O Rádio tem voz e vez, sim senhor

O Rádio é um veículo desprezado pelos publicitários e muitos radiodifusores. A expressão é corrente entre radialistas em qualquer ponto do país e pronunciada na maioria das vezes em tom melancólico.
Por Jamur Júnior

O Rádio já era, seja AM ou FM” costumam dizer pessoas que não tem nenhuma base de conhecimento para tal afirmação. Continua sendo e será por muito tempo um dos mais eficientes meios de comunicação. Chega mais rápido onde outros veículos nem passam perto. Poderoso e vibrante como meio de comunicação com a população, o rádio sobrevive forte, apesar da crônica falta de promoção desse importante e indispensável veículo.  Houve época em que a maioria dos principais jornais mantinha colunas especializadas em rádio.

Em Curitiba circulou um jornal editado por Mba de Ferrante e João Nunes Cottar,  dedicado inteiramente ao rádio. Havia revistas famosas de grande tiragem e venda em bancas, como a Revista do Rádio e tantas outras que surgiram depois. Colunistas experientes e famosos como Luiz Renato Ribas, Célio Guimarães, Norberto Castilho  foram responsáveis por colunas de rádio com excelente índice de leitura. Com o advento da televisão houve um desvio de interesse dos jornais em direção ao novo veiculo, uma novidade que despertou grande curiosidade do público. E o rádio ficou em segundo plano na divulgação e no interesse dos programadores da mídia.
Isso, contudo não alterou a performance do veiculo como um dos mais poderosos e eficientes meios de transmitir informação, cultura e entretenimento. O rádio chega longe, fala alto em qualquer local e hora, leva  informações fresquinhas, comentários, análises, histórias aos locais mais remotos do pais. Para ilustrar um pouco essa afirmativa, vamos a dois exemplos. Em Guaratuba, aos sábados na Feirinha do Produtor, costuma aparecer um cidadão, tipo popular pitoresco, fazendo longos discursos, sobre política, economia, futebol e até política internacional. Critica Lula, Bush, Sadam e quantos mais estiverem em evidencia. Quem seria essa figura com tanta informação?   Seu nome é Severino, um homem simples, nordestino que chegou há 50 anos, lavrador, morador da localidade de Rio das Onças, no fundão da baia de Guaratuba. A uma pergunta sobre sua fonte de informação, se é jornal, revista, livros, televisão, Severino surpreende com sua sinceridade.

-Não senhor, tenho muita dificuldade com a leitura. Escrevo o nome, mas ler, é difícil. Eu tenho dois radinhos, um grande que fica na casa e outro pequeno que carrego pendurado quando vou pra roça.
 
Como milhares de brasileiros, Severino , morando num local distante, sem energia elétrica, mantém-se ligado ao mundo através do rádio. Numa ilha distante, na roça, no prédio em construção, no carro que trafega pelas ruas e avenidas da cidade grande, há sempre um rádio ligando o cidadão com o resto do mundo. Isso é o rádio, veiculo quente que aproxima as pessoas em todos os pontos do Universo. Uma força de comunicação que merece mais atenção, promoção e cuidados por parte de radiodifusores, empresário, políticos e publicitários.

Jamur Jr é radialista, jornalista, apresentar de telejornais e escritor. Autor dos livros Pequenas histórias de grandes talentos – os primeiros passos da televisão no Paraná, edição do Autor, 2001 e Sintonia Fina – histórias do rádio, editado pela Secretaria de Cultura do estado do Paraná, 2004. Trabalhou em rádio em Santa Catarina nas décadas de 1960 e 1970.


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Por Jamur Júnior

Radialista e jornalista e foi apresentador noticiarista de rádio e televisão em emissoras de Curitiba e Florianópolis. É autor dos livros Pequena História de Grandes Talentos contando os primeiros passos da TV no Paraná e Sintonia Fina – histórias do Rádio. Jamur foi um dos precursores do telejornalismo em Curitiba.
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