O que se fala ou como se fala?

Tem se dito faz tempo que não é tão impactante o que dizemos quando comparado a como dizemos. Ou seja, o como dizemos marca mais do que o que dizemos.

Ouvi do meu amigo Carlos uma história interessante. Se ele mandou o vídeo talvez eu não tenha visto. Não duvido da palavra do meu amigo, mas como jornalista, colunista, preciso investigar o que pretendo publicar. O fato é que a história é muito interessante; creio ser verídica, talvez os amigos leitores já a conheçam, mas mesmo que não fosse é uma grande lição. Mas o Carlos crê, e eu creio no Carlinho, como o chamo.

Vamos viajar perto geograficamente falando, mas longe, metaforicamente dizendo. Quero dizer que agora começo a história que o meu amigo contou.

Conta-se que um professor, talvez na casa dos 30 ou 40 anos, idade de gente ainda jovem, foi visitar um dos seus professores, este, um jovem de 70 ou 80 anos. Pode ter envelhecido no corpo, mas na mente pode não se envelhecer nunca. Basta não querer se entregar e pronto. Me perguntem daqui uns anos. Enfim, o ex aluno, agora professor, procurou o sempre professor, aposentado apenas pelo sistema. O professor disse ao senhor que provavelmente não se lembraria dele, mas que se contasse certa história talvez o experiente professor lembrasse. Ele contou. O senhor lembra que há uns 30 anos em uma de suas aulas um dos seus alunos reclamou o roubo de um relógio? O senhor abriu as portas e gavetas da mente, imagino eu. E ele tinha mesmo uma breve lembrança. Então o aluno disse ao seu ex e sempre professor o porquê aquela situação e aquele dia o fez mudar de pensamento e escolher a profissão de professor. O professor que fora procurar pelo veterano professor havia sido descoberto como o aluno que roubou o relógio. Por que então isso mexeu tanto com seus pensamentos? Por que não ficou revoltado ou humilhado? Calma, só uma voltinha e já retomamos.

Li na Revista A Sentinela, faz uns 3 anos, que normalmente quando recebemos um conselho temos geralmente uma dessas 4 tendências. Primeira: Ele não sabe o que realmente aconteceu. Segunda: Está exagerando os fatos. Terceira: Quem ele pensa que é para me aconselhar? Quarta: Até concordo com o conselho, mas não gostei nada do modo como ele falou. Ou seja, como já disse em outra crônica, quando se trata de nos defender ou a um dos nossos somos nossos melhores advogados. Em contrapartida, quando acusamos outros, somos implacáveis promotores públicos. Voltando aos professores.

O mais jovem em idade disse ao veterano professor. Quando o senhor foi informado de que um relógio de um aluno havia sido roubado fiquei assustado. Pior ainda, quando o senhor disse que iria revistar cada pasta ou mochila. Aí entrou a diferença no tema de hoje – como falamos, entenda-se também – como agimos. O professor na ocasião, antes de fazer a revista, disse para todos os alunos baixarem a cabeça e com os olhos bem fechados, então fez a revista e encontrou o relógio. O aluno que havia roubado o relógio não foi exposto. O professor em sala de aula na ocasião soube como “dizer, falar, agir”, e aquela forma fez toda a diferença na vida do aluno, hoje professor.

Não há muito a acrescentar. Que a brilhante mente dos leitores faça uma “viagem” pelos assuntos sobre os quais somos aconselhados, sem ficar na defensiva, antes, ouvir. Que tal pensar mais antes de falar? O gesto daquele professor falou mais do que um milhão de palavras. Alguém duvida?

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