O RÁDIO COMO PROGRAMA

A nossa relação positiva com o rádio somente pode ser de duas espécies: 1a – o rádio como instrumento elétrico/eletrônico que nos permite acessar programas das emissoras; 2a – o rádio, ele próprio, como programa que nos leva aos programas das emissoras. Pessoalmente sempre tive e tenho com o rádio a relação da segunda espécie, ou seja, para mim o rádio, ele próprio, é um programa.
Por Cesar Pasold

No passado, na fase de transição entre a minha infância e a minha juventude (dos nove aos 13 anos), quando ainda vivenciava a felicidade da convivência com o meu Pai Ralf e minha Mãe Erna vivos, tínhamos, ali em nossa casa na Rua Duarte Schutel 45-A, em Florianópolis, um principal programa cotidiano, de segunda a segunda feira.
O nosso grande Programa comum diário era o rádio: sempre, das 6h00 às 7h15, depois entre 12h00 e 13h30, e, finalmente a partir das 18 horas… Muitas vezes até às 22 horas, ligávamos o nosso Philco. Sentávamos os três em torno do rádio: ouvidos ligados, bocas fechadas (comentários só nos breves intervalos comerciais) e as almas felizes.
De manhã cedo, na Rádio Diário da Manhã, de Florianópolis, ondas médias, a gente se preparava para o dia com “A Hora do Despertador” do compadre Dakir Polidoro.
Ao meio dia alternávamos a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, ondas curtas – 31 metros, com a Rádio Diário da Manhã. Nesta última, programas como “A Marcha dos Acontecimentos” e “Vanguarda”, pontificando os irmãos Walter e Adolfo Zigelli e o Antunes Severo.  
E, havia sempre uma sucessão de “informação e entretenimento” que incluía o Repórter Esso, na poderosa voz de Heron Domingues, as rádios-séries “O Santo” e “Jerônimo, o Herói do Sertão”, a rádio-novela “Direito de Nascer” (muita lágrima derramada), os rádio-shows (o “Programa Cesar de Alencar” era o nosso preferido) para ouvir Emilinha Borba, Marlene, Ângela Maria, Caubi Peixoto;  e, em noites de Maracanã- o Estádio Mário Filho, os “embates” futebolísticos.
Nestes últimos, a regra do silêncio era suspensa… Permitidos xingamentos aos Juízes (assim eram exclusivamente denominados os árbitros de futebol, então) aos adversários e, o mais triste, aos jogadores de nossos próprios times quando erravam.
Narrações emocionadas e não muito neutras de Jorge Curi (eu sempre suspeitei que ele fosse flamenguista, como o era sem dúvida o Ari Barroso!).Minha Mãe era uma flamenguista fanática, eu era um botafoguense então não sofredor porque o nosso time era muito bom, e, o meu Pai era nosso “saco de pancadas”: torcia pelo São Cristóvão (que sempre era derrotado)! Esta aparente divergência não era fator de desunião… Ao contrário… os entrosávamos – filho e pais-  muito mais, por isto!
O rádio nos prestava, além de tudo, esta estratégica função catalizadora com especial eficiência, eficácia e efetividade. Ademais, o rádio nos faz desenvolver a capacidade de imaginar, e nos permitia, pois, de forma totalmente livre, desenhar mentalmente as faces e  os corpos dos personagens das rádio-séries e das radionovelas e, sobretudo, as jogadas das partidas de futebol.
Assim, durante um bom tempo vivi, com a minha pequena família,  muito  bem informado e muito bem entretido pelo rádio!
Esta semente de constante compromisso e este elo de poderosa conexão com o rádio frutificou em mim de maneira tão forte que, até hoje, o rádio, ele próprio, é um dos meus programas prediletos… Na verdade, o mais predileto!


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Por Cesar Luiz Pasold

Escritor, advogado e professor catarinense, é autor de 15 livros técnicos e co-autor de mais nove. Especificamente na área da comunicação, Cesar Pasold escreveu: Personalidade e Comunicação (2005), Técnicas de Comunicação para o Operador Jurídico (2006) e O Jornalismo de Moacir Pereira (2012).
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