O progresso que matou o Miramar

A matéria publicada por Carlos Damião em sua página no Notícias do Dia de Florianópolis, edição deste final de semana, 24/25/10, mexe com o pulsar do coração de otimistas como ele, você e eu que ainda nos importamos com “as coisas do passado”.

Quatro símbolos de Florianópolis na mesma imagem: Miramar, ponte, Mercado Público e Hotel La Porta

Quatro símbolos de Florianópolis na mesma imagem: Miramar, ponte, Mercado Público e Hotel La Porta

Mas, pode ser um chamado à consciência “dos que nem estão aí”, para o que rola a sua volta, esquecidos de que também eles, nos seus 20, 40 ou 60 anos são produtos das “antigas”.

–  De que fala Damião? Poderá você perguntar, pensando no lugar comum que tomou conta da mídia – jornais, emissoras de rádio e televisão, sem contar o xodó, que são as redes sociais – que, em fase de delírio coletivo, quase em transe orgástico, ocupam os espaços de seus meios de comunicação. E os ocupam com o repetitivo e desgastado modelo de atirar pedras aos outros, jogando-as para o ar e correndo depois para que não as caiam sobre seus miolos deteriorados pela podridão das falcatruas, das infâmias, dos roubos, dos estupros e das maldades que sempre houveram. E que sempre haverão enquanto o egoísmo, o imediatismo e a ganância forem os objetivos de suas mentes enlouquecidas pela falta de princípios éticos e morais.

Fala Damião, do crime cometido pelos que determinaram a destruição do trapiche Miramar e do soterramento da Ilha do Carvão. Comenta Damião, correspondência de Alzemi Machado, leitor de sua coluna lembrando a brava luta de Adolfo Zigelli que clamava por piedade enquanto os crimes eram urdidos nas sombras úmidas do desvãos dos casarões ocupados pelos “donos” do poder ditatorial.

Publica Damião, o texto de matéria de Adolfo Zigelli lida no programa Vanguarda da Rádio Diário da Manhã, em 1974. Reproduz Damião, texto de entrevista que fez com o ex-governador Colombo Machado Salles em 2005.

Conclui Damião, afirmando: “O fato é que a derrubada do Miramar significou uma alteração significativa no cenário urbano, brutalmente agredido pela implantação de aterro, que afastou o mar do Centro e adulterou a nossa identidade histórica, nossa vida marítima tão próxima da vida cotidiana durante séculos. Fosse hoje, e não nos tempos em que a ditadura militar impunha o que quisesse à administração pública, é muito provável que a segunda ponte não fosse construída ali, muito menos o aterro. E quem sabe o Miramar ganhasse uma revitalização completa, transformando-se num museu, restaurante, café ou centro cultural?”

A matéria do Damião reproduz em fotos três momentos do Velho e querido Miramar, como cantou Zininho: mostrando à esquerda a frente do Miramar, o Mercado Público e ponte Hercílio Luz (ao fundo) e o Hotel Laporta, à direita; depois o Miramar no traço inconfundível do mestre Domingos Fossari, bico de pena da década de 1970 e, finalmente, o escárnio do “Tributo ao Miramar, no exato local em que ficava o trapiche: prova de que sua demolição não era necessária”.

E, finalmente, para terminar este registro em apoio e incentivo ao trabalho desenvolvido pelo jornalista Carlos Damião, reforço o que ele comenta: “É curioso, na entrevista de Colombo Salles, a justificativa da má frequência no Miramar para derrubada do belo e estiloso trapiche. Fosse hoje, com certeza o governo e a prefeitura teriam que demolir os prédios do Ipase (Praça Pereira Oliveira), das Diretorias (Rua Deodoro), da Alfândega e muitos outros… Simplesmente para acabar com a frequência de moradores de rua e consumidores de crack”.

No podcast, Adolfo Zigelli lê o destaque do programa Vanguarda! transmitido pela Rádio Diário da Manhã, em 1974.

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