O rádio vai à luta para derrubar os mitos

Acho que a última grande novidade do rádio brasileiro, além do hilário Pânico, tinha sido a criação da CBN, até que agora a Band resolveu fazer radiojornalismo em FM. O que não é uma grande revolução, mas ajuda a combater a acomodação e a mesmice.
Por Emílio Cerri

Mas não sejamos injustos. Outros esforços têm sido feitos, como a expansão das FM (hoje de 49% do total), avanços tecnológicos e melhorias na programação, formatos comerciais, etc, o que se reflete positivamente nos resultados dos negócios. O rádio tem no Brasil 4,6% de participação nas verbas publicitárias (cerca de R$ 600 milhões/Projeto Intermeios 2004), mas vem crescendo ano a ano (mais 14,4% em 2003 em relação a 2002).

Continuamos com problemas a resolver. Anunciantes e agências, por exemplo, ainda reclamam da dificuldade de obter informações confiáveis, de fazer programações nacionais ou mesmo de comprovação do exato cumprimento das autorizações. As diferenças de estilo e programação, especialmente no rádio jovem FM são mínimas. Tocam as mesmas músicas, falam do mesmo jeito e têm até vozes parecidas.

No rádio AM…bem, essa é uma longa história para outra oportunidade.

Não nos iludamos, porém. Lá fora as coisas também não têm sido fáceis.

Nos Estados Unidos, um estudo do Radio Advertising Bureau, difundido nesta semana pelo MediaPost, mostrou que os sobrinhos de Tio Sam também têm seus problemas, especialmente em relação a certos mitos que eles estão tentando liquidar.

Fiz um resumo do trabalho, esperando motivar nossos radiodifusores para esforços semelhantes (se já existe algo, desculpem-me e me enviem com urgência que prometo publicar aqui).

Mito: há excesso de comerciais (clutter, no jargão deles)

Segundo a Harris Nesbitt, desde outubro de 2004, houve uma redução de 13% na quantidade de spots nos 10 maiores mercados. De acordo com a Arbitron/Edison Media, os ouvintes acham que a Tv tem mais comerciais que o rádio e preferem mais breaks mais curtos do que menos breaks mais longos. Na pesquisa, 57% dizem preferir três breaks de quatro spots a dois breaks de seis spots. Os ouvintes do Clear Channel declaram que perceberam menos comerciais, comerciais mais curtos e mais música.

Mito: o rádio não inova e é muito lento para as mudanças

A WUSN-FM irá transmitir uma programação à parte num segundo canal usando a tecnologia HDRadio (rádio digital de alta definição). O Clear Channel está fazendo webcasting de vídeos de seus concertos no site da rede e anuncia que entre 2 a 4 anos terá HDRadio em suas 1000 emissoras.

Chegou a era do simulcast e do podcast: os ouvintes já podem sintonizar as FM nos seus celulares, recebendo simultaneamente informações interativas e imagens sincronizadas com a transmissão. A Premier Radio Networks está oferecendo podcasts de seus programas.

Mito: o rádio não atinge o mercado jovem

Estudos da Kaiser Family Foundation Study mostram que 74% dos jovens de 8 a 18 anos ouvem mais rádio do que CDs, fitas ou MP3 players. Cerca de 84% deles têm um rádio em seus quartos, mais do que TVs ou computadores.

Mito: O rádio não tem criatividade

O Mercury Awards está estimulando a excelência criativa no rádio. E o Festival de Cannes de 2005 incluiu a categoria rádio. 

Mito: o rádio não é uma mídia adequada para branding

A presença constante de anunciantes como Budweiser, On Star, Snapple e AT&T , entre outros, refuta esse mito.

Mito: a audiência do rádio é declinante

O rádio alcança 94% da população americana, com mais de 200 milhões de ouvintes. O total de ouvintes continua crescendo a cada ano. Os consumidores estão dedicando mais horas ao rádio do que a outros meios.

Mito: o rádio precisa de comerciais longos para funcionar

Estudo da Burke revelou que comerciais criativos, bem executados e principalmente relevantes, não precisam ser longos para gerar um bom recall. Um significativo número de spots de 30 e 15 segundos têm tido recalls iguais ou maiores que comerciais de 60 ou mais longos.

Mande seu comentário e vamos discutir o assunto.


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Por Emílio Cerri

Radialista, jornalista e publicitário. Âncora em rádio e telejornalismo em emissoras de Santa Catarina e Brasília. Como publicitário trabalhou em agências e empresas de Florianópolis, São Paulo, Rio e Brasília. É consultor de comunicação de marketing. Edita vários blogs (inclusive Caros Ouvintes). Palestrante internacional.
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