O Rádio brasileiro de hoje é predominantemente masculino

Enquanto as mulheres vão assumindo cada vez mais espaços em todas as atividades profissionais, na mídia, ao contrário do que acontece na Televisão, o Rádio permanece um reduto quase que exclusivo dos homens. Será que isso tem a ver com o conteúdo atual do rádio moderno?
 Por Chico Socorro

Iniciamos nosso artigo de hoje relembrando que neste ano de 2006 se comemora o Centenário da invenção do Rádio. Em 1906, nos Estados Unidos, aconteceu a primeira transmissão radiofônica. No Brasil a primeira transmissão ocorreu em 1922 – ano do 1º. Centenário da Proclamação da Independência do País.


Lygia é a primeira locutora a atuar profissionalmente no rádio de Florianópolis onde
permaneceu como locutora de radioatriz até medos de 1970. Itajaiense de nascimento,
reside em Florianópolis.

No período áureo do rádio, anos 1940 e grande parte dos anos 1950, pode-se dizer que o rádio era feito meio a meio por homens e mulheres. Em primeiro lugar, creio que isso se devia a forte presença da música popular como conteúdo essencial do rádio. Ao lado dos Reis do Rádio como Chico Alves e Orlando Silva, por exemplo, tínhamos as rainhas Emilinha Borba, Marlene e Ângela Maria. E uma verdadeira constelação de estrelas de primeira grandeza. Afora isso, o elenco das radionovelas, como se sabe, era constituído de forma mais ou menos equilibrada por atrizes e atores. Era esse o binômio básico do rádio daqueles tempos em que a mulher estava fortemente representada na principal mídia do País.


Carmélia Alves, Carminha Mascarenhas, Ellen de Lima e Violeta Cavalcante.

Atualmente, como o rádio moderno gira basicamente em torno de notícias, análises políticas e econômicas, música gravada e esportes, observa-se uma predominância notável dos profissionais do sexo masculino. Curiosamente, isso ocorre ao mesmo tempo em que a presença da mulher na vida social, política e econômica do país cresce de forma visível.

Alguns exemplos: pesquisas recentes mostram que o número de mulheres nas universidades já é superior ao número de estudantes do sexo masculino. Na Televisão, por exemplo, as mulheres estão presentes há tempos nas bancadas dos mais importantes telejornais, com destaque para a musa da Copa Fátima Bernardes que, a estas alturas, já está na Alemanha para fazer a cobertura da nossa seleção.
Nas telenovelas, elas, com certeza, tem a mesma força dos homens, tanto em relação ao número de mulheres que fazem parte dos elencos como na importância dos papéis desempenhados. Só na novela Belíssima, exibida no momento, atuam: Fernanda Montenegro, Glória Pires, Cláudia Raia, Cláudia Abreu e a impagável Irene Ravache.  E quem assiste à novela sabe que as mulheres “roubam a cena”.


A estréia artística de Dolores Duran foi aos dez anos de idade no programa Calouros em Desfile, comandado por Ary Barroso na Rádio Tupi, em que obteve o primeiro lugar.


Elis Regina começou cantando profissionalmente na Rádio Farroupilha de Porto Alegre no início dos anos 1960. Em 1961, com o primeiro LP gravado se apresentou em Florianópolis, cantando no Lira Tênis Clube. Este registro é feito em homenagem a todas as cantoras que estiverm em Florianópolis na época de Ouro do Rádio.

Nossa Suprema Corte de Justiça é presidida hoje pela primeira vez por uma mulher (Ministra Ellen Gracie) e comenta-se que o Presidente Lula se prepara para escolher uma outra mulher como Juíza do Supremo.
Como uma evidência da tese de que o rádio atual constitui ainda um dos últimos “bastiões” do poder masculino, selecionamos uma rádio da maior importância nacional e regional onde esse fenômeno é simplesmente indiscutível: a CBN. Basta ver a relação de comentaristas fixos da emissora:
1. Armando Nogueira
2. Arnaldo Jabor
3. Carlos A. Sardenberg
4. Celso Itiberê
5. Carlos Heitor Cony
6. Xexéo
7. Gilberto Dimenstein
8. Juca Kfouri
9. Lúcia Hippólito
10. Mauro Halfeld
11. Max Gehringer
12. Merval Pereira
13. Miriam Leitão
14. Renato Machado
Nada contra a qualidade dos comentaristas, todos eles nomes consagrados em suas especialidades. Mas, dos 14 profissionais, apenas 2 são mulheres.
Hoje, queremos fazer uma Homenagem às cantoras que enriqueceram a história do Rádio brasileiro – nacional e catarinense.  Mulheres que deixaram saudade para as pessoas hoje denominadas eufemisticamente de Melhor Idade.  São elas:
Aracy de Almeida, Linda Batista, Dalva de Oliveira, Dircinha Batista, Elizeth Cardoso, Ângela Maria, Isaurinha Garcia, Emilinha Borba, Dolores Duran Marlene, Nora Ney, Doris Monteiro, Carmen Miranda, Ellen de Lima, Aurora Miranda, Violeta Cavalcante, Ademilde Fonseca, Rosita Gonzalvez, Zezé Gonzaga e Carmélia Alves.
Mulheres que fizeram história no Rádio Catarinense, particularmente em Florianópolis:
Cantoras:
Neide Maria (cantora, locutora, radioatriz e compositora), Helena Martins, Nazira Mansur, Oni Furtado cantora, Edi Santa, Irmãs Cordeiro e Osmarina Monguilhot.
Locutoras e radioatrizes:
As irmãs Cora, Lilica e Nívea Nunes; Lygia Santos, Maria Alice Barreto, Alda Jacintho, Cacilda Nocetti, Janine Lúcia, Iracema de Andrade, Lourdes Silva, Claudete Regina, Isis Pacheco, Lenita Cauduro, Teresa Rosa, Maria Dirney, Nanci Domaria, Santa Mello e Yeda Maria.


No início da década de 1950 destacavam-se na Rádio Guarujá alguns dos nomes que marcaram o radioteatro da Capital: Feliz Kleis, Nazareno Coelho, Edgard Bonassis da Silva, Janine Lúcia, Lygia Santos, Aldo Silva, Cacilda Nocetti e Alda Jacintho.

Concluímos o nosso artigo de hoje com um antigo provérbio chinês:
“As Mulheres sustentam metade do Céu”.
Informações relacionadas:

:: http://www.cliquemusic.com.br/br/Resgate/Resgate.asp?Nu_Materia=3166
:: http://radio.terra.com.br/includes/internas_albuns/3/3109.php?id_art=3795
:: http://www.radiobras.gov.br/nacionalrj/moacir.html
http://www.carosouvintes.com/index.php
:: Dramas do rádio – a radionovela em Florianópolis nas décadas de 50 e 60. Ricardo Medeiros. Editora Insular, 1998.
:: História do rádio em Santa Catarina. Ricardo Medeiros e Lúcia Helena Vieira. Editora Insular, 1999.
:: Caros Ouvintes – Os 60 anos do rádio em Florianópolis. Ricardo Medeiros e Antunes Severo. Editora Insular, 2005.


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