O radioteatro está de volta

Radiodramaturgia | Contos no Rádio

Equipe do Núcleo de Radiodramaturgia das Rádios EBC

A Rádio Nacional AM do Rio de Janeiro e a Rádio MEC voltam a produzir e transmitir uma de suas maiores atrações em todos os tempos: o radioteatro. Com linguagem contemporânea, peças adaptadas da literatura brasileira e universal serão veiculadas na série Contos no Rádio, a partir de segunda-feira, 25/4, na Rádio MEC AM; e no dia 28, na Rádio Nacional. Entre os autores escolhidos estão Lima Barreto, João do Rio, Machado de Assis, Raul Pompéia, Mário de Andrade e Alberto Moravia. O projeto faz parte das atividades do recém-criado Núcleo de Radiodramaturgia da Empresa Brasil de Comunicação.

A Rádio Nacional foi nos anos 1940 e 1950, estava entre as principais emissoras da América Latina e uma das cinco maiores do mundo, levando a todo o país radiofonizações de clássicos da literatura mundial, novelas, programas de auditório, humor e musicais, noticiosos e transmissões esportivas. Já a Rádio MEC, ao longo de sua história,  atuou também como protagonista e produtora de cultura. Além dos programas musicais e educativos, contou com um elenco fixo de radioteatro nos áurea tempos do rádio. Do cast da emissora saíram profissionais como Fernanda Montenegro, Edmundo Lys, Sadi Cabral, Sérgio Viotti, Magalhães Graça, Agnes Fontoura, Allan Lima e Ieda Oliveira, entre tantos outros.

O radioteatro passou a fazer parte da programação das duas emissoras brasileiras no decorrer dos anos 1940. A Nacional veiculava folhetins cubanos traduzidos e adaptados, além de seriados, até formar seu cast de autores tendo como pioneiros Oduvaldo Viana, Dias Gomes, Janette Clair e Mário Lago. O sucesso alcançado pode ser avaliado pelos números da época: entre 1943 e 1945, foram transmitidas 116 novelas.

A Rádio MEC começou com o Radioteatro da Mocidade, em 1945 contando com a participação de Fernanda Montenegro. Outro sucesso que ia ao ar, ao vivo, era o Reino da Alegria, produzido por Geni Marcondes. O Terra Brasileira, com Ieda Oliveira, Hamilton Santos, Magalhães Graça e outros, transmitia histórias voltadas para o homem do campo.

Além de novelas e seriados, a radiodramaturgia tinha nos programas humorísticos da Rádio Nacional, a alavanca para altos índices de audiência. Nos anos 1930, duplas como Alvarenga e Ranchinho e Jararaca e Ratinho destacavam-se na Rádio Nacional como legítima expressão do humor brasileiro. Já nos anos 1950, o grande sucesso era o programa Balança Mas Não Cai, criação de Max Nunes, com numeroso elenco e a dupla formada por Paulo Gracindo e Brandão Filho, nos inesquecíveis papéis, Primo Rico e Primo Pobre.

A proposta do Núcleo de Radiodramaturgia da EBC além da retomada de uma tradição, é contribuir para a renovação do próprio rádio, com a chegada de uma nova geração de artistas e profissionais, dentre os quais, atores, dramaturgos, diretores, produtores e sonoplastas que atuarão sob a direção da atriz Marília Martins.

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