O programa Manuel da Nóbrega

Década de 50. Era na Rádio Nacional de São Paulo, antes da Organização Victor Costa, depois e hoje, Rádio Globo. Começava meio-dia e quinze, logo depois da “Conversa do meio-dia”, a crônica lida pelo Walter Forster.
Por João Chamadoira

Terminava às duas horas. Aí a vez da crônica da radialista Sarita Campos: “Boa tarde, minha querida amiga das duas horas.” Era um dos programas mais ouvidos.
Criado por  Manuel da Nóbrega, o pai do Carlos Alberto da Nóbrega, apresentado ao vivo pelo famoso Sílvio Santos, ouvíamos humor e música tocados ali no auditório da Rádio Nacional, na rua das Palmeiras.
As músicas eram cantadas pelas cantoras Vilma Bentivegna (Hino ao amor), pelas irmãs Norma e Bárbara Ardanuy, pela Alda Perdigão (Ali no meu cafundó tem meganha) e pela, claro, Hebe Camargo. Entre os homens o Sollon Sales (o Seresteiro da Paulicéia), o Roberto Luna, o Cauby Peixoto e outros. E acompanhados pelo Rago e seu conjunto. Tudo ao vivo.
Os ouvintes do programa -como eu – imaginam que os quadros humorísticos eram apresentados com cenários, ali no palco do auditório. Um dia, a decepção. Apareceram numa foto os humoristas de pé, lendo textos. Aquilo que para nós, ouvintes, imaginosos,  seria uma cena de uma sala de aula, uma espécie de Escolinha do Prof. Raimundo, eram quatro homens e duas mulheres lendo de pé os textos. Perdeu a graça. Como é que não era uma cena de teatro com cenário e tudo?
Milagre da sonoridade do Rádio.
E o Sílvio Santos, então chamado de Peru pelo saudoso Ronald Golias e o maravilhoso humor do  Simplício, entre outros, ajudava a criar a idéia e belíssima fantasia de que estávamos numa cena de autêntico teatro. Mas feliz ou infelizmente, apenas uma peça pregada pelo então milagre do rádio.
Terminava o programa. E eu saía então, para o colégio correndo. Senão chegava atrasado. A saudade é muita. O tempo e espaço são curtos… Até próxima.

5 respostas
  1. Alberto Barros says:

    Meu Deus eu “viajei” no tempo agora com este artigo.
    Me lembro quando eu saia do “Grupo Escolar Arthur Guimaraes”, onde estudava de manha e ia correndo para assistir o Programa Manoel de Nobrega na Radio Nacional, Rua das Palmeiras, SP e concordo em genero, numero e grau com este artigo. Duas coisas a acrescentar:
    As presencas do Betinho e seu Conjunto de ritmos e a do “sizudo” mas fantastico Helio de Alencar (juntamente com o Silvio Santos ele era a “vitima” do Ronald Golias).
    Agora eu aos 66 anos agradesco a Deus de ter vivido em uma epoca tao saudavel e saudosa.
    Por favor continuem a acrescentar algo mais voce que tambem faz parte desta historia,
    assim como nos.

  2. David Gaspar says:

    O autor do artigo protagonizou momentos que eu vivi.
    Recordo-me que no programa havia 6 quadros humorísticos, mas eu, como estudava à tarde, só podia ouvir os 3 primeiros. Às vezes, conseguia ouvir até o 4º quadro, mas aí tinha que ir correndo pra escola. E havia comentários entre os alunos. (rss..). Realmente, que saudades.

  3. césar guilherme rolfini says:

    Muito bom esse artigo, ainda havia a Ilda Gutierrez com sua castanhola, não esqueço a cena quando Manoel da Nobrega segurava o Rabecão como se fosse um violão. Salomé Parisi também era outra cantora participante, depois do programa ainda ia na Clipper ali no largo Santa Cecilia, tomar sorvete Kibom e assistir Fuzarca e Torresmo, era louco por aquele carrinho com motor que êles entravam no palco.
    Bons tempos
    Valeu.

  4. Aristides D. Deamo says:

    Esses depoimentos me deixaram com o coração batendo mais forte. Eu me lembro, eu tinha 12,13 anos de idade, estava aprendendo o ofício de alfaiate e ouvia rádio o dia inteiro, mas, o meu programa favorito era sem dúvida o programa Manuel da Nóbrega. Eu me divertia muito com os comediantes em seus quadros e também com os cantores da época. Eu imaginava os quadros em um cenário próprio para o momento. Isso me fascinava. Alguns anos mais tarde resolví assistir ao vivo o programa, e aí,aquilo como eu imaginava foi por água abaixo. Era muito melhor ouvir do que ver. Era muito bom.

  5. paulo duarte says:

    Eu era molecote e ouvia em casa. Minhas tias Cida e Cecília também acompanhavam.. Lembro-me do bordão:” Eu sou Águia Negra ,….e eu sou o Caçador” (imagino que era a voz do Golias ). Os anos 50 tinham um sabor especial…. oh saudades….

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