O rádio continua cada dia mais forte

No Dia do Rádio, profissionais falam sobre a importância desse meio de comunicação de massa. Data é a mesma do nascimento de Roquette-Pinto, o “Pai do Rádio Brasileiro”

Carol Macário

Antunes Severo é um dos pioneiros da radiodifusão em Santa Catarina | Daniel Queiroz / ND

A história do rádio no Brasil começa a ser escrita a partir de 1922, nas comemorações do centenário da Independência. No topo do Corcovado, no Rio de Janeiro, a Westinghouse Electric, junto com a Companhia Telefônica Brasileira, instala a primeira estação de 500 W, inaugurada com um discurso do então presidente Epitácio Pessoa. Era o início de uma trajetória que completa 90 anos em 2012, testemunha dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo nas últimas décadas. A primeira emissora brasileira nasceu no ano seguinte, em 1923. A Rádio Sociedade do Rio de Janeiro era comandada por Roquette-Pinto e Henry Morize, com uma programação educativa e cultural. Na mesma época, influenciada pelo sucesso das primeiras transmissões radiofônicas, surgiram várias rádios amadoras como a Rádio Clube Paranaense, a Rádio Clube de Pernambuco, a Rádio Sociedade Rio Grandense, a Rádio do Maranhão, a Rádio Sociedade Educadora Paulista e a Rádio Clube de Ribeirão Preto, todas instaladas em sociedades e mantidas por seus associados.

O grande passo evolutivo se deu a partir de 1932, quando um decreto do presidente Getúlio Vargas autorizou as rádios a buscarem inserções publicitárias. Era o início de novos tempos, de um cunho mais popular e voltado à informação dos ouvintes. Da mesma forma, o próprio governo passou a fazer uso da eficiente ferramenta com a criação da Rádio Jornal do Brasil, a “Voz do Brasil”, em 1935.

No ano seguinte surgiu a Rádio Nacional, primeira grande emissora que foi líder de audiência durante duas décadas. Em 1937, outro marco: Assis Chateaubriand inaugura a Rádio Tupi de São Paulo. A disputa entre as duas emissoras foi determinante para a expansão e a aumento da qualidade radiofônica no País, com a criação de programas marcantes como o “Repórter Esso” (1941) e os programas de auditório que destacavam cantoras como Emilinha Borba e Marlene.

Os avanços tecnológicos também colaboravam para a popularização do rádio brasileiro. Em 1956 foram lançadas as primeiras unidades dos equipamentos portáteis, tornando o hábito de se ouvir rádio mais fácil, quase como um companheiro de seus ouvintes. Três anos depois começaram as primeiras transmissões jornalísticas ao vivo, fora do estúdio, trabalho ampliado em 1962 com as primeiras transmissões via satélite e o som estéreo. A década de 1970 consagra definitivamente o rádio, principalmente com o surgimento das primeiras emissoras de frequência modulada (FM) e as populares transmissões de partidas de futebol da Rádio Globo.

Hoje, mesmo com a concorrência de outros meios de comunicação, o rádio mantém seu charme e popularidade. Segundo o IBGE, o percentual de domicílios brasileiros com aparelhos de rádio chega a 90,3%, sendo que na região Sul o índice é o mais alto do País, com 94,8% de presença dos equipamentos nos lares.

Notícias, Lazer e Entretenimento

A morte do radio chegou a ser anunciada duas vezes, com o advento da televisão e, depois, com a popularização da internet. Doutor em rádio pela Université Du Maine, na França, o jornalista Ricardo Medeiros, de Florianópolis, afirma que o rádio foi e continua sendo um grande veículo de comunicação de massa, uma fonte de notícias, lazer e entretenimento. “Além da instantaneidade da informação, é um meio de comunicação acessível até para analfabetos e é um companheiro dos deficientes visuais”, comenta.

Ele conta que nas primeiras décadas o rádio chegou a ter até 600 funcionários, entre técnicos e atores de rádio novelas. “Mas o rádio acompanha as novas tecnologias e a internet hoje serve como uma plataforma para as transmissões radiofônicas.” Para ele, até hoje o rádio exerce um tipo de fascínio nos ouvintes, principalmente nas transmissões de jogos de futebol.

Santa Catarina ainda valoriza o rádio

Antunes Severo, jornalista, publicitário e empresário, foi um dos pioneiros da radiodifusão em Santa Catarina. Segundo ele, o Estado é um dos poucos do Brasil que ainda valoriza o rádio como veículo de comunicação. “Principalmente na região Oeste há uma grande valorização. Lá o índice de rádios por habitante é grande se comparado com outras regiões.”

Publicado em 25/09-09:30 por: Carol Macário. @carolmacario_nd | Atualizado em 28/09-20:37

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