O rádio mudou

Como quase tudo no mundo o rádio mudou. E muito. O mundo mudou para melhor, não se tem dúvida. Houve evolução em vários setores fundamentais para melhorar a qualidade de vida das pessoas, aumentar a longevidade, facilitar as comunicações e transporte, colocar informações a disposição da maioria da população. O rádio melhorou e muito, em tecnologia, agilidade para informar, qualidade som etc. Mas, nem tudo pode ser considerado avanço no rádio. Em alguns setores parou ou até piorou.

Claro que esse tipo de julgamento depende da ótica de quem julga. Há 20 ou  30 anos o rádio mantinha uma programação mais saudável e inteligente. Os programas que colocam a violência e o banditismo como principal atração de uma programação, não existiam. Notícias sobre crimes eram raras e transmitidas pela manhã em programas como “Revista Matinal,” de Arthur de Souza na Rádio Clube Paranaense, ou no programa ‘A Hora do Despertador” de Dakir Polidoro, na Diário da Manhã, de Florianópolis.

Fora desses horários, nada de crimes. O destaque eram os programas de auditório que revelavam novos talentos com seus calouros, outros que faziam competições de conhecimentos gerais, boa memória e até concursos de oratória. A programação musical contemplava todos os gostos, da MPB à música erudita, reservando alguns espaços matinais para o sertanejo de raiz.

Na Rádio Emissora Paranaense, fazia sucesso “Jóias Musicais” de Leal de Souza, com um desfile de  música clássica tradicional. Na Rádio Colombo, Guido Padovani, apresentava uma seleção de música italiana no programa “Qui Parla Roma”. As seis horas da tarde ouvintes rezavam junto com o locutor na “Hora do Ângelus”.

Os programas saudosistas, com destaque para os apresentados por Sérgio Fraga  na Rádio Clube, mantinham vivas na programação radiofônica, as grandes criações do cancioneiro romântico de outros tempos.

Dizia o locutor que “saudade não tem idade” e parece que não tem mesmo. A saudade de um tempo de rádio de bom gosto, inteligente e um referencial de bom comportamento social, respeito e admiração de valores morais, é grande e plenamente justificável.

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