O perigo dorme ao lado

Todos os dias mulheres do mundo inteiro correm perigo. Em virtude do que foi mencionado pela Convenção de Belém do Pará, “violência contra a mulher é qualquer conduta que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto no âmbito público como no privado.”


Esta crônica faz parte da série “Crônicas Estudantis. A série é uma produção de nosso colaborador Deivison Hoinascki Pereira em parceria com seus alunos do segundo e terceiro ano do ensino médio da EEB Professora Eloisa Maria Prazeres de Faria. Biguaçu – SC


A violência atinge mulheres e homens de formas distintas. Grande parte das violências cometidas contra as mulheres é praticada no âmbito privado, enquanto que as que atingem homens ocorrem, em sua maioria, nas ruas. Um dos principais tipos de violência empregados contra a mulher ocorre dentro do lar, sendo esta praticada por pessoas próximas à sua convivência, como maridos/esposas ou companheiros(as), sendo também praticada de diversas maneiras, desde agressões físicas até psicológicas e verbais. Onde deveria existir uma relação de afeto e respeito, existe uma relação de violência, que muitas vezes é invisibilizada por estar atrelada a papéis que são culturalmente atribuídos para homens e mulheres. Tal situação torna difícil a denúncia e o relato, pois tona a mulher agredida ainda mais vulnerável à violência. 

Manoela Rios, Deise Cristina Fidelis e Miriã de Oliveira

Pesquisa revela que, segundo dados de 2006 a 2010 da Organização Mundial de Saúde, o Brasil está entre os 10 países com maior número de homicídios femininos, o mais conhecido feminicídio. Esse dado é ainda mais alarmante quando se verifica que, em mais 90% dos casos, o homicídio contra as mulheres é cometido por homens com quem a vítima possuía relação afetiva, com frequência na própria residência das mulheres.

Um dos instrumentos mais importantes para o enfrentamento da violência doméstica e familiar contra as mulheres é a Lei Maria da Penha – Lei nº 11.340/2006. Esta lei, além de definir e tipificar as formas de violência contra as mulheres (físicas, psicológica, sexual, patrimonial e moral), também prevê a criação de serviços especializados, como os que integram a Rede de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, compostos por instituições de segurança pública, justiça, saúde, e da assistência social. A Lei Maria da Penha também teve uma importante vitória em fevereiro de 2012, em decisão do STF, quando foi estabelecido que qualquer pessoa poderia registrar formalmente uma denúncia de violência contra a mulher, e não apenas quem está sob a violência.

Não é apenas no âmbito doméstico que as mulheres são expostas à situação de violência. Esta pode atingi-las em diferentes espaços, como a violência institucional, que se dá quando um servidor do Estado a pratica, podendo ser caracterizada desde a omissão no atendimento até casos que envolvem maus tratos e preconceitos. Esse tipo de violência também pode revelar outras práticas que atentam contra os direitos das mulheres, como a discriminação racial. O assédio também é uma violência que pode ocorrer no ambiente de trabalho, em que a mulher se sente muitas vezes intimidada, devido a este tipo de prática ser exercida principalmente por pessoas que ocupam posições hierárquicas superiores as mesmas.

O tráfico e a exploração sexual de mulheres, meninas e jovens também é uma prática relevante no que diz respeito às violências de gênero. O tráfico de mulheres, que tenha como finalidade a exploração sexual, o trabalho ou serviços forçados, a escravatura, a servidão, a remoção de órgãos ou o casamento servil, envolve uma ampla rede de atores e ocorre tanto localmente quanto globalmente, e consiste em violação dos direitos humanos das mulheres. O enfrentamento às múltiplas formas de violência contra as mulheres é uma importante demanda no que diz respeito a condições mais dignas e justas para as mulheres. 

A mulher deve possuir o direito de não sofrer agressões no espaço público e privado. Toda mulher tem direito de ser respeitada em suas especificidades e a ter garantia de acesso aos serviços da rede de enfrentamento, quando passar por situação em que sofreu algum tipo de agressão, seja ela física, moral, psicológica ou verbal. É dever do Estado e uma demanda da sociedade enfrentar todas as formas de violência contra as mulheres. Coibir, punir e erradicar todas as formas de violência devem ser preceitos fundamentais de um país que preze por uma sociedade justa e igualitária entre mulheres e homens.

Devemos cuidar melhor das mulheres da nossa sociedade, pois mais de 50% da população mundial é composta por elas. Elas nos dão a vida, cuidam do lar, trabalham fora e ainda devem sofrer violência? Não deixe que a frase “Em briga de marido e mulher não se mete a colher” faça com que uma mulher perca sua vida.

Se presenciar um cenário de violência física, psicológica ou sexual, DENUNCIE no 180. 

“Pior que o agressor, apenas o que é ciente e permanece calado.”

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