O risco da síntese

“Porque sim, Zequinha!”, era a frase sistematicamente repetida por Nino & Cia., em cada episódio do Castelo Ra-Tim-Bum, para, imediatamente após, o personagem Telekid, de Marcelo Tas, criticar: “Porque sim, não é resposta!”, e explicar o tema sugerido. De fato, um “sim” ou um “não” não explicam nada. São respostas lacônicas, que podem fazer a alegria de uns ou a frustração de outros, sem aprendizagem. Prestam-se mais a adestramentos, que podem levar ao fim das perguntas e ao simples obedecer. Sintetizar uma tese ou resumir uma história, dependendo do tema, também podem ser tarefas complexas. A omissão de um detalhe ou a definição de “máximas”, frases pinçadas às vezes fora do contexto da argumentação de seu autor – como vários dos “pensamentos” que circulam por aí, atribuídos a A ou B -, podem distorcer ou comprometer uma ideia ou uma biografia.

Quantos livros já foram escritos, muitas vezes em vários tomos, para que alguns tomem apenas uma frase deles para cooptar seguidores e submetê-los a “verdades absolutas”? E sempre tem alguém disposto a liderar ou ser liderado, sem questionamentos. Não pensar pode ser muito cômodo…

A síntese de uma ideia ou opinião em poucas palavras, também dá margem para polêmicas com dogmáticos ou doutos. Enquanto uns não admitem questionamentos, outros exigem teses recheadas de citações que as embasem.

No entanto, o espaço destinado à exposição de ideias e opiniões, sobretudo na mídia, está limitado a uma lauda. E mesmo articulistas consagrados que dispõem de colunas diárias, algumas bastante espaçosas, raramente conseguem ser suficientemente claros em seus argumentos. Aliás, alguns as têm justamente por serem polêmicos.

Qual a relevância, então, de um texto curto sobre questões complexas?

Para o autor, ele é um exercício de síntese, cercado de cuidados e riscos. Para o leitor, uma oportunidade de tomar conhecimento sobre um assunto e ser afetado, ou não, por ele.

No caso do leitor, ser afetado pode implicar rejeição ou busca de informações complementares, num processo dialético.

Um debate, presencial ou a distância, pode representar mútua aprendizagem, se os interlocutores estiverem dispostos a dialogar, até com paixão, mas sem argumentar com “máximas” insofismáveis.

Se polêmicas já ocorrem com obras de centenas de páginas, um texto sintético pode ser comparado à expressão do oceano em uma simples molécula de água, ou seja, há necessidade de informações complementares, sujeitas a réplicas, tréplicas e por aí vai.

Qual a validade desse texto sintético, pois, se alguns deles são escritos não para concluir, mas para expressar dúvidas?

Sua importância está nos questionamentos que também suscita em nós! Na oportunidade de confrontá-los com nossas certezas, impostas ou próprias, e, quem sabe, desconstruí-las, numa reflexão que nos leve a pensar antes de refutar ou, porque não, reavaliar nossos conceitos.

É sempre bom, de tempos em tempos, revisar o que acreditamos e porque acreditamos. Isso pode até ratificar nossas crenças, reforçando-as, pelo distanciamento crítico, e ungindo-as, com racionalidade serena, capaz de compreender e aceitar o contraditório sem escaladas assimétricas.

Nesse sentido, qualquer leitura, curta ou extensa, deve nos levar à reflexão e aprofundamento sobre um tema, antes do debate, embate ou, no limite, combate.

Talvez devêssemos nos perguntar: “Como resumiríamos isso?”, para entender que uma síntese deve ser encarada apenas como uma “semente” de conhecimento.

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