O preço por ter filhos

“Ter filhos não têm preço”. Se a frase aí à esquerda parece óbvia demais não se espante, é minha mesmo. Meus pensamentos vão longe, mas sempre voltam pra cá; cabeça e coração. Opa, parece que essa última ficou um pouco melhor; e veio não sei como.

Escrever é algo “muito louco”, ora falamos dos outros e por vezes nos entregamos. Todas as formas são boas, mas falar sobre filhos é bom demais; e às vezes pode doer muito.

Pode doer aos queridos leitores que sentiram na pele a provável maior dor do universo, a de perder um filho. Não poderia deixar esses pais de fora da crônica. Que Deus acalente seus corações.

Tenho por hábito dizer a qualquer pai ou mãe com filho ou filha pequenos que aproveitem; passa num piscar de olhos. E quase nem é uma metáfora, passa rápido demais. O que fica então? Ficam as lembranças. Já ouvi amigos dizerem com dor no coração que – não viram seus filhos crescerem, que trabalhavam tanto que nem tiveram tempo de acompanhar o desenvolvimento dos filhos. Entenda-se: As primeiras palavras, os primeiros passos, as gargalhadas, o primeiro dia na escola onde o filho chora com os olhos e nós com o coração. Muitos desses se sentem culpados, mas não o são, apenas fizeram o seu melhor para aqueles tempos. Ah, sem esquecer as vacinas e injeções, as quais deveriam doer em nós e não neles. Acima de tudo o preço por ter filhos é recompensado de incontáveis maneiras. O livro dos livros, as Escrituras Sagradas dizem que: “Os filhos são uma herança de Deus”. Salmos 127:3

Há outro grande presente em ser pai ou mãe e vim até aqui com esse propósito em mente. Muitos de nós, adultos envolvidos em coisa de gente grande que um dia queríamos ser e hoje sentimos e comentamos a saudosa infância. Quem de nós teve os brinquedos que nossos filhos têm ou tiveram? Meus pais deram mais do que eu precisava, mas como criança sempre sonhei em ter um – Ferrorama. Aquele trem que circula por seus trilhos e apita. Já estou chegando aos 46 e um dia ainda terei um. Aí é que está uma das incontáveis maravilhas de ter filhos. Com eles voltamos a brincar sem ter vergonha de nada. Ninguém nos apontará dizendo: “Que louco ou que louca”, por estarmos “mergulhados no maravilhoso mundo do faz de contas”. Os filhos (ou netos) nos dão esse aval; podemos brincar como crianças sem nenhum problema, pelo contrário, faz bem para os pais e para os filhos.

Com os filhos podemos brincar de balanço, gangorra, de pegar, de esconde-esconde, de carrinho, de bonecas, enfim, de tudo. Quem olhar vai dizer ou pensar: “Essa mãe ou esse pai brinca com o filho de verdade, entra na brincadeira, é dedicado”. Então é isso, os filhos, quando bebês ou crianças nos permitem voltar à nossa infância com total tranquilidade. Primeiro, por amor aos filhos, depois para agradá-los e por fim e não menos importante – libertar a eterna criança que existe dentro de nós. Já disse várias vezes que adultos deveriam voltar às brincadeiras de criança. Quando meu caçula tinha uns 4 anos dei a ele (ou para mim) um daqueles trator que também havia sonhado quando criança; daqueles que passavam arrumando nossas ruas ainda de barro. Em certa ocasião numa praia minha esposa estava rindo porque um grande amigo que tem quase a minha idade e eu brincamos sem parar com o trator, e meu filho nem aí.
Ano passado meu filho caçula, na ocasião com 17 anos, convidou vários amigos, entre 12 e 18 anos para um final de semana na casa dos meus pais. Quando anoiteceu, eu, meu filho e mais uns 4 amigos fomos brincar de esconde-esconde (se errei o nome me digam). Apagamos as luzes e foi uma festa só. Por mais de uma hora nos escondemos, nos encontramos, rimos; outro ia contar até não sei quanto e tudo recomeçava. Que maravilha. Brincar com um filho adolescente e seus amigos nessa idade é uma herança bem aproveitada.

Meus filhos cresceram, ela 27 e ele quase 19. Creio que nunca dei o conforto material que gostaria de ter dado e que eles mereciam, mas dei a eles a minha presença, talvez por vezes chata e inoportuna, coisas de pai; mas curti, aproveitei e ganhei de presente algo que a alta tecnologia ainda não dá: Imagens e sons, por meio de sorrisos e gargalhadas, palavras e ações que estão gravadas num lugar que a alta tecnologia ainda não consegue representar, mas está bem aqui, na mente, nas lembranças, no coração.

Creio que não criamos filhos simplesmente para o mundo, mas para a vida, para a sociedade, para valores, em especial aos valores espirituais, os quais os farão seres humanos de verdade. Filhos que são uma herança hoje, no futuro e quando fecharmos os nossos olhos por mais tempo que o normal.

Esse é o preço de ter filhos e viver intensamente com eles. Que tal curtir ao máximo essa herança?

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