O rádio tem história e merece respeito

Francisco Djacyr Silva de Souza*

É importante o conhecimento da história do rádio e verificar sua importância durante muitos anos na vida das pessoas e no decorrer do processo histórico de cada cidadão. É importantíssimo resgatar essa história e mostrar a todos cidadãos e, principalmente, aos jovens, o que foi feito na vida radiofônica através de exemplos, casos práticos e observações. Como é excitante conhecer a história do rádio e compreender fatos relacionados a seu processo de formação, implementação e papel na vida diária de nossos povos.

Por que esquecer Padre Landell de Moura, Roquete Pinto, Repórter Esso, radionovelas, cantoras do rádio? Por que ocultar o papel do rádio na mobilização da população, nas notícias da Segunda Guerra Mundial e no divertimento dos programas de auditório que levavam diversão e alegria para tantos brasileiros?

O rádio é tão importante que hoje grupos políticos sempre investem na implementação de emissoras. No Senado há uma rádio que opera com notícias da casa. Nas Assembléias Legislativas estão crescendo o número de emissoras oficiais para que os feitos dos parlamentares, ou sua propaganda antecipada política, chegue às casas das pessoas. O próprio presidente da República mantém hoje um programa semanal de rádio, pois sabe que será fácil emitir suas idéias a todos os rincões do país. Toda esta importância do rádio merece ser resgatada, enaltecida e valorizada para o bem da comunicação sadia, segura e, sobretudo, ética.

Práticas de valorização

O trabalho de valorização do rádio deveria começar dentro das próprias emissoras, que deveriam reservar parte de sua programação para mostrar ao povo aspectos da história do rádio, momentos de sua história, curiosidades sobre o meio e mostrar as idéias veiculadas nas emissões radiofônicas para promover conhecimento sobre o meio e verificar sua importância. É preciso investir mais no rádio, melhorando qualidade de programas com produção, interatividade, participação popular e divulgação do que se passa na programação – para o bem de todos e para um melhor aprofundamento da história deste meio de comunicação. É preciso compreender o papel-cidadão do rádio no contexto histórico, na formação do povo, na consolidação da formação cultural e no aprendizado das pessoas que ouvem rádio e dele fazem o companheiro de todas as horas.

No processo de resgate da história do rádio é reservado um papel importantíssimo para os ouvintes, que devem exercer sua cidadania cobrando dos supostos proprietários qualidade tanto na emissão quanto na mensagem. É preciso exercer fortemente o corporativismo do ouvinte para lutar por direitos de consumidor diante de alguns programas que destoam completamente do verdadeiro pensamento do público ouvinte. É preciso que os empresários vejam o rádio com outros olhos e coloquem seus departamentos de marketing e mídia no entendimento do papel do rádio, nos índices de audiência, no imediatismo que só o rádio tem o que certamente será uma oportunidade segura de retorno em relação às propagandas veiculadas no rádio.

Os empresários do meio radiofônico têm de desenvolver práticas de valorização de seus personagens dando a estes o prazer de trabalhar no rádio (radialistas, operadores e colaboradores), bem como ouvir rádio (ouvintes-consumidores). O rádio precisa ser valorizado urgentemente pelos que detêm as concessões, que têm de saber o que se passa no rádio sem preocupação meramente com o balancete do final do mês, e sim, do seu papel no contexto político, econômico e social no exercício pleno da democracia.

Regras de cidadania

Os que fazem rádio precisam valorizar seus consumidores procurando sempre fazer dos programas exercícios de cidadania, valorização ética, protagonismo e criar programas atrativos para todas as classes sociais e etárias fazendo com que o rádio seja para todos e todas. O rádio precisa criar programas adequados às faixas etárias através de uma pesquisa dos interesses de seus usuários. O rádio precisa incentivar conselhos de ouvintes para analisar e propor mudanças na programação. Os radialistas têm de valorizar seus ouvintes, respeitá-los e ouvir o que eles dizem para saber o que se passa no mundo afora e como o rádio poderia contribuir para melhorar a vida.

No contexto da formação de radialistas devem constar urgentemente noções de ética, de respeito radiofônico, de participação popular e outros aspectos que envolvam a vida cultural e socioeconômica do mundo em que vivemos. O rádio precisa ser respeitado, tanto pelos usuários quanto pela sociedade em geral, para a construção de um mundo pautado em regras de cidadania, formação ativa e resgate da justiça para todos.

(*) Vice-Presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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3 respostas
  1. João Batista Neto chamadoira says:

    Prezado Francisc
    Penso como você. Sou de uma geração que curtiu muito o rádio e pode ter mais consciência da importância do veículo. Tenho um programa na Rádio Unesp FM, o O RÁDIO CONTA O RÁDIO, que é veiculado na 2[, 4ª e 6ª feiras, nos horários de 8h da manhã, 5h30 da tarde e 8h30 da noite. Um programete.
    Pode ouvir pela rádio.unesp.br
    E viva o Rádio. E ouçam o Rádio.
    Abraço.
    Chamadoira

  2. J.Pimentel says:

    Caro companheiro. O tempo passou muito depressa. Todos os personagens desta história magnifica que é o rádio no Brasil não tiveram tempo nem estímulo para dar uma paradinha e escrever sua parte dessa história. Hoje, os mais velhos estão indo embora levando consigo suas lembranças e fatos. Precisamos sim dar uma parada nessa correria toda e começar a escrever a GRANDE HISTÓRIA DO RÁDIO, recorrendo aos velhos radialistas que ainda vivem e que teem muita coisa para contar. Há muitos fatos e registros isolados que precisam ser reunidos e organizados. Não se pode mais postergar essa pesquisa que deve ser em todo o Brasil e pode enriquecer muito os cursos de comunicação e valorizar este meio tão importante e tão pouco conhecido.

  3. Carla Cascaes says:

    É verdade!

    Como único e imbatível veículo de comunicação IMEDIATA, o rádio tem uma história linda a ser resgatada (no que ainda resta de memória viva).
    Os tempos do verdadeiro profissionalismo, do ideal do radialista de fazer sempre melhor e agradar mais; do valor de cada herói dos tempos em que a competência tinha que ser esbanjada.
    Ou era bom integralmente, ou ficava fora da equipe titular de música, radiojornalismo, produção em geral, esportes, saudosismo, etc.
    Os poucos que restam estão sendo pouco aproveitados. Se cada um deles contasse sua própria experiência, já estaria preservada a história gloriosa dos idos do rádio responsável e que tanto encantou nosso estado, o pais e o mundo!
    Uma rádio que reunisse, hoje, somente os velhos profissionais (valorosos, evidentemente) do passado, tomaria conta da audiência total em qualquer região.
    Não sei porque ninguém investe nisso, já que, inclusive em faturamento, bateria recordes junto às faixas etárias mais elevadas…

    Abraços e parabéns ao editor dessa matéria. VALEU A SEMANA e fica o alerta!

    Carla

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