O rádio em Tijucas

Para abrilhantar a programação a Rádio Difusora contratou o Regional do Azevedo, formado por Zé Carioca, Canhoto e Azevedo e uns outros poucos músicos.

[ Por Leopoldo Barentin ]

Em 22 de outubro de 1948 deu-se a inauguração da Rádio Difusora de Tijucas, inicialmente instalada na propriedade de Zequinha Polaco, ao lado do atual prédio da Celesc e mais tarde estabelecida no andar superior do Banco Inço, na rua Coronel Gallotti, pertinho da ponte. Para o comando da jovem equipe foi designado o radialista Aldo Silva.
Um dos programas de destaque eram as radionovelas, com participação de muitos tijuquenses, entre eles o casal Mariquinha e Hercília Rosa, sempre acompanhados pela filha Leda Regina de Souza. Havia também a Crônica da Cidade, diariamente produzida pelo grande poeta Guilherme Varella e apresentada pelo polivalente Aldo Silva, além dos programas sentimentais, trazendo pensamentos, quadrinhas que a juventude enviava para a emissora, ou os de caráter religioso, como a Oração da Ave Maria, apresentada pelas internas do Colégio Espírito Santo. Mas eram os calouros que faziam a grande alegria dos ouvintes, em virtude do entusiasmo do apresentador Aldo Silva e da empolgação dos concorrentes.

O primeiro programa de auditório da Rádio Difusora intitulou-se Candidatos ao Rádio, recebendo mais de 50 inscrições, entre elas as de Davi Santos e Udo Leal. Porém, no primeiro programa o Trio Zé do Samba e suas pastoras ficou com o título de campeão, interpretando a música Rosário de Lágrimas de Ataulfo Alves. O Trio Zé do Samba e suas pastoras era integrado Manoel dos Anjos, Maria Terezinha Ribeiro e Carolina Ternes e a premiação que receberam foi a significativa quantia de 50 mil réis.

No final da década de 1950 a Rádio Difusora foi desativada. Parte do equipamento foi levado para viabilizar as instalações da futura Rádio Clube de São João Batista e a maior parte dos arquivos e discoteca foram literalmente destruídos ou jogados no rio… Uma verdadeira desgraça cultural!


Patrimônio histórico: Mansão Gallotti.

Em 1985 foi liberada a concessão de uma nova emissora de rádio para a cidade: a Rádio Clube de Tijucas que opera com o nome fantasia de Rádio Vale. Essa concessão foi uma conquista de Valmor da Silva Telles e Sebastião Berlinck de Brito. Porém, como constataram que o volume de recursos para a implantação era muito grande e que não teriam condições para tal, Valmor Telles recorreu ao empresário César Bastos Gomes, atual presidente do Conselho de Administração das Empresas Portobello, que assumiu e viabilizou financeiramente a sua instalação. Em 1986 foi iniciada a construção da sede e da torre de transmissão às margens da BR-101.
A Rádio Vale iniciou suas transmissões em caráter oficial em 29 de junho de 1987 sob o comando de Valmor Telles. Antes, porém, em abril do mesmo ano Valmor começa a formar o quadro funcional da emissora contratando Udo Leal, Dalmo Feminella, Mauro Muniz, Gerson Marcelino, Aristides dos Santos, Flávio Telles, Maurioni de Souza, Nilva Mafra, Romualdo Barão e este que vos escreve, tendo como primeiros colaboradores Manoel dos Anjos, Leda Regina de Souza, Hélio Gama, Ângela Silva, Cristiane Farias, José Luiz Baixo e Ademir Silva. Depois vieram muitos outros com quem tive o prazer de trabalhar, dos quais destaco Cristiane Leal, Onali Pereira de Melo, Luciano Ribeiro, Cláudia Germano, Cássia Marchi, Ulisses Anderson, Marcos Passarinho, Eduardo Perácio, Etevaldo Santana, Aldo Bueno de Lima, Amarildo Machado, Valdir Dutra, Everaldo Calunga, Éder Trindade, Celso Leal da Veiga, Renaldo José, Sérgio Murilo, Claudiomir Miranda e José Américo Vargas. Sara Vieira, Andreza Machado, Marcelo Raulino, Fabiana Santana, Eliane Tomas, Viviane dos Santos e ainda as dezenas de apresentadores de programas religiosos, dos quais é praticamente impossível lembrar os nomes.
A primeira música executada pela Rádio Vale ainda em caráter experimental foi “América Menina”, do grupo 4ª. Redenção de Itajaí.
Valmor Telles permaneceu na direção da emissora até janeiro de 1993, quando foi substituído por Matias Fidelis Angeli.
Leopoldo Barentin* é o fundador do jornal Razão Tijuquense. O artigo “O Rádio em Tijucas” foi publicado originalmente em sua íntegra no livro Muitas Histórias de Tijucas, de Luís Gomes e Marcos Bayer – 1.998. E-mail: [email protected]
Da Redação:
Foto Cattleya Intermedia, flor símbolo da cidade.
Em Tijucas, o primeiro a adquirir um aparelho de rádio foi o Dr. João Bayer em 1.936. Os moradores mais antigos contam que todas as noites a vizinhança se acotovelava no muro da mansão do Coronel João Bayer para ouvir os programas sertanejos, o repórter Esso e vários outros programas que marcaram época. Veja mais no site www.tijucas.sc.gov.br


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