela ótima lembrança.
    Silvio Loddi

  3. Lucio Haeser says:

    Lembro bem disso.

    Mas eu acompanhava mesmo era a Parada dos Campeões da Rádio Difusora (640 khz). Era sagrado. Foi de 1971 em diante. Tinha durante a semana, acho que das 18h às 18h30. No domingo, a partir das 13h, desfilavam as 30 mais vendidas da semana. Era apresentado pelo Ismael Fabian e em outras épocas pelo Flávio Martins. Vou confessar: o detalhe é que eu anotava em um bloquinho todas as colocações. E em dezembro eu elaborava o ranking anual. Tem algumas músicas que eu só ouvi tocar no rádio na Parada dos Campeões da Difusora. Nunca mais ouvi determinadas músicas.

    Pena que, um belo dia, minha mãe fez uma limpa no meu quarto e lá se foram as anotações…

  4. Cláudio Monteiro says:

    Meu irmão,meu amigo,meu diretor e grande incentivador Celso Ferreira.Maravilhoso programa aos domingos na rádio Gaúcha(que em suas férias)tive o prazer de apresentar.
    Silvio Loddi,companheiro de rádio Gaúcha,grande profissional,grande caráter.Que prazer ver meus dois bons amigos aqui na coluna do Ferraretto.Abraço forte.

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